quarta-feira, 23 de março de 2011

Discos que ouvi até furar

Hoje, o blog Musicólatras (já conhece? não? o que está esperando?) faz um ano de existência! Para comemorar, cada um dos colaboradores preparou um post sobre sua própria formação musical. O meu foi esse abaixo – mas vá lá e confira os demais:


Antes de falar sobre os discos que ouvi até furar (os mp3sistas talvez não captem o exato significado dessa expressão), gostaria de falar sobre o prazer que foi para mim contribuir nesse 1º ano de Musicólatras. Graças ao convite do Daniel, ganhei um espaço para escrever sobre um assunto que eu gosto muito, embora eu não seja nem de longe um especialista, porém apenas um diletante. Mas, mais do que um lugar para escrever, conheci nesse espaço um monte de gente muito legal, alguns dos quais já considero verdadeiros amigos, ainda que virtuais. A propósito do nome do blog, música é um negócio que vicia. No bom sentido.

Voltando ao assunto do post, os álbuns abaixo não são necessariamente os que considero  os melhores do mundo em cada gênero. São os que, por um motivo ou por outro, mais ouvi em algum período da minha vida. Ao elaborar a lista, as únicas regras que me impus foram: não passar muito de 20 álbuns no total e não repetir o artista. A segunda regra foi até fácil de obedecer, foi só escolher o que eu gostava mais do artista, mas a primeira…

Minha primeira influência foi a MPB, graças à minha mãe, mas também graças à uma época (anos 60/70) riquíssima em termos de inovação e em que estava começando uma geração fantástica de artistas e compositores.

Começo com Chico Buarque – e começaria com ele ainda que não fosse o primeiro da lista pela ordem alfabética – esse cara é um dos maiores gênios da nossa música, tanto musical quanto poeticamente. Esse álbum, Meus Caros Amigos, é um dos mais representativos de sua carreira e, na minha opinião, da sua melhor fase.

B - Chico Buarque

Elis Regina não poderia de jeito nenhum ficar de fora, especialmente esse álbum, absolutamente magnífico, mas foi por pouco, pois balancei ao pensar em deixar de fora o Falso Brilhante.

B - Elis Regina

Adoro Bossa Nova e Jazz e esse álbum representa um verdadeiro fusion dos dois gêneros. João Gilberto e Stan Getz arrasam no repertório de Tom Jobim, que também participa ao piano.

B - Getz e Gilberto

Infelizmente esse álbum não ocupa o lugar que merece na história da MPB. Sequer ganhou uma versão em CD – por sorte tive a previdência de convertê-lo eu mesmo para o formato digital. Foi gravado ao vivo na USP, na década de 70, por Márcia, Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro, com um repertório baseado principalmente nas composições desse último.

B - Marcia, Gudin e Pinheiro

Esse disco da Marisa Monte acompanhou minha família em inúmeras viagens que fizemos. Numa época em que meus filhos preferiam ouvir Xuxa e cia., a única unanimidade entre nós era Verde Anil Amarelo Cor de Rosa e Carvão, um verdadeiro oasis sonoro.

B - Marisa Monte

Tom Jobim não tem disco ruim, então escolhi Antônio Brasileiro, seu último álbum, que traz toda a maturidade desse artista, o maior da nossa música e um dos maiores do mundo.

B - Tom Jobim

Toquinho e Vinicius gravaram esse disco na Itália, num clima de muita informalidade e com um repertório fantástico. Em O Poeta e o Violão estão Garota de Ipanema, Apelo, Chega de Saudade e outras músicas inesquecíveis. Antes de cada música eles fazem uma dedicatória a alguns de seus amigos e parceiros. Tudo com bastante descontração e, claro, num nível alcoólico que não recomendava a nenhum dos dois sair dirigindo do estúdio.

B - Toquinho e Vinicius

Assisti ao show Todas as Teclas, que deu origem a esse álbum, duas vezes. Wagner Tiso e Cesar Camargo Mariano gravaram um dos melhores álbuns de música instrumental brasileira. Também nunca entrou para o catálogo dos CDs. É pena, porque pouca gente terá acesso à gravação de Serra da Boa Esperança, de Lamartine Babo, uma das mais belas músicas brasileiras de todos os tempos, em uma belíssima interpretação. Com exceção, é claro, do nosso caro Musicólatra, que poderá ouvi-la aqui com a exclusividade que só o nosso blog pode oferecer:

Serra da Boa Esperança

B - Wagner Tiso e Cesar Camargo Mariano

Vamos passar agora aos Clássicos. Começo com Beethoven, e escolho a 9ª Sinfonia, graças principalmente ao 4º movimento, pelo qual fiquei vidrado ao assistir ao filme Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick. Cheguei até a decorar a letra cantada pelo coral: Freude, schöner Götterfunken, Tochter aus Elysium, wir betreten feuertrunken, Himmlische, dein Heiligtum!

C - Beethoven

Já escrevi sobre Carmina Burana, de Carl Orff, no Musicólatras (clique aqui). Talvez essa não seja a melhor gravação dessa música, mas é a que eu me acostumei a ouvir.

C - Carl Orff

Não sei se gosto desse disco pela música Rhapsody in blue, de Gershwin, ou pelas intérpretes, as belas irmãs Katia e Marielle Labeque. Julguem vocês.

Rhapsody in blue

C - Katia & Merielle Labeque

Um vez eu estava viajando a serviço, tomando um uisquinho a bordo e tentando achar um canal de som que combinasse com meu estado de espírito. Fui achá-lo justamente no canal de música clássica. O som de Scheherazade, de Rimsky-Korssakoff, misturou-se ao uísque e fez meu cérebro comportar-se de forma bastante bizarra. Foi uma das melhores viagens de avião que eu fiz na minha vida. Só sei que a primeira coisa que fiz ao desembarcar foi ir atrás desse álbum – por sorte achei-o no free shop mesmo.

C - Rimsky-Korssakoff

Fico só com esses quatro clássicos e passo para outro estilo. Aimee Mann não é muito divulgada no Brasil. Talvez seu trabalho mais conhecido por aqui seja a trilha sonora para o filme Magnólia, que é muito legal por sinal. Prometo que um dia eu faço um post sobre ela. Por enquanto, fiquem com a música Momentum, dela mesma.

Momentum

I - Aimee Mann

Os Beatles… Ah, os Beatles! Qual dos álbuns escolher? O branco? Let it Be? Sargent Peppers? Na dúvida, resolvi colocar essa coletânea representando os demais.

I - Beatles

Como bom Claptonmaníaco, Eric Clapton não podia ficar de fora. Essa coletânea dele, The cream of Clapton, tem lugar cativo no meu player.

I - Clapton

Gosto muito de Dire Straits também. Passei a gostar deles mais ainda quando soube que a Princesa Diana compartilhava desse meu gosto. Que bobagem, né? Escolhi o álbum Money for Nothing só porque tem Sultans of Swing.

I - Dire Straits

Precisa explicação do porquê o Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, está aí? Então vai uma: ganhei de presente do meu pai que não entendia nada de rock, mas acertou em cheio na escolha desse.

I - Pink Floyd

Também já falei sobre a dupla Simon & Garfunkel no Musicólatras (clique aqui). Essa coletânea é a minha favorita, embora a versão que eu tinha em LP contivesse uma ou outra gravação diferente (e melhor) que as do CD.

I - Simon & Garfunkel

E passamos, finalmente, ao jazz, Big Swing Face é um dos primeiros de jazz que furei na minha vitrola (ahahaha). Fiz um post sobre esse álbum de Buddy Rich no Jazz & Rock (clique aqui), que conheci graças a um colega de faculdade, cujo pai era baterista amador e conheceu Buddy Rich pessoalmente. Fiquei completamente hipnotizado com o swing.

J  -Buddy Rich

Dave Brubeck lançou a partir de 1958 dois álbuns em que ele brinca com o tempo e o andamento das músicas. Time Out foi o primeiro. Sua sonoridade supreendente fez com que eles lançassm esse segundo, meu preferido, Time Further Out, em que, como diz o título, eles vão mais além. Detalhe: graças à capa do disco, virei fã do pintor Juan Miró também.

J - Dave Brubeck

Ella Fitzgerald, sempre Ella. Essa coletânea de Cole Porter é maravilhosa. De longe o melhor dos songbooks gravados por ela. The Cole Porter Song Book foi lançado em dois volumes, ambos imperdíveis. E com um único álbum coloco na lista dois de meus artistas favoritos, Ella e Cole Porter. Ouçam It is all right with me.

It is all right with me

J - Ella Fitzgerald

Meu pai tinha um LP de Nat King Cole que eu adorava. Gostava tanto, que ele estava no topo da minha lista para comprar o CD assim que o encontrasse. Demorei muitos anos mas achei. After Midnight baseia-se principalmente no repertório do Nat King Cole Trio e é super suingado.

J - Nat King Cole

E para encerrar uma lista começada com Chico, só mesmo chamando Oscar Peterson! Também já falei sobre esse álbum no Jazz & Rock (clique aqui). The Oscar Peterson Big Six at Montreux, traz o pianista acompanhado por cinco feras em mais uma noite inesquecível do Festival de Montreux, na Suiça.

J - Oscar Peterson

Ufa! Espero não tê-los aborrecido com um post tão grande, mas vocês não têm ideia de quantos fui obrigado a deixar de fora.

Bom final de semana e parabéns a todos os musicólatras!

3 comentários:

Anônimo disse...

O álbum da Márcia, Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro também marcou muito a minha vida.
Existem alguns outros que também estariam na minha lista.

Ademir

Fernando Lessa disse...

Bicho, n~~ao é a toa que digo que você direcionou meu gosto musical. Caraca, quase todos eu tenho e também furei de ouvir.

Abreijos.

mara* disse...

'Dark Side of the Moon' é o meu. E o saxofone de 'Us and Them' irá me acompanhar no derradeiro momento, quando estarei descendo as escadarias.

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