terça-feira, 11 de maio de 2010

Obrigado você!

Tenho bronca quando alguém usa uma expressão de forma errada crente que está falando corretamente. E não estou me referindo aos gerundismos nem aos que teimam em falar palavras difícies fora do contexto. As que me deixam mais invocadas são justamente as expressões mais corriqueiras. É o que acontece com o “obrigado”, por exemplo.

Quando alguém nos faz um favor e nós dizemos “obrigado”, estamos implicitamente dizendo algo como “fico muito agradecido e me sinto obrigado a retribuir-lhe a gentileza.”

Daí que nessa situação os homens devem dizer “obrigado” e as mulheres “obrigada” (“fico muito agradecida e me sinto obrigada a retribuir-lhe a gentileza”). É tão comum, contudo, ouvir mulheres falando “obrigado” que, embora doa nos ouvidos, já quase não ligo pra isso. Li em algum lugar que as normas gramaticais já admitem essa forma exatamente por ter se tornado tão comum.

A um “obrigado” sincero nosso, o interlocutor pode responder com “de nada” ou “por nada”, significando que a gente não está obrigado a nada, que era obrigação dele fazer aquilo. Mais forte ainda é quando a pessoa solta um “obrigado eu”, pois implica em que, além de nos fazer a gentileza, ainda se considera nosso devedor!

Porém é inexplicável receber como resposta um “obrigado você”, como que concordando que eu tenha ficado devendo um favor, ou insinuando que meu “obrigado” nã o foi sincero. Parece ir contra as mais básicas noções de convívio social, mas é ignorância pura e simples.


Atualização em 12/05/10: Este post foi escrito ontem sob uma febre de 39ºC e com o olho inchado por uma alergia, por isso tem esse aspecto de delírio, mas não vou mudar nada não.

Obrigado.jpg

Nesse caso, você tem todo o direito de responder “obrigado você”.

Um comentário:

Fernando J. Pimenta disse...

Júnior, eu tava cá matutando... e se o "obrigado você", for uma redução de "obrigado a você"?

Neste caso, então, faria sentido.

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