segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Uma breve história do jazz – As divas

Segundo o Aurélio, diva é uma palavra de origem italiana que pode significar 1. Deusa. 2. Mulher formosa. 3. Cantora notável. Tradicionalmente utilizada para designar as cantoras de ópera, rapidamente serviu de epíteto para as maravilhosas vozes femininas que deixaram sua marca na história do jazz.

Alguns nomes são quase unanimidades, outros nem tanto ou não são tão conhecidos, mas sem dúvida encaixam-se com perfeição na definição acima. Pensei em colocar um exemplo em vídeo da cada uma das “minhas” divas. Achei pelo menos três vídeos imperdíveis de cada uma. Num esforço de concisão, consegui reduzir para os dois mais significtivos, mas convido-os a procurar mais no YouTube.

Billie Holiday (1915 - 1959)

Essa é uma que figura em todas as listas. Billie é considerada por muitos como a maior cantora de jazz de todos os tempos. Mas antes de chegar lá, teve que ralar barbaridade: infância pobre, estupro, prostituição. Saiu de casa para ganhar a vida dançando em bares, mas como não levava muito jeito, um dia um penalizado pianista lhe perguntou se sabia cantar. E como sabia! Conseguiu o emprego e nunca mais parou.

 

 

Anita O'Day (1919 - 2006)

A primeira vez que ouvi Anita O’Day, foi numa gravação da banda de Gene Krupa de Let me off uptown, que é música a do primeiro vídeo. A bem da verdade, esclareço que a gravação original era bem melhor que essa do vídeo, mas coloquei-o por razões sentimentais. Teve seus grandes momentos nas décadas de 40 e 50. Anita! Oh, Anita!

 



Blossom Dearie (1924 - 2009)

A Wikipedia quase nada fala sobre ela, deve ser porque morou e cantou por algum tempo na França, mas está no meu rol de divas. Tem uma voz delicada, quase infantil, ao mesmo tempo sensual, sofisticada e cheia de swing.

 

 

Sarah Vaughan (1924-1990)

Sarah também não podia ficar de fora dessa galera de divas. Aos 18 anos venceu um concurso em Nova York cantando Body and Soul. Em segundo lugar ficou sua amiga Doris Robinson, que foi acompanhada ao piano por Sarah. Entrou para a banda de Earl Hines (1903-1983) ainda na era do swing e depois partiu para carreira solo. Nos anos 70 teve um revival e gravou Beatles, Tom Jobim e o songbook de Duke Ellington entre outras coisas boas.

 



Ella Fitzgerald (1917 - 1996)

Ella é a minha predileta. Não é por acaso que ela é conhecida como a “Primeira Dama da Canção”. Quando criança queria ser dançarina, mas encantou-se com um disco da cantora Connee Boswell. Após a morte de sua mãe, trabalhou dois anos como vigia de boate e casa de jogos. Começou a cantar profissionalmente aos 17 anos e foi logo contratada pela orquestra do baterista Chick Webb (1905-1939). Passada a febre do swing, deixou-se influenciar pelo Bebop, principalmente Dizzy Gillespie (1917-1993), com quem cantou durante bastante tempo. São também notáveis seus songbooks, em que registrou alguns dos maiores standards americanos. Gosto especialmente dos dois volumes dedicados a Cole Porter (1891-1964), mas ela gravou também George Gershwin (1898-1937) e Duke Ellington (1899-1974).

Nesse primeiro vídeo ela ataca de Tom Jobim, com o Samba de uma nota só, que ela considera “little jazzy”. O legal nessa música é a grande exibição do scat singing, em que ela era mestra.

 
Sintam só o swing nessa grande interpretação de Mack the Knife, com direito a uma impagável imitação de Louis Armstrong (1901-1971).

 
Ah, não aguento, lá vai o terceiro vídeo d’Ella, dessa vez com o próprio Louis Armstrong.



Leia mais em
Uma breve história do jazz – O início
Uma breve história do jazz – O elo perdido
Uma breve história do jazz – The Trumpet Kings
Uma breve história do jazz – O Blues
Uma breve história do jazz – A Era do Swing

Nota: Essa Breve História foi publicada originalmente no blog Musicólatras.

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