sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Congestionamentos

Sei que não é exatamente uma novidade, mas não há quem aguente mais o trânsito em São Paulo. Em qualquer dia, a qualquer hora.

O parâmetro utilizado pelos sádicos repórteres aéreos e as pobres autoridades de trânsito para dimensionar o congestionamento é o comprimento da encrenca. Medido nas principais ruas avenidas da cidade, eles vão somando, somando, até que chegam aos inacreditáveis 200, 300 km do congestionamento nosso de cada dia.

Vez por outra, a Prefeitura abre uma rua ou avenida nova. A alegria dura pouco, pois um mês depois ela já está completamente congestionada. Minha esperança é o Rodoanel. Quando ele começar a funcionar pra valer, vai desviar uma gigantesca quantidade de caminhões que não precisariam atravessar São Paulo e cá estão a fazer volume. Mas esse alívio vai durar quanto tempo?

Com o trânsito parado, cada carro ocupa aproximadamente 5 metros de comprimento, incluindo-se o espaço entre um e outro.  Admitindo-se que em média as ruas consideradas pelo CET tenham três faixas de largura, temos que um congestionamento de 300 km significa, na prática, que mais ou menos 200.000 veículos estão parados naquele momento com um monte de gente nervosa desperdiçando preciosas horas de sua vida. Nesse meio tempo, alguns veículos chegam ao seu destino e outros partem, assim, o trânsito permanece ruim por horas a fio.

A frota de veículos particulares em SP é de 6 milhões unidades, ou seja, esse trânsito todo é causado pontualmente por apenas 3% da frota. Imagine se mais gente resolve sair às ruas no mesmo horário. Medo!

É por isso que não tem mais hora nem dia bom para sair de casa. Todos já redistribuíram seus horários, na medida do possível, saindo mais cedo ou chegando (muito) mais tarde em casa. O colapso final se aproxima a galope, ou melhor, sobre rodas.

Enquanto isso, a Prefeitura e o Estado descobriram uma solução genial para reduzir o comprimento do trânsito em São Paulo: alargar as ruas. Isso é o que está sendo feito nas nossas marginais. Um aumento considerável da área de estacionamento da cidade.

Pistas.jpg

4 comentários:

Marília disse...

Em vez de comprimento da encrenca será medida a largura da encrenca. É isso?

JAMES disse...

Tomara que resolva um pouco esse problemão de cidade grande, hehehe!

Fernando J. Pimenta disse...

O problema de "horizontalizar" as vias é o espaço que isso vai tomando das margens de "rios" (que nem rios são mais) e de canteiros verdes. Na verdade a solução do problema seria ir à raiz: por que tantos carros? Mas isso depende exclusivamente da consciência de cada um, e jamais poderia ser legislado.

Edison Junior disse...

Não só da consciência, mas da existência de transporte coletivo decente e para todos, mas isso ainda vai demorar muuuuuito...

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