quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

As mídias por que passei

Quando me dei por gente, lá pela década de 60, as músicas eram gravadas em LPs, ou long playings, também conhecidos atualmente por discos de vinil, bolachas e outros apelidos carinhosos. Naturalmente, os primeiros que ouvi eram os de meus pais que, felizmente, tinham bom gosto para música. Havia LPs principalmente de música clássica, crooners americanos, big bands e música brasileira – o termo MPB veio um pouco depois.

Vitrola

Os LPs eram colocados para tocar numa vitrola, onde rodavam a 33 e 1/3 rotações por minuto, e comportavam cerca de 12 músicas de 3 minutos cada. Eventualmente, os artistas lançavam compactos, discos menorzinhos com uma ou duas músicas de cada lado, o que chamamos hoje em português de singles.

Mídia compacto 2

Já existiam os gravadores de fita, é claro, mas eles não eram lá muito portáteis nem caseiros. Eram usados apenas em estúdios de gravação ou casas de geeks americanos. O primeiro gravador que tivemos, meu pai trouxe de uma viagem em 1965 aos EUA, mas era usado apenas para registrar vozes da família. O som dos LPs era muuuito melhor para música.

Mídia - Fita

A fita cassete apareceu um pouco depois. Na minha casa, por exemplo, só no início dos anos 70. Para todos os efeitos, o som era bem semelhante ao do LP, dependendo do equipamento de som. Nessa época surgiram também os proto-piratas, que copiavam os LPs em fita K-7 e os repassavam aos amigos. Muitos gravavam a programação das rádios (Difusora, Excelsior e outras), para poder ouvir as músicas da moda na hora em que quisessem (era o nosso download). Havia também os que vendiam esse material, utilizado principalmente para animar bailes de garagem.

Mídia K7 
Baseio-me apenas na memória e impressões pessoais para esse registro, posso estar enganado quanto a algumas datas, mas conhecia gente que já começava a ter em casa equipamentos quase profissionais, como gravadores de rolo e uma parafernália de amplificadores, equalizadores, caixas de som etc.

Voltando aos LPs, ao longo dos anos fui fazendo a minha própria coleção, torrando quase toda a minha mesada em lojas de discos. Só sei que quando foi lançado o CD, eu já tinha por volta de 800 discos em casa.

CD? Como assim? E meus LPs? Pensei na época: “ah, acho que não vou mudar, não, vou continuar com os LPs…” Mas eis que o mestre mercado começa a fazer desaparecer os LPs das lojas para dar lugar aos CDs.

Comprei um CD aqui outro ali, e fui percebendo que não havia alternativa a não ser render-me a eles. Mas o que fazer com os LPs? Ó, dilema! Passei a comprar em CDs o que eu gostava mais da minha coleção de LPs (confesso, tinha muita porcaria também), até que quase não os ouvia mais. Passei a ouvir somente os CDs. Esse processo levou perto de 10 anos para se concretizar.

CDs

Quando o som começou a ser digitalizado e colocado no computador, passei os LPs que eu considerava indispensáveis e sem correspondência em CDs para o novo formato e, num rompante, doei meus LPs para um amigo.

Sei o que vocês vão dizer: “O que? Não, você não fez isso!”

Pois é, eu fiz. E agora os LPs estão na moda novamente. Pelo que vi, estão vindo coloridos, iguais aos disquinhos com histórias infantis que eu tinha. Os puristas dizem que o som do LP é bem melhor que o dos CDs. Pode ser, mas eu mal percebo isso, talvez eu não tenha ouvido para tanto. Eu só sinto falta mesmo é das capas dos LPs, bem mais interessantes e informativas que as dos CDs. Alguns sentem falta do som dos chiados e riscos (!?), tem gosto pra tudo, mas, vamos combinar, se é para ser purista mesmo, então que lancem os LPs na cor preta, colorido não dá!

Toca-discos

Não sei o que vem pela frente, mas imagino que, uma vez que está tudo digitalizado, qualquer mídia que vier, se é que vai haver alguma, poderá ter seu conteúdo convertido menos traumaticamente. E pode tirar o cavalinho da chuva, meus CDs eu não vou dar não!

Para encerrar esse longo post (típico de quem está em férias), coloco uma tirinha que vi há muitos anos. Não me lembro quem é o autor (terá sido o Glauco?), mas como eu não tenho o original, redesenhei-a com o Stripgenerator:

Edison - Tiozinho

Publicado originalmente no Musicólatras (clique aqui)

Um comentário:

Marília disse...

Se eu fosse fazer um post com este tema, seria muito mais longo do que o seu...

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