segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Rainha Duracell

Recebi um e-mail hoje com o título acima e as fotos abaixo. O título achei meio maldoso, mas mantive-o por fidelidade à fonte. Seguem as fotos com as respectivas legendas:

1) Rainha Elizabeth II e Obama

1 Rainha com Obama


2) Rainha Elizabeth II e Bush júnior

2 Rainha com Bush filho


3) Rainha Elizabeth II e Clinton

3 Rainha com Clinton


4) Rainha Elizabeth II e Bush sênior

4 Rainha com Bush pai


5) Rainha Elizabeth II e Reagan

5 Rainha com Reagan


6) Rainha Elizabeth II e Carter

6 Rainha com Carter


7) Rainha Elizabeth II e Ford

7 Rainha com Ford


8) Rainha Elizabeth II e Nixon

8 Rainha com Nixon


9) Rainha Elizabeth II e Kennedy

9 Rainha com Kennedy


10) Rainha Elizabeth II e Eisenhower

10 Rainha com Eisenhower


11) Rainha Elizabeth II e Truman

11 Rainha com Truman

Impressionante, né? E olha que pularam o interino Lindon Johnson.

O e-mail termina mais maldosamente ainda dizendo que, apesar de tudo isso, ela ainda não viu o Corinthians ser campeão da Libertadores. Bom, vou deixar de fora esse comentário infeliz, pois não quero aborrecer meus leitores corintianos, que também os há.

sábado, 28 de agosto de 2010

Birds on the wire

Quando publiquei a foto abaixo aqui no sítio, minha mãe comentou que parecia uma partitura musical. Parece mesmo.

200912-21 Arte moleque

A mesma impressão teve o músico Jarbas Agnelli, quando viu uma foto similar no jornal, com a diferença que em vez de sapatos no fio eram pássaros. Aí, ele passou essa impressão para uma partitura e… vou deixar que ele conte a história:

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Uma breve história do jazz – O Bebop

Como vimos, durante a Segunda Guerra Mundial muitos músicos foram convocados ou se voluntariaram para lutar na Europa e no Pacífico. Com isso, músicos muito jovens tiveram chances de tocar nas big bands antes do que seria normal. Alguns, dotados do inconformismo próprio da juventude, rebelaram-se contra o alto grau de comercialismo que havia tomado o jazz. Não tocavam mais por prazer. Eram reféns dos “arranjadores” e das gravadoras. Estavam fazendo música “pop” – oh, horror!

Como válvula de escape, e aí é inevitável remetermo-nos à discussão no post do Thiago (Músico Amador?), eles se reuniam após o “expediente” para tocar livremente, para experimentar, para mostrar suas descobertas, para aprender com os demais, enfim, para tocar onde a centelha criativa voltasse a acender dentro deles. Eram as chamadas Jam Sessions - “jam” vem de jazz after midnight, mas também pode vir de “geleia”, por causa da mistura de estilos que era ali praticada. Sempre aparecia um músico de fora para dar uma canja e a música rolava até o sol nascer.

Conta a pianista Mary Lou Williams (1910-1981) que uma noite foi acordada em sua casa às 4 da manhã por Ben Webster (1909-1973) que lhe disse: “levante-se gatinha, estamos jamming e todos os pianistas estão cansados. Hawkings tirou a camisa e continua tocando”. Coleman Hawkings (1904-1969) estava na cidade dando uma canja e se encantou com os saxofonistas locais, dentre os quais Lester Young (1909-1959) e Ben Webster.

O baterista Jo Jones (1911-1985) testemunha: “Aqueles eram tempos difíceis e, no entanto, os caras ainda achavam tempo para estudar, e quando encontravam algo novo, traziam para a sessão e mostravam aos outros músicos, qualquer que fosse o instrumento por eles tocado. Assim, eles tentavam aquele riff específico ou aquela concepção especial em uma sessão e o aperfeiçoavam (…)

Cartaz BebopO Bebop tomou corpo em Nova Iorque, entre 1940 e 1942. Era mais uma revolta dos músicos do que um movimento do público. Aliás, era um movimento contra o público. Mas, se olhado dentro da conjuntura dos levantes negros na década de 30, era também um profundo manifesto em favor da igualdade racial. Os inventores dessa música revolucionária eram todos jovens e negros, muitos deles ainda totalmente desconhecidos: Dizzy Gillespie (1917-1993) [trompete]; Charlie Bird Parker (1920-1955) [saxofone]; Thelonius Monk (1917-1982) e Bud Powell (1924-1966) [piano]; Kenny Clarke (1914-1985), Art Blakey (1919-1990) e Max Roach (1924-2007) [bateria]; Charlie Christian (1916-1942) – o único que já era conhecido do público - [guitarra]; e Milt Jackson (1923-1999) [vibrafone], só para citar alguns.

Queriam fazer uma música que “eles” – os brancos – não pudessem imitar ou roubar. As execuções tinham grande técnica e altíssimo grau de dificuldade – algumas pessoas diziam não ser possível tocar tantas notas ao mesmo tempo e tão rápido. As músicas eram tão modificadas, que o público às vezes nem percebia o tema que estava sendo tocado. Tanto é que How High the Moon era chamada de Ornithology e What is This Thing Called Love de Hothouse – devia ser um problemão para os arrecadadores de direitos autorais.

O  Bebop privilegiava os pequenos conjuntos, em que os solistas exibiam grande virtuosismo. O ritmo foi o elemento que sofreu a maior modificação dentro dessa revolução, com a proliferação do som sincopado e de figuras rítmicas complexas. O fraseado é flexível e nervoso, cheio de saltos que exigem uma técnica instrumental muito desenvolvida. Constituiam um grupo à parte, mesmo em relação aos outros músicos negros. No entanto, os ouvidos foram se acostumando e, graças principalmente ao público branco, seu talento foi reconhecido. E, pouco a pouco, claro, começaram a ser assediados pelo pessoal do marketing. Mas aí já era tarde, o jazz nunca mais seria o mesmo.

Charlie Parker e Dizzy Gillespie formaram uma dupla literalmente do barulho. Tocavam juntos frequentemente. E muito, muito rápido. Os demais músicos mal os acompanhavam, porém um completava o outro, sem ao menos se olharem. Uma dupla com uma sinergia equivalente à de Louis Armstrong e King Oliver, que vimos no capítulo dos Trumpet Kings.

Mas, Edison, para de falar e deixa os caras tocarem!

Antes de ouvi-los, porém, assistam ao vídeo a seguir com um depoimento do pianista Hank Jones (1918-2010) sobre o Bebop, em que ele interpreta a música How High the Moon de duas maneiras, a convencional e a bebop:


Aqui, um exemplo de improvisação bebop ao piano. Para nós, hoje, isso não parece muito chocante, aliás, nada chocante, pois nos acostumamos a esse som e esses saltos, quase nem os percebemos, mas deve ter sido um baque na época em que começaram a ser tocados.


Agora sim, com vocês, Musicólatras, os mestres Charlie Parker e Dizzy Gillespie (o trompete dele ainda não era torto, mas as bochechas já eram um fenômeno):


Thelonious Monk:


Charlie Parker, Coleman Hawkings e Lester Young:


Para encerrar, ouçam novamente Dizzy Gillespie, dessa vez com o seu característico trompete modificado – dizem que essa forma originou-se de um acidente com seu instrumento. Ele gostou do som resultante e manteve o formato. As bochechas continuam fenomenais.


Ah, a denominação “bebop” é uma referência onomatopaica às mudanças e saltos que as músicas davam.


Leia mais em
Uma breve história do jazz – O início
Uma breve história do jazz – O elo perdido
Uma breve história do jazz – The Trumpet Kings
Uma breve história do jazz – O Blues
Uma breve história do jazz – A Era do Swing
Uma breve história do jazz – As Divas

Nota: Essa Breve História foi publicada originalmente no blog Musicólatras.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Considerações sobre a mudança do clima

mulher-frio-cuidados-peledianaroadkt6Gosto do frio. Mas não frio demais. Frio demais dói. Refiro-me àquele friozinho que faz nossa casa ficar mais aconchegante, pede um bom fondue, uma taça de vinho e torna difícil sair da cama pela manhã. Gosto do inverno porque as mulheres se vestem melhor, ficam mais recatadas.

Mas gosto do calor também. Calor moderado, claro. Muito calor só é bom se você está na praia e em férias. O verão tem uma coisa pra lá de boa: quanto maior a temperatura, maiores os decotes, menores as saias, menores as inibições.

Em resumo, não importa a temperatura, mulher é sempre bom.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Santa frequência!

Edison - 0091 A frequência

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Emoções Baratas

Fui assistir na última 6ª feira ao espetáculo musical Emoções Baratas, de José Possi Neto. Trata-se de uma remontagem da peça que esteve em cartaz em 1988, e que é apresentada hoje no Estúdio Emme, na Av. Pedroso de Morais, 1.036, tel: (11) 2626-5835. Horários: 5ª, 21h; 6ª, 21h30h; Sáb. 22h e Dom. 19h. Preços: R$ 50 e R$ 80. É só até o final de outubro.

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Não há diálogos, apenas música e dança. Logo ao entrar no teatro, somos tomados pelo som da Banda Heartbreakers – os caras são muito bons – mais as cantoras Bibba Chuqui e Karin Hils. E bons também são os dançarinos que nos levam ao longo de 23 músicas, quase todas de Duke Ellington, pelo mundo boêmio dos cabarés – vide repertório e ficha técnica no final.

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Eles interagem em o tempo todo com o público (eu mesmo sofri alguns “assédios”), sendo que em uma das músicas até tiram pessoas para dançar no palco. (A propósito, fiquei um pouco tenso nessa hora, mas utilizei uma de minhas inúmeras técnicas para passar despercebido que venho empregando desde meus tempos de estudante.)

Música boa, músicos bons, dançarinos bons. Enfim, se você estiver em São Paulo e gosta de tudo isso, não pode perder Emoções Baratas.

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Meia idade 12 - O que é melhor para mim

Porém, nem tudo é tão ruim na meia idade quanto essa série de tirinhas possa ter dado a entender. Nessa altura da vida sabemos melhor do que ninguém o que é melhor para nós mesmos. E isso não tem preço.


Edison - 0090 Meia idade 12 - Dieta  

Clique aqui e veja a série completa.

(nota: boa parte dos roteiros das tirinhas vem daqueles e-mails engraçadinhos que eu recebo e outras são baseadas em fatos verídicos ou experiência própria, como essa acima)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Uma breve história do jazz – As divas

Segundo o Aurélio, diva é uma palavra de origem italiana que pode significar 1. Deusa. 2. Mulher formosa. 3. Cantora notável. Tradicionalmente utilizada para designar as cantoras de ópera, rapidamente serviu de epíteto para as maravilhosas vozes femininas que deixaram sua marca na história do jazz.

Alguns nomes são quase unanimidades, outros nem tanto ou não são tão conhecidos, mas sem dúvida encaixam-se com perfeição na definição acima. Pensei em colocar um exemplo em vídeo da cada uma das “minhas” divas. Achei pelo menos três vídeos imperdíveis de cada uma. Num esforço de concisão, consegui reduzir para os dois mais significtivos, mas convido-os a procurar mais no YouTube.

Billie Holiday (1915 - 1959)

Essa é uma que figura em todas as listas. Billie é considerada por muitos como a maior cantora de jazz de todos os tempos. Mas antes de chegar lá, teve que ralar barbaridade: infância pobre, estupro, prostituição. Saiu de casa para ganhar a vida dançando em bares, mas como não levava muito jeito, um dia um penalizado pianista lhe perguntou se sabia cantar. E como sabia! Conseguiu o emprego e nunca mais parou.

 

 

Anita O'Day (1919 - 2006)

A primeira vez que ouvi Anita O’Day, foi numa gravação da banda de Gene Krupa de Let me off uptown, que é música a do primeiro vídeo. A bem da verdade, esclareço que a gravação original era bem melhor que essa do vídeo, mas coloquei-o por razões sentimentais. Teve seus grandes momentos nas décadas de 40 e 50. Anita! Oh, Anita!

 



Blossom Dearie (1924 - 2009)

A Wikipedia quase nada fala sobre ela, deve ser porque morou e cantou por algum tempo na França, mas está no meu rol de divas. Tem uma voz delicada, quase infantil, ao mesmo tempo sensual, sofisticada e cheia de swing.

 

 

Sarah Vaughan (1924-1990)

Sarah também não podia ficar de fora dessa galera de divas. Aos 18 anos venceu um concurso em Nova York cantando Body and Soul. Em segundo lugar ficou sua amiga Doris Robinson, que foi acompanhada ao piano por Sarah. Entrou para a banda de Earl Hines (1903-1983) ainda na era do swing e depois partiu para carreira solo. Nos anos 70 teve um revival e gravou Beatles, Tom Jobim e o songbook de Duke Ellington entre outras coisas boas.

 



Ella Fitzgerald (1917 - 1996)

Ella é a minha predileta. Não é por acaso que ela é conhecida como a “Primeira Dama da Canção”. Quando criança queria ser dançarina, mas encantou-se com um disco da cantora Connee Boswell. Após a morte de sua mãe, trabalhou dois anos como vigia de boate e casa de jogos. Começou a cantar profissionalmente aos 17 anos e foi logo contratada pela orquestra do baterista Chick Webb (1905-1939). Passada a febre do swing, deixou-se influenciar pelo Bebop, principalmente Dizzy Gillespie (1917-1993), com quem cantou durante bastante tempo. São também notáveis seus songbooks, em que registrou alguns dos maiores standards americanos. Gosto especialmente dos dois volumes dedicados a Cole Porter (1891-1964), mas ela gravou também George Gershwin (1898-1937) e Duke Ellington (1899-1974).

Nesse primeiro vídeo ela ataca de Tom Jobim, com o Samba de uma nota só, que ela considera “little jazzy”. O legal nessa música é a grande exibição do scat singing, em que ela era mestra.

 
Sintam só o swing nessa grande interpretação de Mack the Knife, com direito a uma impagável imitação de Louis Armstrong (1901-1971).

 
Ah, não aguento, lá vai o terceiro vídeo d’Ella, dessa vez com o próprio Louis Armstrong.



Leia mais em
Uma breve história do jazz – O início
Uma breve história do jazz – O elo perdido
Uma breve história do jazz – The Trumpet Kings
Uma breve história do jazz – O Blues
Uma breve história do jazz – A Era do Swing

Nota: Essa Breve História foi publicada originalmente no blog Musicólatras.

Agarrões

Bola parada. Os jogadores se posicionam esperando o cruzamento. Antes mesmo da bola se movimentar, começa o agarra-agarra. Puxa daqui, puxa dali, às vezes o juiz interrompe a cobrança e chama a atenção dos jogadores.

Agarrão 4
É só ele autorizar que começa tudo de novo. Impossível dizer quem segurou quem. Pro lado que o juiz apitar a falta ele terá acertado. Isso se apitar, pois o lance é considerado “normal” por alguns comentaristas.

Agarrão 1

Portanto, se o juiz não apita a falta, o maior prejudicado é o jogador que foi agarrado. Então, me pergunto, por que é que os times continuam usando uma camisa tão larga?
 Agarrão 5

Não seria muito melhor usar uma camisa mais justa, de forma a não dar mais uma arma ao adversário? Alguns (pouquíssimos) times aplicam isso. Veja o exemplo deste aqui na última Copa do Mundo – aposto que o adversário tinha muita dificuldade em agarrá-lo:

Agarrada

Claro, a adoção de camisas justas não resolveria todos os problemas da agarra-agarra em campo…

Agarrão

… e nem todos ficariam muito elegantes de camisa justa.

gordo

Mas, convenhamos, não dá pra agradar a todo mundo, né?

domingo, 15 de agosto de 2010

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A Carne

Helena, ou Lenita, como era mais conhecida, perdeu a mãe durante seu parto. Filha única, inteligentíssima, teve a sorte de ter um pai amoroso que se preocupou em proporcionar-lhe a melhor educação. Aos 18 anos, perde Lenita também seu pai. Herdou um belo dinheiro, pretendendes não lhe faltavam, mas nunca se interessou por nenhum deles. Decidiu mudar-se para o interior e morar na fazenda de um velho amigo de seu pai, o coronel Barbosa, que vivia com a esposa muito doente e mal saia do quarto.

Lenita, só, sonhava:

Sonhou ou antes viu que o gladiador avolumava-se na sua peanha, tomava estatura de homem, abaixava os braços, endireitava-se, descia, caminhava para o seu leito, parava à beira, contemplando-a detidamente, amorosamente.

E Lenita rolava com delícias no eflúvio magnético do seu olhar, como na água deliciosa de um banho tépido.

Tremores súbitos percorriam os membros da moça; seus pêlos todos hispidavam-se em uma irritação mordente e lasciva, dolorosa e cheia de gozo.

O gladiador estendeu o braço esquerdo, apoiou-se na cama, sentou-se a meio, ergueu as cobertas, e sempre a fitá-la, risonho, fascinador, foi-se recostando suave até que se deitou de todo, tocando-lhe o corpo com a nudez provocadora de suas formas viris.

O contato não era o contato frio e duro de uma estátua de bronze; era o contato quente e macio de um homem vivo.

E a esse contato apoderou-se de Lenita um sentimento indefinível; era receio e desejo, temor e volúpia a um tempo. Queria, mas tinha medo.

Colaram-se-lhe nos lábios os lábios do gladiador, seus braços fortes enlaçaram-na, seu amplo peito cobriu-lhe o seio delicado.

Lenita ofegava em estremeções de prazer, mas de prazer incompleto, falho, torturante. Abraçando o fantasma de sua alucinação, ela revolvia-se como uma besta-fera no ardor do cio. A tonicidade nervosa o erotismo, o orgasmo, manifestava-se em tudo, no palpitar dos lábios túmidos, nos bicos dos seios cupidamente retesados. Em uma convulsão desmaiou.

Alguns meses depois, chegou à fazenda o filho do coronel, Manduca, 40 anos, separado da esposa francesa que deixou na Europa. Muito inteligente também, interessado em ciências como Lenita, depois de muitas idas e vindas, o inevitável romance se concretizou.

E um beijo vitorioso recalcou para a garganta o grito dorido da virgem que deixara de o ser...

Depois foi um tempestuar infrene, temulento, de carícias ferozes, em que os corpos se conchegavam, se fundiam, se unificavam; em que a carne entrava pela carne; em que frêmito respondia a frêmito, beijo a beijo, dentada a dentada.

Desse marulhar orgânico escapavam-se pequenos gritos sufocados, ganidos de gozo, por entre os estos curtos das respirações cansadas, ofegantes.
Depois um longo suspiro seguido de um longo silêncio.

Depois a renovação, a recrudescência da luta, ardente, fogosa, bestial, insaciável.

Pela frincha da janela esboçou-se um rastilho de luz tênue.

Era o dia que vinha chegando.

Continuaram se encontrando furtivamente, ora no quarto de um ora no do outro. Um dia ele viaja a negócios e fica várias semanas fora. Na volta, sem querer, ela descobre uma traição por parte dele. Abandona-o e volta para a capital. Descobre-se grávida. Graças à fortuna que herdara, não lhe é difícil arranjar rapidamente um casamento e um pai para seu filho. O verdadeiro pai, informado por carta, se mata com uma dose de veneno, após tentar sem sucesso o consolo na morfina. Fim.

julio_ribeiroAcredite se quiser, o livro cujos trechos foram reproduzidos acima, foi escrito por Júlio Ribeiro, em 1888. A Carne é uma das obras mais importantes do naturalismo brasileiro.

A descoberta da sexualidade. O gozo. Sexo. Divórcio. Drogas.

Em 1888, repito e ressalto.

Fosse o gramático abolicionista e anticlerical Júlio Ribeiro inglês ou francês e a obra O Amante de Lady Chatterley , escrito por D. H. Lawrence em 1926, provavelmente nem seria muito conhecida hoje. Talvez ele nem mesmo a houvesse escrito. Afinal, seria só mais um orgasmo feminino.

P.S. Esse livro pode ser baixado de graça no site Domínio Público, basta clicar aqui.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Inauguração de maquete ?!?!?

Inauguração de maquete

Confira aqui.

Ano de eleição é foda…

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Lei de Murphy

A famosa Lei de Murphy é aquela que diz que "Se uma coisa não pode dar errado, dará". E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível. Ou seja, por mais que se planeje um negócio ou atividade, sempre aquela coisa que você deixou de se preocupar porque não haveria chance nenhuma dela falhar acaba falhando e comprometendo todo o projeto. A Lei de Murphy reflete a perversidade do universo, uma matéria cujos primeiros estudos datam de 1877, e foi formalizada em 1952 por Anne Roe. Provavelmente, o tal de Murphy mesmo nem existe.

Murphy 0Baseado nesse enunciado original muitos corolários surgiram - vide exemplos abaixo. Porém, cuidado, pois nessa contabilidade muita bobagem foi lançada. Por exemplo, a história de que "pão de pobre sempre cai com a manteiga pra baixo" não é um caso clássico da Lei de Murphy. Tem muito mais a ver com as leis da gravidade e do equilíbrio, pois o peso da manteiga em uma das faces do pão, por menor que seja, desloca o centro de gravidade do conjunto fazendo com que na maioria das vezes seja a face amanteigada que cairá virada para baixo.

O fato de cair no tapete e não no piso cerâmico, esse sim pode ser explicado pelo Murphy, que explicaria também porquê quanto mais valioso o carpete, maior a probabilidade de que isso aconteça.

Murphy 1

30 corolários bonitinhos que vi por aí:

  • Um atalho é sempre a distância mais longa entre dois pontos.
  • Tudo leva mais tempo do que todo o tempo que você tem disponível.
  • Se há possibilidade de várias coisas darem errado, todas darão - ou a que causar mais prejuízo.
  • Se você perceber que uma coisa pode dar errada de quatro maneiras e conseguir driblá-las, uma quinta surgirá do nada.
  • Acontecimentos infelizes sempre ocorrem em série.
  • Murphy 2 As peças que exigem maior manutenção ficarão no local mais inacessível do aparelho.
  • Se você jogar fora alguma coisa que tem há muito tempo, vai precisar dela logo, logo.
  • Quando te ligam: a) se você tem caneta, não tem papel. b) se tem papel não tem caneta. c) se tem ambos ninguém liga.
  • Mesmo o objeto mais inanimado tem movimento suficiente para ficar na sua frente e provocar uma canelada.
  • Qualquer esforço para se agarrar um objeto em queda provocará mais destruição do que se deixássemos o objeto cair naturalmente.
  • Você nunca vai pegar engarrafamento ou sinal fechado se saiu cedo demais para algum lugar.
  • Conversas sérias, que são necessárias, só acontecem quando você está com pressa.
  • Murphy 3O orçamento necessário é sempre o dobro do previsto. O tempo necessário é o triplo.
  • Entregas de caminhão que normalmente levam um dia levarão cinco quando você depender da entrega.
  • Nenhuma bola vai parar em um vaso que você odeia.
  • Crianças nunca ficam quietas para tirar fotos, e ficam absolutamente imóveis diante de uma câmera filmadora.
  • A ferramenta quando cai no chão sempre rola para o canto mais inacessível do aposento. A caminho do canto, a ferramenta acerta primeiro o seu dedão.
  • O vírus que seu computador pegou só ataca os arquivos que não tem cópia.
  • Seja qual for o defeito do seu computador, ele vai desaparecer na frente de um técnico, retornando assim que ele se retirar.
  • Murphy 4Oitenta por cento do exame final que você prestará, será baseado na única aula que você perdeu, baseada no único livro que você não leu.
  • Se ela está te dando mole, é feia. Se é bonita, está acompanhada. Se está sozinha, você está acompanhado.
  • Caras legais são feios. Caras bonitos não são legais. Caras bonitos e legais são gays.
  • A maioria dos trabalhos manuais exigem três mãos para serem executados.
  • Todo corpo mergulhado numa banheira faz tocar o telefone.
  • A fila do lado sempre anda mais rápido.
  • No ciclismo, não importa para onde você vai; é sempre morro acima e contra o vento.
  • Por mais tomadas que se tenham em casa, os móveis estão sempre na frente.
  • Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda, e o que não sai.
  • Murphy 5Na guerra, o inimigo ataca em duas ocasiões: quando ele está preparado e quando você não está.
  • Tudo que começa bem, termina mal. Tudo que começa mal, termina pior.

Todo mundo pode criar o seu corolário conforme sua própria experiência. Pra mim o que sempre acontece é quando estou procurando alguma coisa no mapa, o lugar que busco está sempre no meio de duas páginas ou na dobra rasgada. É a Lei de Murphy aplicada à cartografia.

E você, qual é a sua?

domingo, 8 de agosto de 2010

sábado, 7 de agosto de 2010

Uma breve história do jazz – A Era do Swing

It don’t mean a thing if it ain’t got that swing! Uá-uá-uá-uá-uá-uááá!


Esse é o refrão de uma das músicas mais swingadas do período conhecido como a Era do Swing. Não por coincidência, esse tema foi gravado pela primeira vez por uma das orquestras mais famosas de todos os tempos, a de Duke Ellington (1899–1974), em 1932. Oficialmente, porém, considera-se que o período em referência foi inaugurado em 1935, com os primeiros sucessos da orquestra de Benny Goodman (1909–1986), o Rei do Swing.

Pela primeira vez, um personagem antes quase desconhecido passou a receber tanto destaque quanto o compositor e o músico propriamente dito: o arranjador. O primeiro deles foi Don Redman, que também era saxofonista. Redman transformou a grande orquestra de jazz, separando os instrumentos por grupos idênticos ou aparentados e opondo os que não o fossem. Os melhores arranjadores captavam o processo criativo das improvisações dos grandes solistas, utilizando-o nas partes escritas, mas deixando seções inteiras para os músicos solarem e improvisarem. Por trás de cada grande orquestra, havia pelo menos um arranjador de talento. O próprio Benny Goodman começou como arranjador. Glenn Miller (1904-1944) foi outro.

O swing surgiu numa época em que as transmissões de rádio já alcançavam o país inteiro. Os programas com orquestras iam ficando mais e mais populares. Além disso, a qualidade das gravações foi ficando cada vez melhor. Os jovens músicos faziam boa parte de seu aprendizado ouvindo os discos e os programas de rádio, pois a notação musical por si só não é capaz de transmitir a sonoridade jazzística. Outras revoluções ocorreram por essa época: jazz e música popular passaram a ser vistas como sinônimos; orquestras só de negros ou só de brancos começaram a dar lugar a orquestras mistas; e as pessoas começaram a dançar o jazz.

Um dos maiores momentos do swing foi o concerto de Benny Goodman no Carnegie Hall, em 15 de janeiro de 1938. A música do vídeo abaixo, embora não seja uma gravação do referido show, representa muito bem o que foi aquela noite. A bateria de Gene Krupa (1909-1973) ataca desde o início e costura entre os solos dos demais músicos. Sozinha, soa como centenas de tambores de tribos africanas. Essa é uma versão reduzida da música. A do Carnegie Hall teve mais de 10 minutos de duração. Raios, eu bem que podia estar lá!


Por falar em Krupa, foi graças a ele que o solo de bateria se tornou um elemento obrigatório em uma orquestra de swing. Outros grandes nomes ganhavam destaque nas orquestras. A de Tommy Dorsey (1905-1956) por exemplo, atingiu o auge de sua popularidade graças a um jovem cantor novaiorquino chamado Frank Sinatra (1915-1998). Como se isso fosse pouco, nela também tocou Buddy Rich (1917-1987), um dos bateristas mais técnicos de todos os tempos. Dos que se iniciaram em uma orquestra, além dos já mencionados, não podemos deixar de fora Roy Eldridge, Benny Carter (1907-1987), Lester 'Prez' Young (1909-1959), Charlie Christian (1916-1942) e Chuck Berry (1926)… sim, Chuck Berry.

Não dá pra falar de todas as orquestras, mas não podemos deixar de mencionar outras, embora ainda esteja longe de ser uma lista completa, que são as de Artie Shaw (1910-2004), Teddy Wilson, Harry James (1916-1983) – que toca no vídeo acima, Chick Webb (1905-1939) - que lançou Ella Fitzgerald, com apenas 17 anos, Woody Herman e Count Basie (1904-1984).
 


A entrada dos EUA na 2ª Guerra (1939-1645) alterou completamente o cenário musical americano. Muitos músicos foram convocados ou se voluntariaram para lutar, desfalcando as orquestras. Músicos iniciantes, alguns com 15 anos (!), que em condições normais só teriam uma chance alguns anos depois, tiveram a oportunidade de mostrar seu trabalho precocemente. A economia de guerra racionou o consumo de gás, o que limitava os deslocamentos das bandas. Junte a isso uma greve contra as gravadoras promovida pelo Sindicato dos Músicos que abriu o mercado para os cantores, os quais não eram sindicalizados, que fez com que os estúdios passassem a evitar as bandas. Além disso, alguns músicos mais jovens começavam a descobrir uma nova forma de fazer jazz, o Be-bop.

Poucas grandes orquestras sobreviveram a esse momento. Somente as muito competentes, como a de Duke Ellington, Count Basie e Harry James, de onde Buddy Rich saiu em 1966 para montar sua própria orquestra. Outra que poderia ter sobrevivido, pois vivia seu auge durante a guerra, era a de Glenn Miller. Ele foi voluntário e serviu em Londres, onde passou a dirigir a banda do exército americano para levar alento aos recrutas que estavam longe de casa. Um belo dia, tomou um avião para a França, onde faria uma apresentação. O avião nunca chegou ao seu destino.
 


Mas nada disso tem significado se não tiver aquele swing. Uá-uá-uá-uá-uá-uááá…

Leia mais em:
Uma breve história do jazz – O início
Uma breve história do jazz – O elo perdido
Uma breve história do jazz – The Trumpet Kings
Uma breve história do jazz – O Blues

Nota: Essa Breve História foi publicada originalmente no blog Musicólatras.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dúvida de português

Estava eu andando em casa com um copo cheio em minhas mãos, quando notei que estava deixando um rastro de pingos pelo chão. Exclamei em voz alta:

- Putz! Será que a merda do copo tá furado?

Aí, além dessa dúvida cruel, fiquei com outra: o certo é “a merda do copo tá furado” ou “a merda do copo tá furada”?

Respostas nos comentários deste post, por favor.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

É de graça!

Dicas para quem gosta de ler no computador (sei, não é pra qualquer um, também prefiro o livro) ou tem preguiça de ir à biblioteca, se é que você tem uma na sua cidade: os sites abaixo contêm um amplo acervo de obras da literatura, artes plásticas e documentos históricos. Muito bom para quem tem que fazer alguma pesquisa ou simplesmente tem curiosidade histórica.


Domínio Público (http://www.dominiopublico.gov.br)

Obras da literatura mundial, mas brasileira e portuguesa principalmente, todas de domínio público, como o nome indica, podem ser baixadas “de grátis” neste site do Ministério da Educação. Além da obra completa de Machado de Assis, Fernando Pessoa e cia., pode-se achar imagens de obras de arte e baixar hinos (sei lá pra quê alguém ia querer baixar um hino, mas…). Tem coisa que não acaba mais lá, é só ter paciência para procurar.


Biblioteca da ONU (http://www.wdl.org/pt/)

Accuratissima Brasilia Reúne mapas, textos, fotografias, gravações e filmes de várias bibliotecas do planeta. Entre os documentos mais antigos há alguns códices  précolombianos e os primeiros mapas da América, desenhados por Diego Gutiérrez para o rei de Espanha em 1562. Inclui, ainda, o Hyakumanto Darani , um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história. Os ducumentos foram escaneados e incorporados em seu idioma original e traduzidos para o português.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

9 motivos pra você comentar o blog que você visita!

9motivosparasecomentar

Gostei desse post que vi no Bigode de Gato. Nem todos os objetivos são comuns a todos os blogueiros. Os meus estão aqui, mas a ideia geral é essa, é sempre bom receber um comentário e saber que tem alguém lendo.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

domingo, 1 de agosto de 2010

O mono ou a mona?

Terminou ontem a exaustiva enquete que fiz entre os milhares e amados visitantes deste sítio. Queria saber de vocês se num incêndio em que se tivesse a chance de salvar uma única coisa, qual delas escolheria entre o último mico leão dourado e a Mona Lisa. O resultado foi:

1) Mico Leão: 7 mil votos
2) Mona Lisa: 7 mil votos

O pesquisador não é suposto gostar do resultado de sua pesquisa, mas me permito essa liberdade, uma vez que esse empate reflete exatamente a minha dúvida na mesma situação.

Imagino como teria sido o resultado se a escolha tivesse que ser feita entre essas outras opções:

  • mico leão x um calendário de borracharia
  • uma barata x mona lisa

Mona LisaIsso mudaria seu voto ou seus princípios?

Tergiverso, porém. A pesquisa era sobre o Mico Leão e a Mona Lisa. E nela me atenho agora.

O meu lado racional imediatamente apontou para a Mona Lisa, pois essa obra é uma inestimável criação do homem, nunca haverá outra igual.

Mico leãoPor outro lado, nessa mesma linha de raciocínio, o Mico Leão poderia ser visto como uma inestimável criação de Deus (ou produto da evolução, ou ambos, como queira) e também nunca mais haverá espécie igual. Porém, sempre pensando racionalmente, de que adiantaria salvar o último mico leão para a preservação da espécie? Chegaria ao fim da sua vida e a espécie seria extinta de qualquer forma. Falhou em seu processo evolutivo e terminou o prazo de validade. Assim como o de outras centenas de espécies só nesta semana.

Confesso, finalmente, a Mona Lisa seria o meu voto politicamente pra lá de incorreto.

É simples assim? Eu mesmo não sei. No calor desse hipotético incêndio, lá estariam a mona e o mono me encarando. Aquela com seu sorriso enigmático, aquele com seus olhinhos pretinhos, suplicantes… Acho que na hora H eu acabaria optando pelo meu semelhante.
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