sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Dick Farney

Se há um artista no Brasil que merecia ser mais reconhecido, esse artista é o carioca Farnésio Dutra (1921 – 1987), tido como o primeiro jazzista brasileiro. Claro que com um nome desses jamais poderia tocar jazz (ou qualquer outro tipo de música, convenhamos), daí ter optado por algo mais sonoro, Dick Farney. Era o tempo dos cassinos no Brasil, onde suas apresentações ao vivo viriam a preencher o vazio existente para os apreciadores da música americana.

Coincidindo com a proibição dos cassinos no Brasil, em 1946, Dick Farney foi para os EUA com um contrato para 52 semanas para participação em um programa de rádio na NBC. E não é que deu certo? Logo ganhou dois horários exclusivamente seus na rádio e ainda gravou novidades como Tenderly. Enquanto isso, no Brasil, a gravadora Continental ia lançando a contagotas algumas músicas que ele havia gravado antes de viajar, como Copacabana e Marina.

Apesar de todo seu sucesso por lá, retornou ao Brasil em 1948 sem dar maiores explicações, ou, pelo menos, ninguém levou muito a sério quando ele disse que “não me adaptei à comida” ou “estava com saudades da minha mãe”.

Pianista de primeira qualidade, possuia um toque sutil e foi um grande improvisador. Era também um cantor romântico e sua voz era a sua assinatura. Cantava suave, como se sussurrasse no ouvido da namorada, o que era radicalmente diferente da forma como os demais cantores românticos de então o faziam. Fez parte, sem dúvida, do embrião da Bossa Nova que surgiria alguns anos depois e da qual seria um dos seus grandes intérpretes.

Nas décadas de 60 e 70 excursionou por diversos países e comandou alguns programas de televisão no Brasil, além de ser proprietário de duas boates em São Paulo. Nos seus últimos anos de vida passou a dedicar-se também à pintura.

Dick Farney. Esse nome não pode ser esquecido.

 
 

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