terça-feira, 8 de julho de 2014

Minhas considerações antes que a Copa acabe

A Copa da Corrupção
A Copa das Copas
A Copa das Surpresas

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Durante os últimos quatro anos, a maior parte do que se falou sobre a Copa referiu-se aos gastos com obras e a corrupção, inevitavelmente atrelada, que consumiu enormes quantias do nosso rico dinheirinho para construção dos palcos para a festa. As chamadas “obras de mobilidade urbana” foram prometidas e algumas até foram cumpridas, como se elas não fossem necessárias mesmo que não houvesse Copa, como se não fossem uma tarefa normal de um governo – em qualquer nível. Segundo a própria Presidenta, a Fifa pediu “apenas” 8 estádios para realização do evento, mas a pressão dos Estados fez com que fossem contruídos 12, quatro a mais!

Apesar de tudo, finalmente começou o espetáculo. Segundo a imprensa nacional e estrangeira, esta é a melhor Copa de todos os tempos, a Copa das Copas! É bem possível mesmo, tá bonita a festa! Pessoas que torciam contra a sua realização, agora torcem a favor do Brasil. Só me pergunto se a festa não teria sido igualmente bonita apenas com os 8 estádios exigidos pela D. Fifa, provavelmente não teria feito diferença nenhuma, a não ser na contagem de votos em Outubro.

Tecnicamente, porém, a Copa das Copas deixa muito a desejar. Não tem nenhuma seleção jogando o fino da bola. Alguns jogadores até se destacaram, como o Neymar, que carregou o Brasil nas costas até o jogo contra o Chile, quando foi caçado em campo e desde então nada de muito útil produziu, até que foi definitivamente retirado da Copa no jogo contra a Colômbia. Incluo nessa lista o argentino Messi, que pega uma ou duas bolas por jogo e liquida a fatura, o holandês Robben, um cavalo que corre o jogo todo com muita técnica, e o alemão Müller, que joga no estilo dos anos 70, com os meiões arriados.

A primeira rodada até prometia, com a Alemanha e a Holanda dando um banho em rivais de grande porte, como Portugal e Espanha, respectivamente. Prometia muito. Mas o que se viu depois foram as dificuldades das grandes seleções para vencer adversários menos tradicionais. Com o preparo físico tendo peso cada vez mais relevante perante a técnica, times que se fecham na defesa e partem para o contra-ataque em busca de oportunidades isoladas acabaram se dando bem. Seus goleiros apareceram bastante, por sinal. Apesar disso, emoção não faltou.

Nas semi-finais, para usar uma antiga expressão do meu pai, finalmente separaram-se os homens dos meninos! Brasil, Alemanha, Argentina e Holanda protagonizarão um espetáculo de encher os olhos, espero. Qualquer que seja o resultado final, acho que o título estará em boas mãos. Mesmo não tendo um time que inspire muita confiança e sem nossa principal peça, creio que o Brasil ainda tem chances de levar o caneco.

E no jogo de hoje, Brasil x Alemanha, reside a maior surpresa dessa Copa para mim. Segundo o comentarista Juca Kfouri disse com muita propriedade, será o jogo do Futebol Força contra o Futebol Arte. A surpresa é que nessa Copa, o Futebol Força está mais representado pelo Brasil e o Futebol Arte está mais do lado Europeu (incluída aí a Holanda).

Bom jogo! E que vença o melhor!

P.S. após o 7 a 1. O melhor venceu e me contradisse. A Alemanha jogou o fino da bola e nos derrotou implacavelmente. Definitivamente, temos que repensar o futebol no Brasil, desde as categorias de base nos clubes até a organização de nossos campeonatos. Essa seria uma grande oportunidade, mas provavelmente será perdida, pois jogaremos a culpa da hecatombe nas costas de alguém ou mesmo do acaso.

P.S. do P.S. A derrota em 1982 doeu muito, mas muito mais. Além de nosso time à época ser muito melhor e dar gosto de assitir, ontem, depois do terceiro gol, me senti anestesiado, não senti mais nada.

Um comentário:

Marília disse...

Anestesiada. É isto.

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