sábado, 31 de julho de 2010

Atenção srs. candidatos!

43005527_4carro_som_dinca Sei que pouca diferença fará meu voto, mas não pretendo gastá-lo com quem ficar circulando com motos  e  carros de som, gastando gasolina, poluindo o ar e enchendo o saco com aquelas musiquinhas irritantes e grudentas.

P.S. Por increça que parível, isso acontece também com os candidatos ditos verdes e pseudo preocupados com o meio ambiente.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Veranico de maio

Engraçado como uma música tão boa pode ser tão desconhecida. Ouvi Veranico de Maio, de Nelson Ayres, em um show que ele deu com sua orquestra no auditório da minha faculdade, lá pelo final dos anos 70 (ih, olha eu entregando a idade…) Que bom tornar a ouvir essa música! Viva o YouTube!


P.S. Tem mais Nelson Ayres, Grupo Pau Brasil e Mônica Salmaso no Musicólatras. Aliás, tem muita coisa boa por lá. Dá uma olhada num cara chamado Jacques Loussier.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

quarta-feira, 28 de julho de 2010

As diferenças entre o cérebro masculino e o feminino

 


Vi uma referência a este vídeo n’Os Amorais, do Diego e do Ravick. Vale a pena ver. Apesar dos conceitos não serem inteiramente originais, a forma como são expostos é muito engraçada. O nome do cara é Mark Gungor.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Campanha: o Consumidor contra a Ferrari

Não gosto de publicar tirinhas uma em seguida da outra, mesmo porque meu estoque não é muito grande (hehehe), mas não podia deixar de dar uma força a esta campanha!

Edison - 0086 Ferrari

segunda-feira, 26 de julho de 2010

domingo, 25 de julho de 2010

Uma breve história do jazz – O Blues

I can’t sleep at night
I can’t eat a bite
‘Cause the man I’m loving
He don’t treat me right

(Crazy Blues)

No primeiro capítulo dessa série, falamos sobre como surgiu o blues e como ele contribuiu para o aparecimento do jazz. Os dois estilos seguiram caminhos distintos, porém que se cruzaram muitas e muitas vezes ao longo dos anos. Mas o blues merece um capítulo especial em nossa breve história, pois, além do jazz, o blues pode se orgulhar de ter influenciado também o rock, o country, o soul, o rhythm and blues, o pop e até a música clássica moderna.

Tecnicamente, o blues é definido como uma canção composta por estrofes de doze compassos. Essas estrofes, por sua vez, subdividem-se em três grupos de quatro compassos quaternários. Melodicamente, o segundo desses períodos de quatro compassos é uma repetição ligeiramente transformada do primeiro, e o terceiro uma resposta. Do ponto de vista harmônico, esses três grupos de quatro compassos estão organizados sob a forma de uma cadência simples: quatro compassos sobre a tônica, dois sobre a subdominante mais dois sobre a tônica, e novamente dois sobre a dominante mais dois sobre a tônica.

Eu não entendi nada disso aí em cima, copiei tudo de um livro. Mas não se preocupe se você também não entendeu, o importante não é entender, mesmo porque um monte de músicas afro-americanas nem se enquadra exatamente nessa regra. Além do mais, o blues não se entende, o blues se sente.

Os versos no topo desse tópico (Crazy Blues) foram cantados por Mamie Smith (1883–1946), em 10 de agosto de 1920, e é a mais antiga gravação de blues que soava como os negros cantavam. Houve outras gravações de blues antes dessa, mesmo de Mamie Smith, mas sempre tinha um toque europeu nos arranjos. E o blues é, na sua origem, uma música essencialmente negra. Nascida dos spirituals e outras canções de trabalho cantadas por escravos libertos, suas letras tinham por tema o sofrimento e muitas vezes protestos contra a escravidão.

Bessie Smith (1894-1937) nasceu em Chatannoga e aos 9 anos já cantava nas esquinas por uns trocados. Durante os anos 20, gravou 180 músicas e suas vendas foram astronômicas para a época. A elite novaiorquina estava sendenta de novidades para espantar o tédio e agarrou-se ao jazz e à dança negra. Bessie Smith, que era uma grande marketeira, soube tirar largo proveito disso.

Robert Johnson (1911-1938) é tido por muitos como o maior cantor de blues de todos os tempos. Cantava ao estilo do Mississipi, o chamado Delta Blues, e serviu de influência para outras vertentes do blues. Como o Chicago Blues, por exemplo, cujo maior representante é Muddy Waters (1915-1983). Não é à toa que ambos já tenham sido visitados aqui no Musicólatras. Confiram clicando nos links em seus nomes.

Outro nome que não pode ficar de fora do Chicago Blues, é John Lee Hooker, ao lado de Muddy Waters, os primeiros a eletrificar sua guitarra.


Dizia-se de Billie Holiday (1915-1959) que ela derramava uma gota de sangue em cada canção. Nas palavras do clarinetista Tony Scott: Quando uma cantora canta as palavras “my man’s gone”, fica um sentimento que ele pode ter ido até a esquina comprar um maço de cigarros e voltar logo. Quando Billie canta “my man’s gone”, o homem se foi para sempre – sua voz expressa em três palavras uma perda total e irreversível. E já que mencionamos o blues como música de protesto, ouça Lady Day, como Bilie também era conhecida, cantando Strange Fruit, uma referência aos corpos dos negros enforcados que ficavam pendurados nas árvores, num de seus raros registros em vídeo. Não dá pra ficar impassível.


E não dá pra falar de blues sem falar no homem que durante os anos 50, 60, 70, 80, 90, até os dias de hoje, é para muita gente sinônimo de blues: B.B. King, King of The Blues.

Riley Ben King nasceu em uma plantação de algodão no Mississipi, em 1925. Tinha um bom berço musical, portanto. Diz uma das lendas do jazz, que um belo dia, em 1949, B. B. King tocava em uma casa de danças, quando estourou uma briga entre dois homens que acabou resultando em um grande incêndio. Evacuado o salão, King lembrou-se de que havia deixado sua preciosa guitarra lá dentro. Voltou para buscar a Gibson acústica e escapou por pouco. Soube-se depois que o motivo da briga foi uma mulher chamada Lucille. Daí em diante, batizava todas as suas guitarras de Lucille, que era para lembrar-se de nunca mais repetir tal estupidez.

Lembro-me de ter assisido a um show dele num festival de jazz que houve em São Paulo no final dos anos 70. Já o conhecia de nome e de som, mas nunca o tinha visto ao vivo (lembrem-se, ainda não existia o video-cassete e o youtube era algo inimaginável). O cara arrasou, um tremendo showman, arrebatou a plateia do primeiro ao último acorde.

Amigos do sítio, com vocês, B.B. King!


Gostaria de encerrar esse longo post exemplificando como o blues segue vivo até hoje, ainda que em formato mais moderno. Ouça Crossroads, primeiro na versão original de Robert Johnson:


Ouça-a agora na também clássica versão de Eric Clapton:

Leia mais em:
Uma breve história do jazz – O início
Uma breve história do jazz – O elo perdido
Uma breve história do jazz – The Trumpet Kings

Nota: Essa Breve História foi publicada originalmente no blog Musicólatras.

sábado, 24 de julho de 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Cinéfilos desmemoriados

Helen Hunt- Por falar em mulher bonita, eu tava vendo uma reportagem sobre mulheres famosas e maduras, que estão tão ou mais bonitas hoje do que quando eram novas.

- É, tem umas que estão mesmo.

- Falava da Helen Hunt, da Michelle Pfeifer… 

- Sandra Bullock.

Sandra Bullock- É, ela tava lá também. Tinha aquela, a…, aquela que fez “Os Outros”, como é mesmo o nome dela?

- Sei quem é, gozado, eu sempre me esqueço do nome dela. Putz, ela é linda! Foi casada com o Tom Cruise, fez aquele filme com ele antes de se separarem, aquele…, um que tem uns rituais com um pessoal mascarado… “De olhos bem fechados”!

- Sei. Eu sempre confundo ela com aquela que fez “Mensagem para você”, com o Tom Hanks, a…, puxa, ela tinha um cabelo horrível quando era mais nova, a…

Nicole Kidman- Meg Ryan?

- Isso, ela mesma. Eu gostei muito daquele filme que ela fez, “Recruta Benjamin”. 

- Não, pera aí, quem fez “Recruta Benjamin”, foi a…, uma loirinha. Caramba, adoro ela, como fui me esquecer do nome dela? Ela é uma comediante fantástica!

- Não foi a Meg Ryan?

Goldie Hawn- Não, é uma que fez um filme chamado “A morte lhe cai bem”, com a… Meryl Streep!

- Putz! Meryl Streep é fantástica! Mas, cacete, mas como é mesmo o nome da atriz…?

- A Recruta Benjamin?

- Não, não, a outra… de “Os Outros”. 

Meryl Streep- Sei. Ela fez mais recentemente um filme muito legal, chamado “A intérprete”, em que ela trabalha no ONU. Mas eu fiquei encafifado com a outra também… acho que começa com “G”.

- …

- Putz, a gente vai se meter a conversar sobre cinema e não se lembra do nome de ninguém…

- …

- Uma que é bonita também, mas é bem mais nova, a… tem um nome estranho, é a Gu… Gwineth Palthrow, é assim, né? Além de bonita, ela canta muito bem também, tem uma música que volta e meia toca nas rádios.

Sean Connery- Sei, é ela mesma, linda, a música é do filme “Duets”… Então, essa da Recruta Benjamin também canta, ela participou de um CD produzido pelo George Martin, aquele que era arranjador dos Beatles, em homenagem a eles. Cada música era cantada por um artista diferente, nem todos eram cantores. O Jim Carrey cantou “I am the Walrus”. Até o Sean Connery está no CD!

- É mesmo?

- É, ele canta “In my life”. Na verdade, ele declama, é muito interessante.

- Tem uns atores que bastam estar no filme que já vale a pena sair de casa pra ver. O Sean Connery é um.

Michael Caine- É mesmo…

- …

- Eu gosto muito do Michael Caine. Tem um filme genial, com ele bem novinho, em que ele contracena com… um cara manjado, o… bom, deixa pra lá, hoje é dia, mas o filme é ótimo, chama-se “Jogo Mortal”

- Não conheço… Tem aquele que fez a “Máfia no Divã”, o… Robert DeNiro!

- Tem o Dustin Hoffman!

Robert DeNiro- Bom… O Al Pacino!

- Putz, esse é ótimo! Você falou na Helen Hunt, me lembrei de um outro ator ótimo, ai, meu Deus, como é o nome dele…? Fez com ela “Melhor é impossível”…

- Sei, aquele que ele é cheio de manias e detesta um vizinho gay, mas depois acabam amigos. É o…

- O Coringa…

- Isso, ele mesmo! Pô, o cara é bom demais, não dá pra esquecer o nome…

- …

- Nicole Kidman!

Jack Nicholson- Nicole Kidman! É isso mesmo! Como é que a gente foi esquecer! Ahaha!

- Agora só falta o Coringa e a Recruta Benjamin…

- O negócio é esquecer e mudar de assunto. De repente vêm os nomes na cabeça.

- É difícil esquecer, fica batendo na cabeça. Assim que eu chegar em casa, vou olhar na internet!

- …


Notas
:

1) Esse é um diálogo verdadeiro, resumido de uma conversa de 50 minutos ontem com um amigo no trânsito de São Paulo.
2) Finalmente, em casa descobri que a Recruta Benjamin é a Goldie Hawn e o Coringa é o Jack Nicholson. E, a propósito, o cara manjado que contracena com Michael Caine em “Jogo Mortal” é simplesmente Lawrence Olivier.
3) Você deve ter achado ridículo a gente se esquecer de nomes como Lawrence Olivier, Nicole Kidman e Jack Nicholson, mas atire a primeira pedra quem nunca passou por isso.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Odeio cartões de loja

Edison - 081 Cartão de loja

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tofu

TofuTofu é um produto da culinária chinesa, muito apreciado também entre os japoneses e coreanos. É chamado de “queijo de soja” porque é feito de um suplemento alimentar a base de soja conhecido como “leite de soja”. Para se preparar o queijo de soja utiliza-se uma “vaca mecânica”. Hum… será a carne de soja um subproduto dessa vaca?

Tudo bem que são uma ótima alternativa para quem não come produtos de origem animal, mas me incomoda a apropriação desses termos para designar os produtos feitos da soja. Dá a impressão que estão tentando enganar uma criança dando óleo de rícino e dizendo que é refrigerante. Nada contra os produtos em si, apenas contra a falsa propaganda.

É como pedir caipirinha com adoçante.  Pinga (ou vodka) + limão + adoçante = outra coisa. Dêem o nome que quiser, mas caipirinha não é. “Caipirinha”  é com açúcar.

Mais uma de médico

Edison - 0066 Na autópsia

domingo, 18 de julho de 2010

Uma breve história do jazz – The Trumpet Kings

Jazz 01

Os primeiros músicos de jazz tornaram-se ídolos de toda a geração que nasceu por volta de 1900, dentre eles, os trompetistas Lee Collins (1901-1960), Punch Miller (1894-1971) e Henry Red Allen (1907-1967); os clarinetistas Jimmy Noone (1895-1944), Albert Nicholas (1900-1973), Johnny Dodds (1892-1959) e Sidney Bechet (1897-1959); começaram a surgir os primeiros saxofonistas, como Barney Bigard (1906-1980), que depois tocou na orquestra de Duke Ellington; e dois jovens bateristas, Baby Dodds (1898-1959), de forte herança africana, e Zutty Singleton (1898-1975), que soava “moderno” para os ouvidos da época.

Aqui se inicia um dos maiores paradoxos do jazz: apesar de todos os músicos acima serem negros ou creoles, eram os brancos, relativamente menos numerosos, que faziam mais sucesso e realizaram as primeiras gravações da nova música, em 1917, com a Original Dixieland Jazz Band:
 


A propósito, eu não me esqueci dele. Pulei propositadamente um nome importante dessa época, o maior deles: Louis Armstrong (1900-1971). Aliás, um dos maiores de todos os tempos.

O trompete era o intrumento principal das bandas naquele tempo. Uns dizem que é porque estaria associado às trombetas tocadas pelos anjos no Apocalipse, e tocar trompete seria uma experiência quase religiosa. Pode ser, mas parece mais provável que fosse assim por ser um dos instrumentos mais baratos e, certamente, um dos mais portáteis. O melhor trompetista era aclamado como rei, o Trumpet King, e isso em New Orleans equivalia a ser o Rei da Música! O aclamado subia o Rio Mississipi numa barcaça e desembarcava no cais de Basin Street. Ao longo dos anos, a coroa passou por Buddy Bolden, Freddie Keppard e Joe King Oliver, que por fim a passou a Louis Armstrong, e partiu para Chicago.


Storyville já não era mais a mesma. Com o advento da 1ª Grande Guerra e o aumento na violência e assaltos, um decreto acabou com a vida noturna e fechou muitos dos lugares onde tantos músicos ganhavam a vida. Muitos começaram a rodar o país e se estabelecer em lugares como São Francisco e, principalmente, Chicago. Em 1922, Oliver já fazia sucesso por lá e mandou buscar Armstrong para tocar na King Oliver Creole Jazz-band, onde realizaram praticamente as primeiras gravações de um grupo de jazz negro.

A química entre os músicos era perfeita. Músicos e fãs não conseguiam entender como era possível improvisar espontaneamente a duas vozes. Deixemos que Louis explique: “Não tínhamos nada escrito. A banda tocava e Oliver me dizia o que tocar por cima, ‘wa wa wa wa!’ Eu pegava minhas notas e os músicos que vinham ouvir a gente achavam que aquilo era uma fórmula secreta entre nós dois.”

King Oliver Creole Jazz-band
Porém, nada dura para sempre, e em 1924 Oliver e Armstrong se separaram. Satchmo, como Armstrong também era conhecido, levou junto a pianista do grupo, Lil Hardin, e casou-se com ela. Durante três anos ele gravou cerca de 60 faixas, exibindo toda a riqueza de seu som e firmando seu estilo. Além de tocar seu trompete, também cantava e, numa dessas “inventou” o scat, que consiste na utilização da voz como instrumento musical. E isso surgiu meio sem querer: no meio da gravação de Heebie Jeebies.

Como toda lenda do jazz, essa história tem várias versões. A mais provável dá conta que no meio da gravação ele deixou cair o papel em que estava escrita a letra da música. Sem se abalar, ele seguiu cantando palavras inventadas, utilizando sons que combinavam com a música: ba-da-bada-badi-bauááá, até que alguém devolveu-lhe o papel caído e ele seguiu cantando.

Quem usa o scat? Anota aí: Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Billy Eckstine, Mel Tormé, Al Jarreau, George Benson e, ninguém menos que, Frank Sinatra.

Armstrong esteve no Brasil na década de 60. No afã de entrevistar-lhe, o repórter Tico-tico estendeu o microfone em sua direção e atingiu sua boca, provocando-lhe um lamentável corte. Você não vai encontrar essa história por aí, faz parte da memória da minha mãe.


Satchmo faleceu em 1971, deixando sua marca na história do jazz e da música em geral, além da imagem inconfundível de suas bochechas inchadas (superada alguns anos depois por Dizzy Gillespie), o som de sua voz grossa e os olhos arregalados. E uma simpatia do tamanho de um bonde. Suas últimas palavras foram: "I had my trumpet, I had a beautiful life, I had a family, I had Jazz. Now I am complete."


Neste último, o ator Danny Kaye faz uma brincadeira com Satchmo, em cima da música When the Saints Go Marching In, incluindo na letra vários nomes de compositores clássicos, enquanto Louis responde com nomes de músicos de jazz.


Leia mais em:
Uma breve história do jazz – O início
Uma breve história do jazz – O elo perdido

Nota: Essa Breve História foi publicada originalmente no blog Musicólatras.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Relatividade

“No Futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo e todos estão tristes. Na Educação é o 85º e ninguém reclama.”

Senador Cristovam Buarque

cristovambuarque Ser 85º em qualquer coisa é péssimo. Em Educação, então, nem se fala. Porém, relativizando um pouco as coisas, há que se considerar que no Futebol já fomos os primeiros e na Educação nunca fomos melhores que isso mesmo.

O pior é que vejo mais chances de voltarmos a ser os primeiros no Futebol que de melhorar significativamente a posição em Educação, uma vez que nada foi feito nesse sentido nas últimas décadas. Pessoas com a visão de um Cristovam Buarque é artigo raro, infelizmente.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Enquete

Num incêndio hipotético e improvável em que você tivesse a chance de salvar uma única coisa, qual delas você escolheria entre:

1) O último exemplar de um mico leão dourado

2) A Mona Lisa

Responda sincera e anonimamente no quadro ao lado:  --------------------------->

Nota: não vale responder como naquela piadinha em que o cara tem como opções salvar seu advogado ou sua sogra e escolhe ir ao cinema…

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Brigas de casal #11: O sonho

Edison - 0075 Brigas de casal 11

sábado, 10 de julho de 2010

Uma breve história do jazz – O elo perdido

Jazz - evolução segundo Berendt

É difícil determinar em que momento exato surgiu o jazz como o conhecemos, mas de uma coisa não resta dúvida: o elo perdido é o trompetista King Buddy Bolden (1869-1931). Barbeiro e jornalista, foi líder de uma banda que fazia apresentações na Basin Street, em Storyville, bairro boêmio de New Orleans. Incorporou o swing ao blues e às danças afro-creolas, servindo de inspiração a muitos músicos de jazz. Por volta de 1907 ele enlouqueceu e seu som não foi mais ouvido. E não foi mesmo, porque infelizmente não restou nenhuma gravação sua, mas seu estilo foi tão bem descrito que não pode haver dúvida quanto ao valor de sua contribuição. Tocava o pistom ao estilo dos cantores de blues, imitando-lhes o som da voz.

Quando as brass-bands eram chamadas para tocar em algum lugar, geralmente atacavam de marchas, rags, quadrilhas e outras danças da época. A partir do sucesso de Buddy Bolden, começou-se a tocar mais o blues e outros temas de rua. Uma geração de músicos cresceu sob essa influência. Um deles é Joe King Oliver (1885-1938), que iniciou um novo período, voltado quase que exclusivamente ao blues.

Outra figura importante nessa época, foi o pianista Jelly Roll Morton (1885-1941). De origem creole (mestiço de negro com francês), tocava bem violino, violão e bateria, mas escolheu o piano, considerado um instrumento sofisticado na época. Cedo ele começou a viajar, levando a música de New Orleans para o resto do país. Com seu fabuloso ouvido, incorporou outras influências e estilos, misturou tudo e começou a compor um som muito próximo ao que se começava a chamar de jazz, não apenas adaptando os temas existentes, mas compondo especificamente dentro dessa concepção. Dentre elas estão King Porter Stomp, Blues New Orleans e The Red Hot Pepper, que levava o mesmo nome de seu conjunto (favor não confundir com o Red Hot Chily Peppers). Bom de marketing, ele jurava ser o criador do jazz, do stomp e do swing, dístico esse que ele fazia questão de imprimir em seu cartão de visitas, o que, verdade seja dita, não estava muito longe da realidade.

Leia mais em:
Uma breve história do jazz – O início

Nota: Essa Breve História foi publicada originalmente no blog Musicólatras.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Caixa eletrônico

Edison - 0079 Caixa eletrônico

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Uma breve história do jazz – O início

Assim como os que vieram para o Brasil, os africanos que “emigraram” para os Estados Unidos na condição de escravos, entre os séculos XVII e XVIII, levaram consigo sua rica tradição da música tribal. Como não lhes era permitido tocar sua música na nova terra, passaram a cantar e tocar a “música branca” autorizada, seguindo, contudo, suas próprias regras. Isso podia, afinal, um escravo que soubesse tocar música de branco valia mais na revenda.

O primeiro instrumento foi a garganta: usavam-na enquanto trabalhavam nas plantações, cadenciando os esforços; nos spirituals, quando cantavam a sua versão da bíblia; e nos mercados, anunciando seus produtos e serviços por meio de cantos rítmicos. Com relação a esta última, George Gershwin (1898-1937) incluiu alguns dos refrões em sua obra Porgy & Bess. Tudo isso misturado recebe o nome de blues.

Emancipados, os negros passaram a utilizar seu tempo de lazer para fazer música. Como não havia dinheiro para comprar instrumentos, utilizavam o que estava à mão: lixo, objetos largados pelas ruas, pentes de osso, potes de barro, violões em caixas de charuto e tábuas de lavar roupa, washboards em inglês, tocadas com os dedos e dedais metálicos, que acabaram sendo as precursoras da bateria.
 


Com o tempo, passaram a ter acesso a instrumentos de segunda mão, comprados nas casas de penhores, tais como rabecas, violões, banjos, gaitas e outros. Ao término das guerras de Secessão (1861-65) e da Hispano-Americana (1898-99), as bandas marciais foram desfeitas e seus instrumentos passados nos cobres.

Dizem que essa última guerra é a responsável pelo fato do jazz haver surgido em New Orleans, pois foi ali que as bandas se desfizeram e seus instrumentos trocados por uma noite de festa na badalada cidade. As vitrines das pawn shops amanheceram forradas de instrumentos reluzentes. Pode ser que em parte esta seja uma das razões, mas não se pode desprezar o fato de que aquela região, antiga possessão francesa, também era habitada pelos creoles, oriundos dos cruzamentos entre franceses e escravos.

Emancipados havia mais tempo, estes já dispunham de alguma educação musical formal e forte influência da música europeia, e compunham a maior parte dos músicos das brass-bands. O mais famoso deles é Scott Joplin (1868-1917), compositor de ragtime redescoberto na década de 70, quando sua música virou trilha sonora do filme O Golpe de Mestre (um filmaço por sinal!)
 

Outro fator que contribuiu para que o jazz surgisse por ali foi a colonização francesa, cuja formação católica era menos preocupada com a salvação da alma de seus escravos e, portanto, mais tolerante com seus rituais “pagãos” com toques de cristianismo, enquanto que nas áreas protestantes, os cultos negros permaneciam underground, e ainda tinham que enfrentar a proibição de se divertir aos domingos.

A música era usada para tudo. Todas as atividades eram acompanhadas pelas brass-bands. E elas tocavam em qualquer lugar: bailes, piqueniques, lutas de box, enterros, propaganda política e por vai. O saxofonista Sidney Bechet (1897-1959) conta que trabalhou numa certa época em um consultório dentário: enquanto o dentista extraía um dente, ele tocava clarinete para acalmar o paciente.

O crescente acesso ao instrumento não foi diretamente acompanhado pelo acesso à educação musical. A característica principal desses músicos era a improvisação coletiva em que tudo se encaixava perfeitamente. Como os líderes das bandas não sabiam ler música, tocavam os ragtimes de ouvido e executavam variações espontâneas das músicas, nascendo aí a improvisação consciente sobre um tema.

As matérias primas para esses músicos eram o ragtime, o blues, marchas militares, árias de ópera e o que mais lhes caísse nas mãos. Com o tempo foram surgindo temas próprios, mas a característica do jazz sempre foi a improvisação.


Nota 1: Esse texto não tem a mínima pretensão de ser uma tese sobre a história do jazz, é tão somente uma compilação de algumas publicações que eu tenho, tais como o livro Improvisando Soluções, de Roberto Muggiati, História Social do Jazz, de Eric J. Hobsbawm, Jazz, a History of America’s Music, de Geofrey C. Ward e Ken Burns, História do Jazz, uma coletânea de artigos que saiu em uma coleção de jazz da Ed. Abril, em 1975, além de Wikipedia, Youtube e outras ferramentas virtuais. Os estudiosos do jazz poderão achar os posts superficiais, mas de certa forma essa é a intenção. Feita essa importante ressalva, espero apenas que seja divertido.

Nota 2: Pessoalmente, não vejo na palavra “negro” qualquer sentido depreciativo, por isso não emprego indiscriminadamentes o termo “afro-americano” em substituição a ela. Nada contra a expressão politicamente correta, mas quase todas as fontes que consultei não a utilizam. Além disso, a palavra “negro” para mim é muito mais forte e bonita, e representa melhor a grande influência dos afro-americanos (agora sim) na música do século XX, XXI, XXII…

Nota 3: Essa Breve História foi publicada originalmente no blog Musicólatras.

terça-feira, 6 de julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Coisas que aprendi…


… no Mundo Corporativo

- Todo mundo reclama de mudanças, mesmo quando muda para melhor. Com o tempo as pessoas se acostumam e as reclamações mudam de foco, afinal, o ser humano se acostuma com tudo, mesmo quando muda pra pior.

- A inércia de tomada de decisões das empresas é proporcional ao seu tamanho - quanto maior a empresa maior a inércia, uma espécie de validação das leis da física no mundo corporativo.

- Se você tem um serviço urgente a ser feito, procure a pessoa mais atarefada para ajudá-lo (aprendi essa com um ex-chefe).

- Procure não parecer muito atarefado (técnica que desenvolvi após aprender duramente a lição acima) - mas também não convém coçar o saco de forma muito explícita.

- É preferível errar cumprindo todos os procedimentos da empresa, por mais idiota que sejam, a fazer um ótimo negócio, mas tendo que fechar os olhos para algum deles, mesmo que fira de morte o seu bom senso. Importante: não se esqueça de documentar bem o seu erro.

- Dificilmente uma decisão importante tomada de forma intempestiva resultará em uma cagada incorrigível - se a cagada for muito grande, provavelmente será corrigida a tempo pela burocracia. Se for de pequeno porte, das duas uma: ou dilui-se a culpa (menos provável) ou procura-se um bode expiatório (mais provável).

- As cagadas que escapam pela fina peneira da burocracia costumam gerar uma promoção para o cagão. Ele merece!

- Sempre que acontece um problema, as reações são invariavelmente nessa ordem: Será que foi culpa minha? Se sim, como esconder? Se não, de quem foi? Qual a causa e como resolver o problema? – a propósito, pelas normas da empresa somente essa terceira pergunta deveria ser formulada, mas na prática ela é meio utópica.

- Em situações normais, receber uma promoção é função de se estar na hora certa no lugar certo, o chamado efeito Cailub.

Efeito Cailub - era uma vez um supervisor chamado Cailub, que estava para ser demitido da empresa. Quando foi ao escritório central para tratar da sua demissão, encontrou um velho amigo e contou-lhe o que foi fazer lá. O colega disse-lhe que havia uma vaga de gerente aberta na área dele, e o Cailub em vez de dispensado foi promovido a gerente. (nota: cailub é um anagrama, vai que o cara visita meu sítio...)

Para ilustrar este post, recorro novamente ao meu guru Dilbert.

Dilbert 005

domingo, 4 de julho de 2010

Terapia de grupo

Edison - 0077 Terapia de grupo

sábado, 3 de julho de 2010

Ressaca da Copa (+ uma)

Claro, a Copa ainda não acabou, pelo menos para as outras seleções, mas fazendo um balanço das minhas frustrações nas duas últimas, constatei dois sentimentos diferentes: muita raiva em 2006 e um pouco de tristeza em 2010.

Em 2006 tínhamos um um elenco sensacional no papel, mas que não soube jogar como um time e deixou a impressão de que nem tentou, pois as vaidades e intere$$e$ dos jogadores e dirigentes eram a prioridade. Que raiva!

Desta vez, ao contrário do que todos esperavam quando Dunga foi escolhido como técnico, ganhamos várias competições, incluindo as Eliminatórias, quando até ganhamos da Argentina lá na casa deles. Na própria Copa, tivemos bons momentos, dentre os quais o primeiro tempo do jogo contra a Holanda, em que perdemos a chance de abrir um placar mais folgado. No segundo tempo, a debacle. Triste…

Se eu comparo uma das duas Copas acima com a de 1982?  Não, aquilo não tem comparação.

JT 1982

Capa do Jornal da Tarde, da edição de 5 de junho de 82.

Em tempo, cai fora Ricardo Teixeira e curriola!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Coisas da meia idade 3 - Ufa!

Essa triste tirinha é baseada em um depoimento verídico de um amigo…

Edison - 0076 Meia idade 3

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A São Paulo do século XIX, por Álvares de Azevedo

A capital da solidãoExtraí o texto abaixo de A capital da solidão, uma história de São Paulo das origens a 1900, o imperdível livro de Roberto Pompeu de Toledo, que estou lendo pela segunda vez - e já programando a terceira. Neste capítulo, ele mostra como a pequena cidade de São Paulo era vista por seus habitantes no século XIX, sob diversos pontos de vista, como este, de Álvares de Azevedo, então estudante da Faculdade de Direito de São Francisco, baseado em cartas que este escrevia à família:

“No Macário, Álvares de Azevedo descreve uma cidade não identificada, mas que, sem dúvida, é São Paulo, desdenhada com os mesmos argumentos que aparecem nas cartas: ‘Demais, essa terra é devassa como uma cidade, insípida como uma vila, e pobre como uma aldeia. Se não estás reduzido a dar-te ao pagode, a suicidar-se de spleen, ou a alumiar-te a rolo, não entres lá. É a monotonia do tédio.’ Até o calçamento da cidade entra, como nas cartas, na contagem negativa do poeta: ‘As calçadas do inferno são mil vezes melhores.’ Das ladeiras às mulheres, nada se salva: ‘A cidade colocada na montanha, envolta em várzeas relvosas, tem ladeiras íngremes e ruas péssimas. É raro o minuto em que não se esbarra a gente com um burro ou com um padre.’ Quanto às mulheres, a queixa é de que ‘não há em parte alguma mulheres que tenham sido mais virgens que ali.’ Por fim, há um anátema contra o fundador da cicade: ‘Devia ser um frade bem sombrio, ébrio de sua crença profunda, o jesuíta que aí lançou nas montanhas a semente dessa cidade.’ Para Álvares de Azevedo, São Paulo tinha o gosto amargo do exílio. A cidade pesava-lhe como uma condenação.”

Related Posts with Thumbnails