sexta-feira, 11 de março de 2011

Livre arbítrio ou determinismo?

Um comentário do amigo Raphael Vaz no post Sucesso Pessoal, me atiçou um assunto que há algum tempo venho amadurecendo para colocar aqui. É a velha discussão entre o livre arbítrio e o determinsmo.

Para resumir a ópera, os defensores do livre arbítrio argumentam que sempre podemos escolher sobre as decisões que iremos tomar, sobre que caminho escolher. Já os deterministas alegam que nossa escolha não é realmente livre, pois somos “programados” desde pequenos para tomar as decisões a que nos condicionaram. Ambos os argumentos dão pano para manga.

Nesse tipo de discussão eu sempre costumo tomar o caminho do meio (isso é uma espécie de deteminismo?). É evidente que nossa bagagem cultural é fruto de nossas experiências passadas e que nossas escolhas baseiam-se nelas, portanto, na maior parte das vezes, nossas reações serão bastante previsíveis. Porém, o que nossa capacidade de livre arbítrio proporciona é podermos escolher entre um caminho e outro. Livre arbítrio não é fazer algo contra o que você acredita, é ter a liberdade de fazê-lo se você assim o quiser. O que vamos fazer dessa liberdade ou as consequências de nossos atos é outro problema. Posso escolher urinar fora do vaso, mas para quê?

Tem muita gente que se apoia ferozmente no determinismo, mesmo sem saber que isso existe, como desculpa para suas cagadas seus erros. Existem basicamente três tipos de determinismo:

- Genético: seus antepassados são responsáveis pelo fato de você comer muito doce ou ser mal-humorado, pois isso está nos seus genes e não há como você mudar isso.

- Ambiental: você reage às situações que ocorrem à sua volta; se seu cônjuge não lhe dá atenção, você o trai; se seu chefe não lhe paga o que você acha que merece, você tem o direito de roubar a empresa; a ocasião faz o ladrão etc.

- Mental: a culpa é dos seus pais, claro; a forma com que você foi criado o fez tímido ou rebelde, você tem sentimentos de culpa, você tem medo das punições ou de autoridades etc.

Sob esse ponto de vista determinista, qualquer coisa que você fizer na sua vida pode ser justificada por um ou vários dos “argumentos” acima. Repito: todos eles têm grande peso em nossas vidas, mas será que em nenhum momento você podia ter escolhido um caminho diferente? Você tem certeza de que você não foi o responsável por nada do que lhe aconteceu?

A diferença prática entre o determinismo e o livre arbítrio é só o argumento: eu fiz isso porque eu quis.

Vou citar um caso pessoal. Num determinado ponto da minha vida me dei conta de que não precisava frequentar alguns lugares que eu detestava ir, mas ia por insistência dos amigos e, quando conseguia me esquivar, sempre procurava inventar uma ótima desculpa. Não era mais fácil dizer simplesmente: não vou porque não estou com vontade? Bem, nem sempre eu sigo essa norma, às vezes ainda vou a lugares que eu não gosto, mas pelo menos já consigo evitar os que detesto.

Só o amadurecimento pessoal nas dá capacidade de fazer bem as nossas escolhas, de saber se estamos agindo de uma determinada forma porque assim o queremos ou porque temos uma bela desculpa para fazê-lo. O processo de amadurecimento nunca termina. Para alguns nem começa.

Um comentário:

Rafhael Vaz disse...

Heheh, essa discussão realmente rende pano pra manga. Como já disse, acho que há o livre arbítrio disfarçado, ou seja, você escolherá dentro das possibilidades do ambiente (cultura) em que está inserido.

Ótimo post!

Abraço!

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