quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A mensagem

Bip

Essa história se passa num tempo em que o celular ainda não era muito comum e a forma mais barata de se manter em contato com o mundo era possuir um bip ou um cartão telefônico. O bip era como a função de mensagem dos celulares atuais, porém não havia como passá-la diretamente, tinha-se que ligar para uma central que a enviava ao destinatário. Talvez exista até hoje, não sei. O cartão telefônico ainda existe.

Minha esposa tinha um. Como ela estudava em São Paulo, era uma boa forma de mandar um recado ou pedir para ela entrar em contato.

DigbyNum belo sábado de manhã, tínhamos um compromisso e ela havia saido para fazer um trabalho. Combinamos que assim que o Digby, nosso poderoso poodle toy, voltasse do pet shop devidamente banhado e tosado, eu lhe mandaria uma mensagem e ela voltaria para casa.

Dito e feito, quando cheguei com o Digby em casa, liguei para a central de recados e ditei a mensagem:

- Amor, pode vir que o menino já está pelado.

Quando eu estava na última sílaba, me toquei da besteira que havia falado. Fez-se um silêncio constrangedor. A moça, provavelmente muito mais acostumada a ouvir besteiras do que eu a emiti-las, foi mais rápida:

- Senhor, eu não posso transmitir esse recado!

Tentei explicar o inexplicável:

- Não, não é nada disso… minha esposa… o cachorro… pet shop…

Mas ela foi implacável:

- Sinto muito, senhor, mas eu não posso mandar esse recado.

E desligou. O remédio foi ligar novamente e mudar o recado.

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