quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Carrão

Ontem eu estava em um ônibus e o cara de trás falava muito alto ao celular:

"-... já estou a caminho, assim que eu chegar eu pego o carrão!... Não, não, o Terminal Carrão!, Isso, o ônibus..."

(decerto o outro pensou, assim como eu, que se tratava de uma Mercedes, uma BMW...)

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Pastel de Belém

Pastel de Belém é igual bola de futebol americano: não é bola.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O Nego e a Dor

- Oi! Que livro é esse que você está lendo?

- O Nego e a Dor.

- Não conheço, posso ver a capa?



quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Defina "loiro", por favor


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Vida de aposentado: dia 1

Ouvi muitos conselhos quando disse que ia parar de trabalhar. Alguns legais, outros nem tanto. Muita gente me disse que não conseguiria ficar em casa muito tempo sem fazer nada, nem dei bola para esses. É claro que não pretendo ficar de pijamas o dia inteiro olhando o tempo passar pela janela, tal qual Carolina, ninguém aguentaria isso por muito tempo. Começa que eu nem uso pijamas.

Assim, tentarei estabelecer uma rotina, que não seja extremamente rígida a ponto de me encher o saco, e que seja suficientemente flexível para incluir coisas e programas legais. Que EU ache legais, bem entendido.

Pode ser até que, se me der na telha, alguns dias eu fique só olhando pela janela mesmo.

Como eu gosto de fazer esportes pela manhã, dedicarei essa parte do dia a atividades físicas, como caminhada e vigorosos exercícios físicos, bem, talvez não tão vigorosos assim... As tardes terão programação cultural. Simples assim.

Conforme planejado, hoje acordei de causas naturais, tomei café com calma e dei uma caminhada leve com a minha filha, mas debaixo de um sol escaldante... anotação mental: "sair mais cedo amanhã."

Após o almoço fiz alguns serviços domésticos, como trocar a bateria do carro e levar uns quadros para colocar moldura (não consegui achar a loja - anotação mental 2: "lembrar de olhar o endereço antes").

Atividades culturais: comecei a fazer uns cursos de desenho on line. Agora vou assistir a umas séries ou filmes e ler um pouco.

Comecei bem. Para amanhã, já tenho a renovação do meu passaporte agendada. Depois de amanhã, mercadão de São Paulo!

Ainda estou pensando se acerto os relógios com o Horário de Verão.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Warm up (aquecimento)

Em vésperas de ganhar muitas horas de ócio, já estou me preparando para meu novo hobbie (desenhar) e perder peso (atividades físicas mais intensas). Nesse meio tempo, já coloquei as duas modalidades para interagir: meu hominho-modelo já está se aquecendo para a sua extensa jornada!


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Fragrância

Sempre que ouço a palavra “fragrância” tenho a nítida impressão de que estão falando errado. Muito mais bonito seria "flaglância”.

Fica aí minha humilde sugestão para a próxima revisão ortográfica.

domingo, 28 de agosto de 2016

Aposentadoria

Eis que em breve chegará o tempo de me aposentar e descansar o esqueleto.

Alguém disse que o trabalho enobrece o homem – meu avô dizia que o cara que inventou isso era um idiota – seja lá como for, creio ter feito a minha parte com a devida nobreza. Por essa e por outras, não tenho planos de trabalhar no futuro... bom, pelo menos nesse esquema de X horas por dia, todo dia, toda semana etc.


Os amigos me perguntam quais os meus planos. Então, caso você seja meu amigo e esteja querendo me fazer essa pergunta, lá vai a resposta: pela manhã, acordar de causas naturais, sem despertador; tomar café com calma; caminhar; ler; assistir filmes e séries; escrever; aprender a desenhar; ler mais um pouco; visitar museus e exposições; ir ao cinema; fazer as refeições sossegadamente; ler de novo e dormir na hora que estiver com sono. Não pretendo passar meus dias de pijama, mesmo porque eu só durmo de cuecas, não pegaria bem.


A quantidade das minhas tarefas diárias baixará a um nível administrável.

Quase sempre haverá um tempo de sobra.


A previsão do tempo, pouco ou nada me importará.


Não mais detestarei as segundas-feiras. Não ligarei para feriados. Na prática, a semana passará a ter seis sábados e um domingo, ou seja, terá somente dias úteis.


Enfim, tem tudo para ser divertido. Pena que ainda faltam dois meses.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Etiquetas

Etiqueta em roupa é o seguinte: se você deixa, ela pinica; se você corta, ela pinica; se você tira, rasga a roupa na costura. Por que não colocam a etiqueta no...? (no deles, claro!)

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Pressa, pressa, pressa...

Ainda sobre cartas e emails, uma coisa que me impressiona é a velocidade alucinante com que se espera uma resposta para uma mensagem. Pressa, pressa, pressa...

Embora seja uma ferramenta do século passado (e que algumas pessoas ainda insistem em usar), na verdade não faz muitos anos que quando se queria mandar uma mensagem para alguém, utilizava-se dos serviços dos correios.

Uma carta era escrita e postada, e a resposta era aguardada para dali 15 a 30 dias dependendo da distância. Se havia urgência na comunicação, podia-se utilizar de um telegrama, mas a mensagem tinha que ser bem concisa, pois era relativamente caro. E todo mundo ficava contente com isso.

O surgimento da internet e do email mudou essa percepção. O envio da mensagem é quase instantâneo. Por extensão, sabendo disso, quando alguém manda um email espera que o recebedor também responda rapidamente, se possível no mesmo dia. Se demorar muito para chegar a resposta, é um Deus nos acuda. Pressa, pressa, pressa...

Quando se pensa que não pode piorar essa pressa, aparecem os aplicativos de comunicação tipo Whatsapp, na qual a resposta é esperada dentro dos próximos segundos, do contrário é o caso de se ligar para os hospitais e a polícia para saber o que aconteceu que a resposta ainda não veio. Pressa, pressa, pressa...

Onde vai parar isso?

Não sou especialista no assunto, mas creio que isso afeta profundamente não só o modo com que nos comunicamos, obviamente, mas principalmente a qualidade do que comunicamos.

PT SAUDACOES

domingo, 26 de junho de 2016

Por princípio

De uma biografia de Oswald de Andrade, pesquei essa frase de Bernard Shaw. Tão atual, por que não?

"Está mais próximo do homem natural quem come caviar com gosto do que quem se abstêm de álcool por princípio".

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Frio psicológico


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Defesa siciliana


terça-feira, 14 de junho de 2016

Tipos de pessoas

Existem 10 tipos de pessoas: as que entendem números binários e as que não entendem.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Chafé


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Misto frio



















Essa é velha... mas é boa. Vai que alguém não conhece.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Em verdade, vos digo

Amanhã vou dormir até acordar de causas naturais...

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Fio dental


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Creme ou chocolate?


quinta-feira, 19 de maio de 2016

terça-feira, 17 de maio de 2016

O significado dos sonhos


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Contas que a gente não faz

Quando o desodorante começa a aparecer no mercado com uma embalagem de segurança com alarme, igual ao uísque, é sinal que tem alguma coisa estranha.

Encafifado com essa história, resolvi  fazer uma conta e descobri o porquê: meu desodorante vem com 50 ml e custou a bagatela de R$10, ou seja, 1 litro teria custado R$ 200! Daria pra comprar um uísque de 12, talvez 18 anos! Tem razão o mercado.

Bom, é melhor parar por aqui antes que alguém tenha a ideia de passar uísque no sovaco pra economizar...

sexta-feira, 13 de maio de 2016

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Anúncios Modernos ou Anúncios (des)Classificados (2)


(... continuação, mas repito o texto para quem não viu o primeiro - ou clique aqui)

 O grande humorista Leon Eliachar, tinha uma seção em um de seus livros, O Homem ao Zero, chamada "Anúncios Modernos". Tentei caçar na internet mais coisas dele, mas não consegui. Em compensação, achei várias outras, mas é bem provável que a maior parte seja do Eliachar mesmo. A lista abaixo mistura o que eu achei no livro e na net . É pegar ou largar.

 “Cursos para noivas, com aulas práticas de Lua de Mel.”

“Vendo hímen complacente, com selo de garantia.”

"Troco um beijo roubado por um amor de segunda mão."

“Alugo ponto “G” em ótimo estado de excitação, digo, de conservação.”

“Precisa-se de um espião da melhor qualidade, quanto menos referências melhor.”

“Vesgo troca olho direito pelo olho esquerdo de outro vesgo.”

“Vende-se um táxi com apenas cinco postes de uso.”

“Perdeu-se uma jovem de 18 anos, alta, esbelta, linda, cabelos castanhos e olhos verdes. A quem devolver a jovem de 18, gratifica-se com duas de 70.”

“Deficiente visual procura psiquiatra para tratar sua mulher que deu pra falar sozinha há mais de duas semanas.”

“Vende-se violino de menino prodígio. Faz-se bom desconto a quem também ficar com o menino."

“Vende-se um véu de noiva que nunca foi usado. Nem o véu nem a noiva.”

“Troca-se um carro que pertenceu a uma só mulher e troca-se também uma mulher que pertenceu a vários carros.”

“Ga-ga-gago pro-pro-procura re-re-remédio pa-pa-para ve-ve-velho gagá, é isso mesmo.”

 

 

 

 


 


sexta-feira, 22 de abril de 2016

Anúncios Modernos ou Anúncios (des)Classificados (1)

O grande humorista Leon Eliachar, tinha uma seção em um de seus livros, O Homem ao Zero, chamada "Anúncios Modernos". Tentei caçar na internet mais coisas dele, mas não consegui. Em compensação, achei várias outras, mas é bem provável que a maior parte seja do Eliachar mesmo. A lista abaixo mistura o que eu achei no livro e na net . É pegar ou largar.


"Vendo uma bateria. Pagar aqui e pegar na casa da minha vizinha.”

"Bendo teclado de computador com defeito na letra B. Tratar com o Bicente."

"Pirata desempregado vende perna de pau e olho de vidro. Facilito o pagamento e dou o tapa-olho de brinde."

“Vendo aquário com todos os acessórios, menos o peixinho dourado que o gato da vizinha comeu. Grátis, couro de gato pra fazer tamborim.”

“Químico, com estoque variado de soluções, procura pessoa problemática para ajudar.”

"Vende-se um cinto de castidade emperrado. A virgem vai de brinde."

"Vendo um marca-passo por um preço tão baixo, mas tão baixo, que me dói o coração."

"Pesquisador corrupto procura dados viciados."

"Trocoapartamentodedezoitometrosquadradosporoutroumpocomaisespaçoso."

"Troco dois pontos cegos por um ponto de vista."

"Troco três caixas de preservativos com defeito por roupinhas de bebê."

"Troco PC XT com monitor por pacote de bolacha de Água e Sal. Volto a diferença."

“Vende-se harém com belíssimas mulheres, algumas com mais de 80 anos de experiência!”


domingo, 17 de abril de 2016

A gota


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Definição de 7 décimos de segundo

By Amora...




segunda-feira, 11 de abril de 2016

O desprevenido


sábado, 9 de abril de 2016

Bom menino!


quinta-feira, 7 de abril de 2016

Coincidência?

Sabe quando a gente é convidado para dois eventos ao mesmo tempo?
Pode não ser coincidência...




terça-feira, 5 de abril de 2016

Diferenças de sensibilidade


sábado, 2 de abril de 2016

Operação Lava-Jato


domingo, 27 de março de 2016

Ora, pílulas! [2]

Publiquei um post com uma historinha sobre corantes de remédios há alguns dias. Daí, minha amiga Manu imaginou o roteiro de como o corante teria ido parar no remédio. Só pode ter sido assim.


sexta-feira, 25 de março de 2016

Assim falou Tom Jobim

Sobre a música e a criatividade
"A música exige uma atenção especial por parte do ouvinte, que hoje não tem mais tempo. Ainda outro dia li no jornal que tudo que tem mais de cinco minutos de existência deve ser destruído. Quer dizer, toda obra que exige muito tempo, como um romance, por exemplo. Você vê, nós pensamos hoje em termos de leitura dinâmica, de informação, de passar a vista em quatro ou cinco jornais, três revistas e se libertar daquilo o mais rapidamente possível e, ao mesmo tempo, estar informado para estar por dentro, não é? Eu não creio que essas coisas levem à criatividade. O indivíduo que sofre de superinformação, de superalimentação, de supertrabalho, de superócio, ele está sempre dirigido, entende? E as pessoas são dirigidas muito facilmente, o que é lamentável descobrir, não é fato?"
Sobre a liberdade
" O ser humano está cada vez mais cerceado na sua liberdade individual, por qualquer radicalismo e por qualquer centrismo. De uma maneira geral, o que eu estou observando no mundo é que o indivíduo está cada vez mais pressionado, seja por uma ideologia, seja por uma indústria, o fato é que as liberdades individuais estão desaparecendo. Inclusive a liberdade de você ficar quieto, nem essa existe mais, nem o direito ao silêncio você tem."

Depoimento dado a Zuza Homem de Mello, em 27 de outubro de 1968. Correto, 1968, foi isso mesmo que você leu. O que diria ele hoje?
É por isso que sou cada vez mais fã desse cara...

terça-feira, 22 de março de 2016

Ora, pílulas!

Estava lendo a bula de um remédio e, no meio das posologias, contraindicações e outras informações de praxe, deparei-me com a seguinte frase:

"Este produto contém o corante amarelo de TARTRAZINA que pode causar reações de natureza alérgica, entre as quais asma brônquica, especialmente em pessoas alérgicas ao ácido acetilsalicílico."

Ora, pílulas! Reações alérgicas a algum produto que faz parte do princípio ativo do remédio é compreensível. Se o paciente é alérgico deve procurar outro remédio, paciência, mas adicionar um CORANTE que pode causar alergia me parece um despropósito.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Bossa Nova

Sei lá, mas acho que se Bossa Nova houvesse surgido hoje ao invés de no final dos anos 50, provavelmente seria chamada de Samba Universitário...

domingo, 20 de março de 2016

Como diria o Golias, "é tudo tão estranho...!"

Como diria o Golias...

video


P.S. Esse vídeo é uma paródia de um meme do Travolta que já teve milhares de versões. Essa é a minha.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Natureza-morta com Sempre-vivas


terça-feira, 8 de março de 2016

Conversa de menininhas

Conversa entre três menininhas (na verdade uma não abriu a boca) presenciada por mim em uma festa.


domingo, 6 de março de 2016

sábado, 5 de março de 2016

Revoada de urubucópteros

Ontem, sobre a casa do ex-presidente, uma revoada de urubucópteros.




Teve até uma dobradinha com avião...




sexta-feira, 4 de março de 2016

(sic)

Detesto interrupções quando leio. Barulhos, conversas, televisão etc. Há pessoas que conseguem se concentrar na leitura mesmo sob condições adversas. Eu não.

Mas há um outro tipo de interrupção, esta causada pelo autor do livro, que me irrita mais ainda.

Colado no caderno, em outra parte, um papel de carta traz escrito com tinta roxa: "Minha creança (sic) querida: [...] Amo-te apaixonadamente!". Segue-se uma espécie de diálogo, lá pela página 6 do diário: "Bem vez (sic) pois que o nosso amor é um paradoxo, um fenômeno incrível. Tu me amas! Tu, o boy-chic da moderna literatura [...]." (*)

A expressão sic, palavra que vem do latim e significa "assim", é muito utilizada em livros biográficos ou históricos, para indicar um erro em uma citação ou texto reproduzido no livro. Esse "erro" pode ser de ortografia ou concordância, ou mesmo para indicar que a palavra mudou sua grafia ao longo do tempo. Pelo menos essas são as formas mais comuns de utilização.

Três singelas letrinhas entre parênteses que interrompem a leitura (como acontece, aliás, com todas as observações feitas entre parênteses).

Se a história relatada no trecho reproduzido acima se passa nos anos 1920, é totalmente desnecessário indicar que a grafia da palavra indicada com sic era diferente quando foi proferida. O leitor sabe o contexto e a época em que se passa a história, e se estiver interessado na etimologia ou história da dita palavra que vá procurar no google ou em um dicionário.

Já a utilização desse recurso para correção de erros, além de inútil, é desrespeitosa para com o autor original.

Senão, vejamos. Se quem proferiu a frase era alguém de baixa cultura, assinalar seu erro é um deboche. Coisa muito feia. Se, por outro lado, era alguém de alta cultura, parece meio bobo o escritor no tempo presente apontar o erro, como quem diz, olha, achei um erro dele, não fui eu não quem errou!

Basta a frase estar entre aspas ou em itálico, que já sabemos que o texto foi reproduzido literalmente e os autores originais são responsáveis pelo seu conteúdo e forma. Não é preciso gastar o latim. Isso é quase tão inútil quanto esse post.


(*) O texto acima foi extraído da biografia e Oswald de Andrade, de Maria Augusta da Fonseca. Livro delicioso, por sinal, apesar da profusão de sics.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Leia, leia, leia, leia, leia...


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Aedes Aegypti


Tirinha publicada originalmente há 5 anos (
aqui), ligeiramente adaptada aos tempos atuais.



sábado, 20 de fevereiro de 2016

Epitáfio em 4/4


Isso me fez lembrar o epitáfio que Ary Barroso escolheu para si: "Aqui jaz um homem que detestava jazz". Coitado, ninguém é perfeito.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Cadê o gorila?




domingo, 14 de fevereiro de 2016

A arte de transferir problemas

A ideia desse post vem do meu amigo Ademir. Aliás, é dele também outra historinha transcrita em um dos posts mais lidos deste sítio (Ademir e as maritacas).

Com a palavra, Ademir:

"O fato se passou há alguns anos, durante o velório do pai de uma conhecida minha. O velório transcorria-se em Santos dentro da normalidade.Formou-se um grupo de pessoas aleatoriamente, e eu não conhecia praticamente ninguém; a maioria eram amigos próximos de longa data da família, pessoas idosas com idade variando por volta dos setenta e oitenta anos.
Como sempre, falavam da trajetória de vida ilibada do falecido, as virtudes enaltecidas, os defeitos esquecidos, e dos detalhes da doença que infelizmente havia lhe levado à morte.
Dentro dos diversos temas, foi levantada pelo grupo a questão referente à cerimônia de cremação que seria realizada no dia seguinte na cidade de São Paulo.
Neste momento todos os senhores presentes, exceto eu, foram gradativamente manifestando a intenção de comparecer ao evento do dia seguinte.
Em sequência, de uma forma que até parecia orquestrada, começou a tomar corpo à ideia de que algo poderia ser feito por alguém, no sentido de providenciar-se a contratação de uma Van, a fim de facilitar o transporte de todos os interessados em conjunto e baratear o custo da viagem.
A esta altura, o grupo que estava disposto de maneira geometricamente irregular, foi se posicionando de maneira rigorosamente circular e o tom da conversa foi ficando mais inquisitório. Eu, um verdadeiro estranho no ninho, estrategicamente fiquei fora do circulo a uma distancia confortável, pois não tinha uma ligação direta com o finado e muito menos com aquela turma de antiga convivência.
Percebi então, que sem muita perda de tempo, o grupo através de um consenso que me pareceu visual e preconcebido, começou a centrar em um dos elementos a responsabilidade pela investigação, cotação, contratação e logística para viabilização do meio de transporte para o dia seguinte.
O “eleito” começou a ser sabatinado impiedosamente pelos demais “amigos”, que tentavam a todo custo impor-lhe a missão quase impossível de em menos de 24 horas solucionar o problema. Venhamos e convenhamos, só se ele fosse o Tom Cruise, o Jack Bauer ou para os mais velhos, o James "Jim" Phelps (líder da equipe do seriado de TV – Missão Impossível).
Pressionado por todos os lados, o infeliz não encontrava mais argumentos e justificativas para ficar de fora, mostrava-se a certa altura impotente e desgastado. Realmente difícil situação em que ele se encontrava; fiquei com muita pena, pois por muitas vezes já vi este filme antes, e o que é pior, sendo o ator principal deste drama.
Por fim, próximo a ser nocauteado, como se buscasse o “corner” no intervalo da luta, escutei a vítima balbuciar algumas palavras pedindo um tempo e tomou a direção dos sanitários. Enquanto ele se afastava, o grupo voltou a concentrar-se no planejamento da estratégia final para o nocaute do moribundo. Porém o destino que parecia traçado, de repente tomou novo rumo; pois quando o sujeito se viu longe dos olhares da turma, mudou de direção, caminhou furtivamente para um automóvel e seguiu destino ignorado.
Depois de algum tempo, enquanto fiquei por lá, estranhando a demora, o grupo se desfez, seguindo um para cada lado, no objetivo de localizar o fugitivo e reiniciar a tortura. Mas a esta altura..."

Veja você, o cara chegou lá chateado com a morte do amigo e de repente se viu com um problema em mãos e responsável direto pela sua solução! Problema esse que ele não tinha havia minutos antes. É incrível a capacidade de certas pessoas de fazer isso, não só dão as ideias como já atribuem as responsabilidades. Parece que não se lhes exige qualquer esforço para isso. Líderes natos! Com certeza eles já tinham no bolso várias desculpas para dar caso alguém perguntasse "por que você mesmo não o faz?"
Entre os muitos pontos em comum na nossa longa amizade, somos ambos, Ademir e eu, inábeis na arte de transferir problemas. Somos, portanto, alvos fáceis e prioritários dos que têm essa habilidade, de forma mais ou menos explícita do que a relatada na historinha acima.
A liderança dentro de uma grande empresa pressupõe inúmeras qualidades, mas acho que um dos principais requisitos dos "grandes líderes" é exatamente essa habilidade de tomar a frente de uma situação e definir quem fará o quê, sendo que ele, o grande líder, ficará com essa parte estratégica na resolução do problema que é definir quem o fará realmente.
E mais, caso a solução proposta pelo incauto exija uma tomada de decisão difícil por parte do "líder", pode estar certo de que ele vai pedir mais informações e alternativas. E adivinhe quem o fará?
E você, em qual posição você situa normalmente?
Encerro esse post com uma tirinha que não tem nada a ver com a historinha acima, mas tem tudo a ver com transferência de problemas. Aliás, é velha como a arte de transferir problemas.


sábado, 13 de fevereiro de 2016

Palacete Helvetia

No meio do burburinho de vendedores ambulantes de softwares piratas ou de aparelhos que permitem abrir o sinal das TVs a cabo, misturados com anunciantes nas portas das lojas de eletroeletrônicos quase legais, ergue-se na esquina da Rua Sta. Ifigênia com a Aurora o Palacete Helvetia. Construído em 1923, conforme atestado em sua fachada, é uma dessas edificações que passam despercebidas pela maioria dos passantes.


Construído para ser um hotel em seus andares superiores e tendo o térreo sempre como ponto comercial, mesmo gente que trabalha na região da talvez nem se dê conta de sua presença.

Esteve por um fio durante a prefeitura de Jânio Quadros, que queria reciclar o bairro da Luz. Agora parece que há um plano de revitalização pelo Prefeito Haddad. Esperemos que dessa vez saia do papel. São Paulo merece.

Mais informações no site São Paulo Antiga.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

São Paulo, 1841

Uma das coisas legais que tem no Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, é uma maquete da cidade de São Paulo baseada em sua planta de 1841, ou seja, há “apenas” 175 anos. Inicialmente os imóveis não eram coloridos, esse foi um trabalho posterior que deu mais vida à maquete.

São Paulo contava com menos de 30 mil almas, como se dizia então, e não se tinha nem ideia de como iria crescer em tamanho e importância a partir do final do século XIX.

Clique nas fotos e mapas para ver os detalhes.


Vista geral da maquete
 


Detalhe da maquete, mostrando a então igreja da Sé, posteriormente demolida para construção da atual, e o Pátio do Colégio, que era a sede da prefeitura. 


Na foto acima, procurei mostrar algumas das principais ruas da cidade naquele ano, mas com os nomes atuais.

É pena que o Museu esteja fechado há tanto tempo. Ele está passando por obras de manutenção, necessárias por causa do descuido nos últimos anos que coloca em risco seu precioso acervo. Maior pena ainda que não fizeram isso a tempo no Museu da Língua Portuguesa.

Parabéns, São Paulo, pelos seus 462 aninhos!

sábado, 23 de janeiro de 2016

Sinceridade sutil

Eu estava com vontade de assistir ao filme do Snoopy e convidei meu sobrinho de 8 anos, Humberto, para ir ao cinema comigo. Quando me encontrei com ele perguntei se ele gostava do Snoopy.
- Ah, não é o filme do Bom Dinossauro que nós vamos ver?
- Bom, eu falei, também está passando lá, dependendo do horário podemos ir ver sim. Você prefere?
- Eu prefiro!
Chegando na bilheteria constatei que o Bom Dinossauro começava dali a meia hora e comprei os ingressos. Chamei o Humberto q
ue estava olhando os cartazes dos outros filmes e falei:
- Olha que bom, vamos ver o filme do dinossauro hoje e da próxima vez assistimos ao do Snoopy, tá bom assim?
- Tá!
Uns cinco segundos depois ele completou:
- Tio, quando a gente vier ver o Snoopy da próxima vez será que a gente pode ver o do Panda em vez dele?


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Ahn?


domingo, 3 de janeiro de 2016

Balanço literário 2015

Talvez não seja do seu interesse, mas eis a lista dos livros que li em 2015. Consegui ler mais do que no ano passado, porém menos do que gostaria.

Segui minha releitura de Machado e enfrentei como um guerreiro as Crônicas Saxônicas, ótimas por sinal. Uns são excelentes, outros nem tanto. Não tenho saco muita paciência para comentar um por um, mas se tiver interesse é só deixar um comentário lá embaixo...


1As crônicas de gelo e fogo - volume 2George R.R. Martin
2Edu Lobo - São bonitas as cançõesEric Nepomuceno
3As crônicas de gelo e fogo - volume 3George R.R. Martin
4A vila que descobriu o BrasilRicardo Viveiros
5A história do xadrezEdward Lasker
6O piloto de HitlerC. G. Stevens
7Perdido em MarteAndy Weir
81924 - São Paulo em chamasJoão Paulo Martins
9The bluffer's guide to footballMark Mason
10HelenaMachado de Assis
11As crônicas de gelo e fogo - volume 4George R.R. Martin
12WonderR.D.Palacio
13O buraco da BeatrizCarlos Cardoso
14Quatro estaçõesStephen King
15WaldenH.D.Thoreau
16A ListaFrederick Forsith
17Miséria e grandeza do amor de BeneditaJoão Ubaldo Ribeiro
18Vou te contar 20 histórias ao som de Tom Jobimvários autores
19Invasão à BahiaAydano Roriz
20O irmão alemãoChico Buarque
21Os intemporaisRobert Silverberg
22A jornada dos vassalosAydano Roriz
23Sapiens - Uma breve história da humanidadeYuval Noah Harari
24Da Rússia com amorIan Fleming
25Sobre a escritaStephen King
26Viva e deixe morrerIan Fleming
27As crônicas de gelo e fogo - volume 5George R.R. Martin
28A capital da vertigemRoberto Pompeu de Toledo
29How to draw cartoonsBrian Platt
30Diamantes são eternosIan Fleming
31Iaiá GarciaMachado de Assis
32Uma breve história do tempoStephen Hawking
33Guia Millor da história do BrasilMillor Fernandes
34Ele está de voltaTimur Vermes
35Somos o BrasilNelson Rodrigues
36Nova LusitâniaAydano Roriz
37Untouchable ChicagoDon Fielding
38Chicago now and thenKathleen Maguire
39Memorial do conventoJosé Saramago
40História da Cidade de São Paulo através das suas ruasAntônio Rodrigues Porto
41O que pensa o homemGabriel Gaspar
42Memórias póstumas de Brás CubasMachado de Assis
43Alexandre VI - Bórgia, o Papa sinistroVolker Reinhardt
44GoldfingerIan Fleming
45O príncipeNicolau Maquiavel
46SubliminarLeonard Miodinov
47Guia politicamente incorreto do futebolJones Rossi e Leonardo Mendes Jr.
48Lucrécia BórgiaVictor Hugo
49Neil de Grasse TysonOrigens
50Casa VelhaMachado de Assis
51Pense como um FreakSteven Levitt e Stephen Dubner
52FundaçãoIsaac Asimov
53Fundação e ImpérioIsaac Asimov
54Segunda FundaçãoIsaac Asimov
554 de JulhoJames Paterson
56A grande história dos Mundiais 1974, 1978 e 1982Max Gehringer
57Ainda estou aquiMarcelo Rubens Paiva
58Crônicas Saxônicas: O último reinoBernard Cornwell
59Crônicas Saxônicas: O cavaleiro da morteBernard Cornwell
60Crônicas Saxônicas: Os senhores do norteBernard Cornwell
61Crônicas Saxônicas: A canção da espadaBernard Cornwell
62Crônicas Saxônicas: Terra em chamasBernard Cornwell
63Crônicas Saxônicas: Morte dos reisBernard Cornwell
64Crônicas Saxônicas: O guerreiro pagãoBernard Cornwell
65Quincas BorbaMachado de Assis
66Crônicas Saxônicas: O trono vazioBernard Cornwell
67Dom CasmurroMachado de Assis

 Curiosidade, dos 67 livros acima, 56 foram lidos no formato digital.
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