sexta-feira, 5 de junho de 2015

Evolução das Letras

A Teoria da Evolução das Espécies de Darwin ainda é muito mal compreendida pela maioria. Há desde pessoas que simplesmente não acreditam nela, interpretando a bíblia ao pé da letra, até aqueles que acham que a girafa tem pescoço comprido de tanto esticar para pegar frutos no alto das árvores (não, as características de uma espécie não se transmitem dessa forma).

A mudança de característica de uma espécie geralmente é um processo lentíssimo, não observável em uma única geração. Imagine quanto tempo levou para que o Homo (seja ele o sapiens, o soloensis, o neandertal ou qualquer outro mais que acabarem descobrindo) chegasse aonde chegou, e desenvolvesse a linguagem, a escrita, o computador.

Os primeiros homens, ou pelo menos aqueles que eram mais dotados de capacidade para produzir ferramentas, melhoraram sua chance na caça e no domínio do fogo, o que possibilitou a ingestão de diferentes tipos de alimentos e alguma proteção adicional contra os desígnios da Natureza. Tudo isso tornou a vida um pouco mais fácil e gerou sobra de energia para o desenvolvimento do cérebro, já então privilegado em relação às demais espécies.

A velocidade da evolução da tecnologia é crescente. Há não muito tempo, podia-se passar uma geração inteira sem que aparecesse algo de realmente novo. Pergunto-me até que ponto a melhoria tecnológica deixará de ser consequência da nossa própria evolução para tornar-se agente dela.

As novas tecnologias tornam tudo cada vez mais urgente. Elas mudam a nossa forma de ser e as nossas habilidades. Meu pai, por exemplo, utilizava régua de cálculo para fazer contas. Um amigo meu sabia dezenas de números de telefone de cor. Eu utilizava enciclopédia para pesquisar trabalhos escolares. Hoje, qualquer celular menos mequetrefe faz tudo isso por nós de forma muito mais fácil.

Graças à tecnologia, uma habilidade que venho perdendo a olhos vistos é a minha capacidade de escrever a mão. Não que eu tenha esquecido de como escrever, mas de tanto escrever usando um computador, minha caligrafia está involuindo para algo quase ilegível. As anotações que faço têm que ser passadas a limpo (no computador, é claro) enquanto me lembro mais ou menos do que escrevi.

Eis como a minha caligrafia se transformou nos últimos 30 anos:

Letras 1990

Artigo Techne 009

Artigo Techne 010

Artigo Techne 011

Artigo Techne 013

Artigo Techne 012

Claro que escolhi como ilustração o melhor e o pior de cada época, mas o pior e o melhor  correspondentes não estão muito longe dos exemplos acima.

Ainda falando dos “antigamentes”, a boa caligrafia era muito valorizada. Era legal ter uma letra bonita e em algumas profissões era quase mandatório. Existiam escolas de caligrafia – é verdade que ainda hoje existem, assim como ainda existem cursos de latim e cobol, mas não é algo que pessoas com necessidades e interesses comuns procurem.

Como no caso do pescoço da girafa, a minha letra feia não será transmitida aos meus futuros netos, mas o fato de eles começarem a utilizar o computador desde cedo e praticarem cada vez menos caligrafia, não é exatamente um indício de que as letras deles serão mais bonitas.

Nossa! Quanta besteira só pra justificar a minha letra feia! Grafologistas, é com vocês agora!

Um comentário:

Emmanuella Conte disse...

Percebi o mesmo quanto à minha, mas acho que todos nós das gerações que ainda usavam papel e caneta na escola estamos percebendo isso. Eu tinha aulas de caligrafia na escola desde o pré até antes do ensino médio. Era obrigatório; minha letra sempre foi bonitinha, mas tinha que ser perfeita. Uma professora da quinta série arrancou uma folha toda do meu caderno porque implicou com o jeito como eu escrevia "esse": os Es eram muito fechados e os Ss eram muito pontudos. Se ela visse o que virou agora, teria 5 tipos de infarto. Eu ainda escrevo muito à mão (especialmente quando ainda dava aulas), mas confesso que escrever com pincel no quadro branco destruiu a letra bonitinha que eu conseguia fazer com giz no quadro negro. Ô, troço liso! Hahahahaah!

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