domingo, 26 de janeiro de 2014

Anestesia

Agora explico o porquê do filme Awake – A vida por um fio (vide post anterior) ter me causado tanta impressão.

Felizmente, eu nunca precisei ser submetido a uma cirurgia de médio ou grande porte, porém, já tomei anestesias para pequenos procedimentos como, por exemplo, tratamentos de canal e endoscopias (aliás, tenho várias no meu currículo). Noto que algumas vezes (nem sempre) a anestesia tem que ser reforçada porque, por alguma razão, não pega direito em mim. Isso aconteceu mais uma vez na semana passada, quando fiz minha última endoscopia. É provável que quando eu assisti o filme eu tenha projetado mentalmente minha própria incompatibilidade com anestesias e me vi na mesa de cirurgia – claro, isso é psicologia básica de botequim.

Esse tipo de anestesia que se dá para o exame de endoscopia normalmente não derruba totalmente, pois temos que responder a estímulos durante o exame, como virar de lado, engolir e por aí vai, ou seja, algum nível de percepção do que está ocorrendo nós temos na hora. Nas primeiras endoscopias que eu fiz, e lá se vão muitos anos, elas eram feitas sem anestesia mesmo, um processo bastante incômodo.

Posso estar errado, mas mesmo anestesiados e semi-conscientes continuamos a sentir o tal desconforto, pois da mesma forma ouvimos e reagimos às orientações do médico, apenas não nos lembramos disso depois. Daí me pergunto: se não nos lembramos de alguma coisa depois que ela ocorre, por mais horrível que tenha sido, é como se ela não houvesse ocorrido?

Voltando ao meu exame, não me lembro de nada do que ocorreu na hora e muito pouco da hora seguinte, mas sei que me recomendaram da próxima vez fazer o exame num hospital, pois lá eles teriam anestesias mais fortes. Um claro sinal de que devo ter dado trabalho, portanto, senti muito incômodo na hora. Mas, para todos os efeitos, é como se não houvesse ocorrido.

É tudo tão estranho…

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