domingo, 6 de setembro de 2015

Maquiavélicas

Maquiavel

Maquiavel escreveu O Príncipe, obra pela qual é mais conhecido, numa época políticamente conturbada da Itália, dividida que estava entre diversos estados e sem um poder central. Foi o tempo do Papa Alexandre VI, o Papa Borgia, que pintou e bordou, tanto ele quanto seus filhos (!?!)

Visto como uma espécie de manual pragmático de como deve um Príncipe governar, não se sabe muito bem qual foi o objetivo real de Maquiavel tê-lo havido escrito, mas seu nome adjetivado virou sinônimo de artimanha política. Se fosse nos dias de hoje, seu texto seria visto como políticamente incorreto, mas muitas de suas recomendações são seguidas até hoje por quem se mete em política. Senão, vejamos:

“Homens, com satisfação, mudam de senhor pensando melhorar e esta crença faz com que lancem mão de armas contra o senhor atual, no que se enganam porque, pela própria experiência, percebem mais tarde ter piorado a situação.”

“Um príncipe hábil deve pensar na maneira pela qual possa fazer com que os seus cidadãos sempre e em qualquer circunstância tenham necessidade do Estado e dele mesmo, e estes, então, sempre lhe serão fiéis.”

“[Um príncipe] deve, sobretudo, abster-se dos bens alheios, posto que os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio.”

“Um príncipe sábio, amando os homens como a eles agrada e sendo por eles temido como deseja, deve apoiar-se naquilo que é seu e não no que é dos outros; deve apenas empenhar-se em fugir ao ódio.”

“Um senhor prudente não pode nem deve guardar sua palavra quando isso seja prejudicial aos seus interesses e quando desapareceram as causas que o levaram a empenhá-la.”

“Procure, pois, um príncipe, vencer e manter o Estado: os meios serão sempre julgados honrosos e por todos louvados, porque o vulgo sempre se deixa levar pelas aparências e pelos resultados” – com o tempo essa frase foi simplificada e distorcida para “os fins justificam os meios”, coisa que Maquiavel realmente nunca escreveu.

“Um príncipe deve dar pouca importância às conspirações se o povo lhe é benévolo; mas quando este lhe seja adverso e o tenha em ódio, deve temer tudo e a todos. (...) O pior que pode um príncipe esperar do povo hostil é ser por ele abandonado.”

“Deve, pois, alguém que se torne príncipe mediante o favor do povo, conservá-lo amigo, o que se lhe torna fácil, uma vez que não pede ele senão não ser oprimido. Mas quem se torne príncipe pelo favor dos grandes, contra o povo, deve antes de mais nada procurar ganhar este para si, o que se lhe torna fácil quando assume a proteção do mesmo.”

“(...) portanto um príncipe deve gastar pouco para não precisar roubar seus súditos.”

“Quando vires o ministro pensar mais em si do que em ti, e que em todas as ações procura o seu interesse próprio, podes concluir que este jamais será um bom ministro e nele nunca poderás confiar; aquele que tem o Estado de outrem em suas mãos não deve pensar nunca em si, mas sim e sempre no príncipe, não lhe recordando nunca coisa que não seja da sua competência. Por outro lado, o príncipe, para conservá-lo bom ministro, deve pensar nele, honrando-o, fazendo-o rico, obrigando-se-lhe, fazendo-o participar das honrarias e cargos, a fim de que veja que não pode ficar sem sua proteção, e que as muitas honras não o façam desejar mais honras, as muitas riquezas não o façam desejar maiores riquezas e os muitos cargos o façam temer as mudanças.”

“Não há outro meio de guardar-se da adulação, a não ser fazendo com que os homens entendam que não te ofendem dizendo a verdade; mas, quando todos podem dizer-te a verdade, passam a faltar-te com a reverência.”

“Considero seja melhor ser impetuoso do que dotado de cautela, porque a fortuna é mulher e consequentemente se torna necessário, querendo dominá-la, bater-lhe e contrariá-la; e ela mais se deixa vencer por estes do que por aqueles que procedem friamente. A sorte, porém, como mulher, sempre é amiga dos jovens, porque são menos cautelosos, mais afoitos e com maior audácia a dominam.”

“Porque quem deixa as suas comodidades pelas comodidades dos outros, perde as suas e destes não recebe gratidão.”

“Os homens ofendem ou por medo ou por ódio.”

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