sábado, 14 de janeiro de 2012

Quanto a pirataria realmente prejudica a economia?

Pirateei o texto abaixo do Freakonomics (clique aqui para ver o original, caso não aprecie a minha tradução livre). O objetivo do texto, tanto no original quanto aqui no Sítio, não é estimular a pirataria nem dizer que a considero algo correto, mas dar uma nova perspectiva à discussão.


Os defensores mais ferrenhos da propriedade intelectual - tais como aqueles por trás da nova lei Stop Online Piracy (SOPA) e Protect IP Act (PIPA) - argumentam que a pirataria on-line é um grande problema que custa à economia dos EUA entre US $ 200 e $ 250 bilhões por ano, e é responsável pela perda de 750.000 empregos americanos.

Estes números parecem realmente trágicos. Uma perda de US $ 250 bilhões por ano representa quase 800 dólares para cada homem, mulher e criança nos Estados Unidos. E 750.000 postos de trabalho é duas vezes o número de pessoas empregadas em toda a indústria cinematográfica em 2010.

A boa notícia é que os números estão errados - como explica Juliano Sanches, do Instituto Cato. Em 2010, o Government Accountability Office divulgou um relatório indicando que estes números "não podem ser fundamentados ou rastreados até uma fonte de dados básica ou metodologia", que é a forma educada do governo falar que "estes números foram compostos a partir do nada."

Mais recentemente, uma estimativa mais modesta - $ 58 bilhões - foi feita pelo Institute for Policy Innovation (IPI). Mas essa estimativa do IPI, já que ambos Sanchez e jornalista de tecnologia Tim Lee apontaram, está repleto de problemas metodológicos, incluindo dupla e tripla contagem, que incham consideravelmente a estimativa de perdas com a pirataria.

Então, qual é o número real? Nós simplesmente não sabemos. E isso nos leva a uma segunda discusão: o problema não são os dados que deram origem às estimativas, mas seus reais efeitos econômicos. Há certamente muitas pessoas que fazem downloads de músicas e filmes sem pagar. É claro que, pelo menos em alguns casos, há a substituição de um produto legítimo por um pirata - por exemplo, uma pessoa que teria comprado um DVD de filme ao invés de baixá-lo de graça. Por outro lado há pessoas que baixam um filme ou música, mas jamais o teriam comprado de forma legal. Isto é especialmente verdadeiro se o consumidor vive em um país relativamente pobre, como a China (e Brasil), e é incapaz de pagar por filmes e música.

Devemos contar esta última categoria de downloads como "vendas perdidas"? Não, se formos honestos.

E há outra questão: mesmo nos casos em que a pirataria na Internet resulta em uma venda perdida, como é que essa venda perdida pode afetar o mercado de trabalho? Enquanto empregos podem ser perdidos na indústria do cinema ou música, eles podem estar sendo criados em outro. O dinheiro que um pirata não gastar com filmes e músicas é quase certo que será gasto em outro lugar. Digamos que seja gasto em skates - o mesmo dólar perdido pela Sony Pictures pode foi ganho pela Alien Workshop, uma empresa que fabrica skates.

Como Mark Twain escreveu uma vez, há três tipos de mentiras: mentiras, malditas mentiras e estatísticas. As estatísticas podem ser particularmente complicadas quando elas são usadas para avaliar os efeitos da pirataria na internet. Ao contrário de roubar um carro, copiar uma música não causa necessariamente uma perda tangível para alguém. Estimar a perda exige pressupostos sobre o que o mundo teria sido se a pirataria nunca tivesse acontecido - e, claro, os mais afetados tendem a assumir sempre o pior cenário.


E você, o que acha disso?

Um comentário:

mara* disse...

A culpa da queda nas vendas de discos no mundo não é da pirataria, mas da falta de talentos na música atual. Mas, uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade, é o que já dizia Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler.

As gravadoras historicamente sempre se focaram em reduzir o pagamento dos artistas, isso quando não os roubavam pura e simplesmente. Parece que os administradores do Megaupload tentaram bater de frente com toda a indústria do entretenimento com uma proposta inovadora e vantajosa, a criação do Megabox, uma loja de música que repassaria os lucros para os artistas e romperia definitivamente os laços que ligavam esses artistas com a indústria do entretenimento. Como Icarus, voaram muito perto do Sol. Agora estão na cadeia. A morte do Megaupload tinha menos a ver com pirataria do que se pensava. Uma teoria interessante já que o serviço de hospedagem RapidShare está ausente na investigação antipirataria do FBI, ao menos é o que eles dizem.

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