domingo, 21 de março de 2010

O lado não bucólico do trenzinho

A modernidade em São Paulo está no emaranhado de tempos das relações sociais. Está no arrastar de pés que por esse espaço dissemina as contradições do moderno. Está nos desencontros.

O mundo moderno chegou lenta e marginalmente a São Paulo já no século XVIII. Por isso, não chegou para todos nem fez sentido para a maioria da população. Pouquíssimos perceberam as mudanças que chegavam.

Trem ParanapiacabaEssa lentidão foi abalada na década de 60 do século XIX, quando a ferrovia, saindo do porto de Santos, deslizou pela íngreme Serra do Mar e inundou o planalto com seu tempo próprio, a mentalidade da pressa, do chegar logo, a de estar no mesmo dia em dois lugares antes separados por dias de cavalgada. O homem deixava de ser o condutor da tropa para ser conduzido como tropa.

Extrato do texto “A gestação do ser dividido: a ferrovia e a modernidade em São Paulo”, de José de Souza Martins, em A Aparição do Demônio na Fábrica, publicado em 2008 pela Editora 34 Ltda.

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