segunda-feira, 1 de março de 2010

O último voo do flamingo

O último voo do flamingo“Os fatos só são verdadeiros depois que inventados.” (ditado de Tizangara)


“Do que me lembro jamais eu falo.
Só me dá saudade o que nunca recordo.
Do que vale ter memória
se o que mais vivi
é o que nunca se passou?”
(Sulplício)

 

Sulplício é o nome do pai do narrador do ótimo romance O último voo do flamingo, do moçambicano Mia Couto.

A história gira em torno dos misteriosos desaparecimentos de alguns soldados das forças de paz da ONU que estavam em Tizangara após a guerra civil que devastou Moçambique desde a sua independência em 1975 até o inicio dos anos 90. Os fatos narrados são o pano de fundo para a crítica de seu autor aos semeadores de guerras e aos que delas vivem.

”(…) naquele tempo não havia antigamentes.”

Mia Couto brinca com as palavras, transforma substantivos em verbos, verbos em adjetivos e nos faz meditar com a sabedoria simples do povo.

“Não me basta ter um sonho.
Eu quero ser um sonho.”
(Ana Deusqueira, prostituta)

Segundo crenças locais, os flamingos são anunciadores de esperanças. É o seu voo no final da tarde que levará o sol para o outro lado do mundo e o fará brilhar novamente no dia seguinte. O romance transmite exatamente a angústia que o autor sentiu quando soube, em visita ao sul de Moçambique, que há muito tempo os flamingos não voam mais por lá.

Um comentário:

Marília disse...

Esse livro é fantástico.

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