sábado, 10 de outubro de 2015

Ficção científica

Por definição, um livro de ficção científica trata de assuntos ocorridos no futuro (!?!) Quanto mais distante o futuro, menor a probabilidade de verificar se o autor acertou ou não nas  suas “previsões” sobre como será a vida de nossos descendentes quando (ou se) lá chegarmos.

Para obras cuja data em que se passa a história é mais próxima de quando foi escrita, como por exemplo 1984, de George Orwell, e 2001 - Uma odisséia no espaço, de Arthur Clarke, a comprovação é mais fácil, portanto é muito mais arriscado para a reputação do autor. Ainda que parte dos elementos estivesse presente em algumas sociedades em 1984, a Terra como um todo está muito longe do clima sombrio proposto por Orwell em 1948. E, bem, uma viagem ao espaço como Clarke escreveu, ainda vai demorar bastante. Mesmo assim, são obras notáveis.

Isaac Asimov - 1

Porém, mesmo em livros cujo enredo se passa daqui a 15.000 anos, como a trilogia Fundação, do mestre Isaac Asimov, já se pode perceber alguns “furos” notáveis, principalmente quando o autor se propõe a explicar o dia a dia dos personagens. Sempre gostei do gênero ficção, li Fundação pela primeira vez na minha adolescência, ou seja, lá pela década de 70. Aproveitando o preço camarada, resolvi baixar e reler no meu Kindle (instrumento esse que não aparece sugerido nem de leve no livro).

Dá pra imaginar que daqui a 15.000 anos ainda haverá jornais impressos, enciclopédias idem, microfilmes, cartas etc.? Asimov achava que sim. A energia atômica ainda seria o máximo e ainda se usaria óleo e carvão. A Natureza ainda seria algo a ser vencido (planetas inteiramente coberto por cidades, sem uma árvore sequer, é tratado como o “máximo” do progresso.) O câncer ainda estaria esperando por uma cura e um homem de 60 anos é tratado como ancião, com direito a reumatismo e tudo. Cálculos complexos são feitos a mão! Isso sem falar que não há uma única mulher em cargos de poder, só lhes restam papéis secundários no livro. Enfim, não é muito diferente do que se via na época em que foi escrito, entre o final da década de 40 e o início da de 50.

A conclusão a que chego é que uma história de ficção científica, para impressionar os leitores do presente, deve tratar problemas de atuais. Ou seja, é um retrato photoshopado do presente para pior ou para melhor

Nenhum autor, ao que eu saiba, jamais conseguiu prever a internet. Não me refiro aos facebooks, instagrams e tweets da vida, isso são bobagens, mas à simples possibilidade de qualquer um estar conectado a tudo em qualquer lugar do mundo e com informações na palma da mão. Apesar da estrutura da internet ter sido gestada na década de 60, nem mesmo na cabeça de seus desenvolvedores passou o menor vislumbre aonde chegaria. Imagina daqui a 15.000 anos como estará!

Ainda restam muitas previsões a serem verificadas, como viagens interplanetárias através do hiperespaço, teletransporte, viagens no tempo e outras. Por isso ficção é tão legal!

As histórias de ficção científica que estão sendo escritas nos dias de hoje certamente devem estar falando sobre uma internet melhorada, terrorismo, homossexualismo, consequências do aquecimento global, manipulação genética e fontes alternativas de energia como a solar, a das marés e a eólica, quem sabe até sobre como estocar ventos, como sugeriu a nossa visionária presidenta.

3 comentários:

Emmanuella Conte disse...

Acho sensacional ler livros antigos de ficção científica sobre o futuro que é, agora, o nosso presente (ou mesmo lá pra frente). Em um deles, que li recentemente, o protagonista descartava a sugestão de uma investigação com câmera escondida porque "demoraria muito até que revelássemos o filme" (!!!). Em um outro, que li agora, o protagonista queria o endereço do renomado cientista para mandar-lhe um telegrama. Entretanto, nesses mesmos livros, os autores previram coisas muito semelhantes com o que temos e fazemos agora, e outras coisas maravilhosas que espero que venhamos a ter. É a beleza e a graça do gênero, por mais falho que seja, especialmente em questões sociais (talvez essas sejam mais complicadas de prever, por serem tão mudanças tão aleatórias e por terem fincado raízes tão profundas).

E, ah, sobre a internet, foi prevista na ficção científica, sim! E, por mais incrível que pareça, por Mark Twain, que nem autor de ficção científica. Ele se aventurou no gênero com alguns contos e, em 1898, ele criou pra uma dessas histórias uma coisa chamada "telelectroscópio", que usava uma rede telefônica pra comunicação global através de vídeos no "futuro" 1904. E, além disso, a história contava sobre as pessoas usando isso pra ver o que as outras faziam e pensavam e participar. Redes sociais! Isso porque os telefones ainda eram coisas relativamente novas e raras. Eu não cheguei a ler essa história e quem leu disse que é bem ruinzinha, mas tá aí a previsão, hahah!

Edison Junior disse...

Não sabia disso, Manu. Vou procurar!

Edison Junior disse...

Achei: http://www.gutenberg.org/ebooks/3251?msg=welcome_stranger#link2H_4_0009

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