quarta-feira, 9 de julho de 2014

Na boa, em 82 doeu mais. E em 50 deve ter doído muito mais.

Estatisticamente, no futebol, como de resto em qualquer esporte competitivo, a probabilidade ao longo do tempo de seu time ser campeão é muito menor do que não ser. Falando de forma mais simplista, seu time pode ganhar 80% das partidas de um campeonato (e você ficar feliz em quatro a cada cinco jogos do seu time), mas se algum outro time vencer 81%, adeus campeonato.

Estou acompanhando esse mi-mi-mi pela derrota fragorosa frente a Alemanha. Vai das piadinhas recicladas e adaptadas, a maior parte sem graça nenhuma, até o desamparo total, vergonha do país, falência do futebol brasileiro etc. Mas que exagero! Perder dói, claro que dói, principalmente quando se cria uma espectativa positiva, seja ela falsa ou não. Vi até comparações de muito mal gosto entre o massacre alemão de ontem com o holocausto.

Agora, aqui entre nós, vivi a derrota de 82 e posso afirmar que doeu muito mais. O time era muito bom, jogava um futebol bonito de se ver. Tínhamos Zico, Falcão, Sócrates. Éramos favoritíssimos por isso e não por falso ufanismo. Nosso futebol era melhor que o da Itália. Até o último minuto de jogo poderíamos ter feito um único e miseravelzinho gol e mudado a sorte da Copa. Coisas do futebol. Todos os amantes do esporte, mesmo os não brasileiros, acharam uma pena. Sério, nem dormi de noite.

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A foto acima estampou uma antológica capa do Jornal da Tarde
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o dia seguinte ao jogo de 1982 com a Itália

A Copa de 50 não vi, mas pelo que se lê e se ouve a respeito, deve ter sido ainda pior. Porque também estávamos jogando muita bola. Porque o resultado nos era favorável até o final do jogo. Porque a Copa foi disputada aqui. E, principalmente, porque ainda não havíamos sido campeões nenhuma vez.

A derrota de ontem também foi dura. Foi em casa. Mas, futebolisticamente falando, a Alemanha está jogando de forma muito mais consistente que o Brasil. Uma derrota é um resultado normal, o anormal foi o placar de basquete. Como eu falei no post anterior, depois do terceiro gol, não senti mais dor nenhuma. Fiquei anestesiado. Mal comparando, se o Brasil houvesse ganho da Alemanha ontem, para a história do futebol teria sido como foi a vitória italiana sobre nós em 82.

Mas, sempre é bom lembrar, não é o fim do mundo, É SÓ FUTEBOL! Então, bola pra frente! Ainda estamos entre os quatro melhores do mundo, mas precisamos mudar muita coisa na estrutura desse esporte no Brasil se quisermos reconquistar o topo do pódio. Não nos esqueçamos que nas duas últimas copas, todos os finalistas eram europeus (com grande chance de repetir a dobradinha este ano).

Isso não é por acaso e nem só pela grana. Os campeonatos deles são muito melhores e mais organizados que os nossos. A estrutura em geral é muito melhor. É nisso que temos que focar. O problema é que não traz resultados imediatos. A própria Alemanha, por exemplo, começou esse trabalho em 2006 2002 (*), justamente após perder a final da Copa para o Brasil.

A propósito, fico muito mais chateado quando o meu time perde do que quando a seleção perde.

(*) correção de data, o que torna ainda mais significativa a preparação alemã.

2 comentários:

Anônimo disse...

Concordo com as suas considerações; mas fomos hexas em 2006?

Ademir

Edison Junior disse...

Oops! Corrigido! Valeu, amigo!

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