sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Uma breve história do jazz – Free, Fusion e além

As experiências dos anos 50, a versatilidade de músicos como Charles Mingus (1922-1979) e John Coltrane (1926-1967) e a combinação dos ritmos mais tradicionais do jazz com harmonias mais modernas, culminou no Free Jazz, atonal, sem métrica, sem tempo, com total liberdade. “Eu toco a simples emoção”, declarava o saxofonista Ornette Coleman (1930).

Durante os anos 60 e 70, muitos músicos seguiram essa tendência, inclusive o brasileiro Hermeto Pascoal (1936). Ele é um dos maiores instrumentistas que já apareceram por esse planeta. Tira som de qualquer coisa que não esteja no vácuo - e que som! Ouçam Hermeto e Sivuca interpretando Bebê, do próprio Hermeto, em Montreux. Quem gosta de jazz e música instrumental brasileira tem que ouvir isso.

Ao mesmo tempo, o rock estava se tornando incrivelmente popular e muitos dos novos jazzistas cresceram ouvindo essa música. Foi quase natural a incorporação de elementos do rock em suas interpretações, afinal, o jazz e o rock tinham raízes comuns no blues, gospel e outras.

Um dos primeiros músicos a fundir esses elementos foi o guitarrista Larry Coryell (1943), em seu grupo Free Spirits, formado em 1966. Estava lançado o Jazz-Rock, ou Fusion. Se bem que o termo fusion pode designar também a fusão do jazz com outros gêneros.

Ao mesmo tempo, muitos roqueiros como Jimi Hendrix (1942-1970), Cream, Greatful Dead, Frank Zappa (1940-1993) e outros, começaram a experimentar o caminho inverso, introduzindo elementos do jazz como harmonia e improvisação em seu som.

Miles Davis (1926-1991), que já havia participado de vários movimentos do jazz, como o be-bop e o cool, começou a sentir a necessidade de mudar novamente. Em 1969 lançou o álbum In a Silent Way, com a participação de Joe Zawinul (1932-2007), Chick Corea (1941), Herbie Hancock (1940) e John McLaughlin (1942). Apenas seis meses depois, lançou Bitches Brew, um dos álbuns de jazz mais vendidos até hoje.

Do grupo de Miles sairam vários músicos notáveis que mantiveram seu legado em carreiras independentes, como Chick Corea, por exemplo.

John McLaughlin, com sua Mahavishnu Orchestra. Ao violino, Jean Luc Ponty.

Joe Zawinul, para muitos um dos maiores tecladistas do jazz, com seu grupo Weather Report.

E Herbie Hancock, que com seu álbum Headhunters fez muito sucesso à época.

Um sub-gênero do jazz-rock surgiu a partir do Headhunters, com mais ênfase no funk e outros ritmos mais dançantes. Alguns nomes dessa tendência são a banda Spyro Gyra, Grover Washington Jr. (1943-1999) e Kenny G. (1956). Sim, ele mesmo.

Mas não se preocupem, vou finalizar com o som fusion do baterista Dave Weckl, que tocou com Chick Corea na Elektric Band.

A partir dos anos 90 é difícil definir exatamente para onde foi ou vai cada tendência, mesmo porque os fatos são relativamente recentes e não cabe num levantamento histórico. É melhor deixar a tarefa para outro, daqui a uns 20 anos, já sob uma perspectiva histórica.

Então é isso, termina aqui nossa breve viagem pela história do jazz. Muita coisa teve que ser deixada de fora, mas creio ter atingido o objetivo de dar uma geral em todas as vertentes, ou pelo menos nas mais significativas. Num assunto tão apaixonante, foi inevitável ter me exaltado em alguns momentos e irônico em outros, deixando um pouco de lado a imparcialidade. Salvo esses pequenos escorregões, espero que tenham gostado do resultado final.

Jazz é nóis 

Leia mais em

Uma breve história do jazz – O início
Uma breve história do jazz – O elo perdido
Uma breve história do jazz – The Trumpet Kings
Uma breve história do jazz – O Blues
Uma breve história do jazz – A Era do Swing
Uma breve história do jazz – As Divas
Uma breve história do jazz – O Bebop
Uma breve história do jazz – Cool & Hard Bop

Nota: Essa Breve História foi publicada originalmente no blog Musicólatras.

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