quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Back up

Sempre que passo pela região do Museu do Ipiranga (ou Museu Paulista, como queiram), lembro-me de meu amigo George Fischer. Na verdade, ele era amigo do meu pai, mas devido à nossa afinidade pelo mundo dos computadores, tornamo-nos amigos também. Francês, emigrado após a guerra para o Brasil, tinha ainda um forte sotaque. E fazia as coisas mais doidas que se pode imaginar.

Quando, por exemplo, numa determinada rotatória, ele aconselhava:

- Aqui você acelerra e entrra a 100 porr horra!

Parecia brincadeira, mas ele realmente seguia o seu próprio conselho.

Numa época de computadores pessoais pré-históricos e sem internet (!), divertíamos-nos muito descobrindo lojas em que pudéssemos comprar acessórios para nossos Unitrons (descendente do Apple II – veja que antigo isso). Um dia, fomos a uma loja semi-clandestina que ficava numa casinha na Rua Bom Pastor. Era uma dessas casas operárias antigas, com a fachada no alinhamento da calçada e a porta um pouco recuada.

Tocamos a campainha uma, duas, três vezes, e nada. Irritado, o Sr. Fischer abriu a caixa de entrada de força e desligou a chave. Ligou-a novamente logo em seguida, fechou a portinha e fez cara de pau.

A porta da “loja” se abriu em segundos e um cara desesperado peguntou:

- Você viram alguém mexendo na caixa? A luz piscou e perdemos um trabalho que estávamos fazendo faz um tempão!

Ainda perturbado, ele abriu a porta para passarmos enquanto o Sr. Fischer perguntava admirado:

- Puxa, vocês não fazem back up?

2 comentários:

mara* disse...

Sempre trabalhei com informática, desde 1970, quando as CPUs eram do tamanho de uma sala e os dados eram perfurados em cartões e armazenados em rolos de fitas do tamanho de uma roda de automóvel. As perfuradoras da IBM eram as 029 e as conferidoras 059. E evoluimos para os disketes, e evoluimos... Quando comento sobre isso, os leigos me olham como se eu fosse alguma louca...Computadores em 1970? Muito, mas muito antes disso.

O avanço dos computadores foi feito pelo americano Herman Hollerith, que inventou uma máquina capaz de processar dados baseada na separação de cartões perfurados. A máquina de Hollerith foi utilizada para auxiliar no censo de 1890, reduzindo o tempo de processamento de dados de sete anos, do censo anterior, para apenas dois anos e meio. Ela foi também pioneira ao utilizar a eletricidade na separação, contagem e tabulação dos cartões. A empresa fundada por Hollerith é hoje conhecida como International Business Machines, ou IBM.

Edison Junior disse...

Legal, Mara, também tive a minha fase de cartões perfurados. Em Fortran IV! Ahahaha!

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