sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tom Jobim

“No Brasil, sucesso é ofensa pessoal.” Assim Tom Jobim respondia aos muitos que lhe criticavam por trocar o Brasil pelos EUA durante a década de 60, sendo reconhecido mundialmente pelo seu trabalho.

O maestro, poeta, compositor e músico de vários instrumentos Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nasceu a 25 de janeiro de 1927, no Rio de Janeiro. Em 1941 iniciou seus estudos de piano com Hans Joachim Koellreuter. Cinco anos depois tentou a faculdade de arquitetura, mas a abandonou no primeiro ano para se dedicar à música. Tocou em barzinhos e boates até ser contratado como arranjador pela Continental em 1952. Nessa época já compunha um pouco, mas seu primeiro sucesso veio nas vozes de Lúcio Alves e Dick Farney, com a famosa Tereza da Praia.

Em 1956 iniciou sua parceria com Vinícius de Moraes ao musicar a peça Orfeu da Conceição. É dessa época a música Se Todos Fossem Iguais a Você, aqui na voz de Milton Nascimento.

“Rua Nascimento Silva, 107, e você ensinando pra Elizeth as canções de Canção do Amor Demais” Esses versos de Vinícius fazem referência ao álbum gravado em 1958 por Elizeth Cardozo, com músicas da dupla. De notável nesse disco, que é considerado um dos embriões da Bossa Nova, foi a participação do baiano João Gilberto, registrando sua batida diferente no violão pela primeira vez. Chega de Saudade fazia parte desse disco, mas estourou mesmo com a gravação de João Gilberto em seu primeiro disco, lançado no início de 1959.

Em 1962 compõe com Vinícius uma das músicas mais executadas do planeta até hoje, Garota de Ipanema. A primeira audição pública dessa música foi no Au Bon Gourmet, no Rio, num show em que participavam Tom, Vinícius, João Gilberto e os Cariocas. Deve ter sido de arrepiar.

Em 1967 Tom gravou nos EUA um show com Frank Sinatra a convite deste. O repertório do show gerou um álbum do americano quase que exclusivamente com músicas de Tom. Foi a primeira vez que Sinatra dedicou um álbum a um único compositor.

Em 1972, compõe outra de suas obras primas, Águas de Março. Aqui com a inesquecível Elis.

Nesse meio tempo, começou a compor com outros parceiros, como Chico Buarque, uma parceria que nos legou coisas maravilhosas como Retrato em Branco e Preto e Anos Dourados.

Com Miúcha, gravou dois álbuns no final dos anos 70, com a participação também do Chico.

Nos anos 80, compôs as trilhas sonoras de vários filmes importantes como Eu Te Amo, O Tempo e o Vento, Para Viver Um Grande Amor e Gabriela.

Em 1984 formou a Nova Banda, com Paulo Jobim (violão), Danilo Caymmi (flauta e voz), Jacques Morelenbaum (violoncelo), Tião Neto (baixo), Paulo Braga (bateria), e côro formado por: Ana Jobim, Elizabeth Jobim, Paula Morelenbaum, Maúcha Adnet, e Simone Caymmi. Esse grupo apresentou-se no Carnegie Hall, no Festival de Montreux, no Japão, Portugal, Espanha, EUA… Essa é a formação que vemos no vídeo acima.

Em 1994 fez sua última gravação, numa participação do álbum Duets, de Frank Sinatra, cantando a música Fly Me To The Moon. Morreu poucos meses depois.

Hoje, dia 20 de janeiro de 2012, será lançado o filme A Música Segundo Tom Jobim. É um dever cívico assisti-lo. Tom Jobim continua a ser mais admirado no exterior do que em sua própria casa. Como ele mesmo dizia, “o Brasil não é para principiantes.”

2 comentários:

Anônimo disse...

A figura e a obra musical do Tom são fantásticas.

Mais uma vez a Arquitetura esta presente...

Ademir

mara* disse...

Quando se pensa em qualidade e sofisticação musical, Tom Jobim é quase unanimidade.

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