domingo, 14 de agosto de 2011

Tal pai, tal filho(a)

É sempre notável quando um músico famoso vê seu talento passado de alguma forma, por transferência genética ou mero convívio, a um ou mais de seus filhos. E como hoje é Dia dos Pais, dedico esse post aos pais que compartilharam seu talento musical com seus filhos, filhas e até netos.

Nem sempre o talento é igual. Muitas vezes o instrumento que tocam nem é o mesmo. Em comum, os filhos têm entre si logo de saída a facilidade de contar com a experiência familiar no meio e o sobrenome famoso. E vem daí, talvez, seu grande obstáculo, enorme no início de sua carreira mas que sempre o acompanhará: provar que é tão bom quanto seu pai (ou mãe, claro) e que está ali por seu talento próprio. Tem que ter muita personalidade pra enfrentar essa barra.

Começo por Maria Rita, que todo mundo logo de cara associa à grande Elis Regina, mas nem sempre se lembra de seu pai, Cesar Camargo Mariano, um músico excepcional, que também é pai de Pedro Mariano.


Aliás, a MPB está cheia de exemplos. Dorival Caymmi gerou Dori, Danilo e Nana Caymmi. Tom Jobim teve Paulo e Daniel. Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, nos deixou Gonzaguinha, que nos deixou tão cedo. Bebel é filha de João Gilberto. Peri Ribeiro é filho do compositor Erivelto Martins. E não nos esqueçamos de Xororó, pai da Sandy & Junior (sim, por que não?)


Mas esse nepotismo musical não é novo e nem uma exclusividade brasileira. O compositor clássico Johann Sebastian Bach teve vinte filhos, quatro dos quais também foram compositores, Wilhelm Friedemann, Carl Philipp Emanuel, Johann Christoph Friedrich e Johann Christian, sendo Carl Philipp o que atingiu maior reconhecimento. Também, com vinte filhos, um tinha que vingar, né? Assim, até eu.


No jazz temos o pianista Ellis Marsalis, que é pai do trompetista Winton, do saxofonista Brandford, do trombonista Delfeayo e do baterista Jason. Com vocês, a família Marsallis.


Tem também Bucky Pizzarelli, pai de John, ambos guitarristas.

São incontáveis os exemplos, esses são apenas alguns que me ocorreram de imediato (bom, confesso que consultei a grafia de alguns nomes no Google, principalmente os dos filhos de Bach, mas acho que me compreendem…)

Deixei para o final dois pais que, a cada vez que os ouço, sempre me lembram muito meu próprio pai, que se foi há três anos.

Nat ‘King’ Cole, com sua filha Natalie, numa gravação póstuma.


E Frank Sinatra, cantando com sua filha Nancy. O cantor Frank Jr. não aparece nesse vídeo.


Saudades, pai!

Feliz Dia dos Pais a todos!

2 comentários:

mara* disse...

Tal pai, tal filho (a)? Às vezes não. Alguns pais deixaram uma rica linhagem musical, outros nem tanto. Criados em estúdios de gravação, os filhos têm privilégios, riquezas e conexões à sua disposição, e desde cedo, viram seus pais banhados por holofotes e adulações e sentem-se compelidos a se aventurar pelo mesmo caminho. E muitas vezes são condenados a vagar para sempre na sombra de seus pais. E deve ser doloroso não ser aceito pela própria identidade e ser visto como pouco mais do que uma imitação sonora.

Alguns que lembrei:
Caetano Veloso – Moreno Veloso
Ravi Shankar - Norah Jones
Johnny Cash - Rosanne Cash
Tim Buckley - Jeff Buckley
Bob Dylan - Jakob Dylan
George Harrison - Dhani Harrison
John Lennon - Sean Lennon e Julian Lennon
Bob Marley - Ziggy Marley e Damian Marley
Elvis Presley - Lisa Marie Presley

Beijo e boa semana.

Rafhael Vaz disse...

Muito bacana o post, alguns não tinha conhecimento. Aliás, aproveito para pedir uma dica. Acho que já vi em determinado post seu no musicólatras que tem apreço por ópera. Gostaria então de pedir dicas quanto à cantores do estilo.

Abração!

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