sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A porta do lado - Dráuzio Varella

Em entrevista dada pelo médico Dráuzio Varella, disse ele que a gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada. E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente...

É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.

Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior.

Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes. Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes. Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença.

O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote. Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato.

Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles.

Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato.

Eu ando deixando de graça... Pra ser sincero, vinte e quatro horas têm sido pouco prá tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.

Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem; pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a "porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato.

Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado." Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não estrague o seu dia.

Use a porta do lado e mantenha a sua harmonia. Lembre-se, o humor é contagiante - para o bem e para o mal - portanto, sorria, e contagie todos ao seu redor com a sua alegria. A "Porta do lado" pode ser uma boa entrada ou uma boa saída... Experimente!

Nota: 
recebi este texto por e-mail, por isso não tenho certeza de ser realmente de Dráuzio Varella; seja dele ou não, coloco aqui porque achei legal.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Cálculo escatológico

Você, fino leitor, caso seja facilmente impressionável ou dotado de estômago fraco, peço-lhe que não leia este tópico. Não perderá grande coisa, de qualquer forma.

No Carnaval que passou, segundo o DERSA, órgão que cuida das duas principais estradas que dão acesso ao litoral paulista, 457 mil veículos saíram da cidade de São Paulo e arredores e desceram a Santos e demais cidades litorâneas.

Sem grande rigor estatístico, consideremos uma média de 2 pessoas em cada veículo, o quê nos dá a bagatela de quase 1 milhão de pessoas. Uma verdadeira migração, ainda que temporária.

Somando esse 1 milhão de pessoas ao 1,7 milhão de habitantes daquelas aprazíveis cidades, considerando-se somente a faixa que vai de Peruíbe a Bertioga, dá um total de 2,7 milhões de pessoas.

Distinto leitor, aviso que é sua última chance de parar de ler este post!

Se pensarmos que cada uma dessas pessoas, salvo casos crônicos de ressecamento, defecam por volta de 300 gramas por dia, com uma conta simples (2.700.000 pessoas x 0,3 kg por pessoa) chegamos à conclusão que são produzidos 810 toneladas de bosta por dia!

Agora, aí vem a pior parte, adivinha onde essa merda toda é lançada? No mar! Sim, no mar, onde todos aqueles turistas pegam ondas e se refrescam, e alguns até conseguem admirar um peixinho passando (será que era mesmo um peixinho?)

Ok, ok, sei que existem emissários que lançam uma boa parte desse esgoto bem longe da praia, mas a sopa continua a mesma, só muda um pouco a concentração.

E aí, já decidiu onde você vai passar o próximo feriado?

P.S. Eu avisei, teimoso leitor, mas você não me deu ouvidos, Agora não adianta ficar aí tendo engulhos e dizendo que eu sou um estraga-prazeres, da próxima vez não leia.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Quarta-feira de Cinzas

E não percam amanhã, em qualquer canal, da série "eu já vi isso em algum lugar", o especial de quarta-feira de cinzas com a tradicional entrevista com o gari limpando o sambódromo e a não menos tradicional sambadinha que o repórter pede para ele dar no final.

Se você perder não tem importância, no ano que vem tem de novo.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Segurança do Trabalho

Uma das maiores preocupações das empresas sérias é com a segurança do trabalho, tanto pelo custo que gera um acidente quanto pela imagem da empresa. Ah, sim, e também pelo cuidado com seus empregados.

Hoje em dia elas fazem toda sorte de exames médicos para quem trabalha em altura, eletricidade ou operadores de máquinas ou veículos, além de oferecer os equipamentos de proteção individual necessários.

Mas nem sempre foi assim. Veja nestas fotos, tiradas em diversas construções de arranha-céus nos EUA nas décadas de 20 e 30, a total displicência com que os próprios operários tratam de sua segurança. Dá até arrepio.

















E aqui, o fotógrafo Charles C. Ebetts em pessoa:


sábado, 21 de fevereiro de 2009

Pesquisa - Horário de Verão

Por 4 votos contra 3, a opção “Odeio o Horário de Verão” venceu a pesquisa. Era para ser uma lavada, mas as outras pessoas que iriam votar pelo “Odeio” pegaram no sono antes de votar.

 

Eu juro que não votei!

Pesquisa - Layout novo

25% dos eleitores (minha mãe) adoraram o novo layout do blog, enquanto que os outros 3 votantes “apenas” gostaram. Isso me dá 100% de aprovação.

 

Legal, nem o Lula conseguiu isso!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O Especialista

"Vancês com certeza já ouviram falar que nós estamos no tempo dos especialistas. O meu ofício é de carpinteiro. De primeiro eu fazia casas, fazia galinheiro, e inté igreja eu fazia. Mas depois vi que era perciso um especialista no meu ofício. Assuntei, assuntei inté que dei com a minha especialidade. Fiquei nela! Minha gente, ocês estão falando com o melhor construtor de privada em toda essa várzea do Pixiri."

Assim começa um conto engraçadíssimo que eu li. O Especialista foi escrito pelo comediante e ator americano Charles Sale por volta de 1929 e é de uma atualidade impressionante, obviamente não em relação à construção de privadas, mas com os "especialistas" que abundam por aí, com o perdão do trocadilho.

Escrito em primeira pessoa, ele se põe a explicar as dificuldades de seu ofício desde a escolha do melhor local para instalação da "casinha" - sim, é do tempo em que latrina ficava fora do corpo da casa - até os perigos de construí-la por conta própria sem consultar um especialista. Ele tece considerações sobre o consumo de jornal e até recomenda a colocação de um bauzinho para guardar as espigas que algumas pessoas de idade ainda poderiam preferir ao jornal. Chega a ser comovente seu orgulho com as suas duas obras mais importantes: a privada de 8 buracos e a privada do Major.

Se alguém se interessar pela leitura é só me pedir que eu mando por e-mail. Recomendo!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O primeiro engenheiro


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Taí!

Leitora atenta do meu blog e minha maior incentivadora, minha mãe teve uma ótima ideia para resolver o problema dos buracos na camada de ozônio que causam o efeito estufa.

Antes de falar da ideia em si vamos tratar de sua gênese.

Ela gostou tanto do meu post sobre a substituição das sacolas plásticas, que desde então sempre leva sua sacola de feira quando vai fazer suas compras, porém, assim como eu, ela vê poucas pessoas tomando a mesma atitude e intui que seu gesto isolado não vai resolver o problema e os lixões vão continuar a aumentar cada vez mais.

Por falar em lixão, outra postagem que a impressionou foi a dos objetos voadores que giram em torno de nosso planeta. É realmente preocupante pensar que há 12 mil coisas pairando sobre nossas cabeças e, por mais que a gente acredite nos princípios gravitacionais que os faz ficar suspensos, é fato que de vez em quando cai uma estação espacial aqui e ali.

Então por que não lançar as sacolas plásticas ao espaço para tapar os buracos na camada de ozônio? Hein? Hein? Hein?

É só amarrar umas nas outras e prender o lençol plástico nos satélites, estações e demais objetos. Reconheço que o plano é de difícil consecução, mas isso cabe aos especialistas. A ideia está lançada. O patrocínio poderia vir dos próprios supermercados.

Proteção da camada de ozônio 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Vende-se

              
                
Tirei essa foto no estacionamento de um supermercado. O dono apregoa que seu carro é 80% original. Espero que os pneus, freios e amortecedores façam parte dos 20% que foram trocados ao longo dos últimos 36 anos.
             

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Objetos voadores

Estima-se que mais de 12.000 objetos estejam girando em órbita da Terra, entre satélites, estações espaciais, propulsores de foguetes e lixo puro e simples. Na foto abaixo esses objetos são aumentados para dar uma ideia da quantidade que representam. Não admira dois satélites, um russo e um americano, terem colidido na semana passada.

Objetos em órbita 

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Guartelá e Guartelá Real

A internet é cheia de surpresas. Outro dia recebi um e-mail com fotos de um cânion maravilhoso, num lugar chamado Guartelá, no Paraná. As fotos reproduzidas abaixo mostram uma paisagem que impressiona por sua grandeza, pela beleza e principalmente por estar tão perto de nós. Como é que eu nunca tinha ouvido falar nisso?

Folder Guartelá


Conheço pessoalmente algumas paisagens impressionantes, aqui mesmo no Brasil, como Itambezinho, no Rio Grande do Sul, e a Chapada Diamantina, na Bahia. Conheço por foto o famoso Gran Canyon, no Estado do Arizona, nos EUA, e Guartelá se lhe equivaleria em grandeza.

Resolvi pesquisar um pouco e, para minha surpresa, descubro que as fotos que vieram como sendo de Guartelá são de fato do Gran Canyon – clique aqui – pode ver, as fotos são as mesmas.

Algum gaiato, talvez até bem intencionado com relação à verdadeira Guartelá (atrair turistas?), ou talvez com puro espírito brincalhão, jogou o ar estas fotos que não só circulam por e-mail como há pessoas que as colocam em seu próprio site como sendo de Guartelá mesmo, como você pode ver clicando aqui (atualização em 02/11/2009 – não poder ver mais, pois o site em referência saiu do ar…)

Não deixa de ter sua graça. Há tantas bobagens circulando pela internet que é difícil separar o que é verdadeiro do que é falso. É muito fácil lançar um boato por e-mail, como aquele do vírus que acabou de ser descoberto e que vai apagar seu disco rígido.

Pois bem, Guartelá de verdade deve ser até um lugar legal de conhecer, conforme se pode ver nas fotos a seguir, copiadas de alguns sites mais confiáveis como 360graus e um com fotos de Jeffrey Shimizu.

Folder Guartelá Real


A propósito, já que eu mencionei Itambezinho e Chapada Diamantina, segue uma foto de cada:


sábado, 14 de fevereiro de 2009

“Diálogo” num posto de gasolina

Essa aconteceu com a gente há muitos anos. Em viagem ao interior, depois de várias horas de viagem, paramos para abastecer em um posto de gasolina na beira da estrada.

Cansados e com nossos próprios problemas de controle emocional da população infantil dentro do carro, começamos a ouvir no fusquinha vermelho que estava abastecendo na bomba ao lado uma mulher esbravejando com as crianças no banco de trás.

Com um forte sotaque caipira, mal conseguíamos distinguir o que a mãe gritava a seus filhos, porém o grito final foi inesquecível:

- Cala a boca, seu ‘fio’ duma merda!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Horário de Verão


Termina neste final de semana o Horário de Verão. Os relógios devem ser atrasados em uma hora entre sábado e domingo.

Oba! Final de semana prolongado! (ahahaha... piada velha, porém boa).

Muito já se debateu sobre a necessidade de ter um horário diferenciado no período de verão que, segundo especialistas do governo, produz uma economia de energia de até 5%. As palavras “especialista” e “governo” isoladamente já me trazem certa desconfiança. Juntas são o prenúncio de catástrofes e/ou mentiras.

Realmente não entendo de onde vem essa economia. As luzes das ruas ficam acesas desde a hora em que escurece até o amanhecer, independentemente da hora que marca no relógio. Eu chego em casa e tomo meu banho sem olhar pela janela se está claro ou escuro. As fábricas funcionam a toda carga (antes da crise) durante o mesmo período de tempo, seja no verão, seja no inverno.

Além disso, o maior consumo de energia no país é na região sudeste e a maior parte dela vem de hidrelétricas. Ora, nós que aqui moramos sabemos que a água não é propriamente um problema nesta época do ano e quem não é daqui pode ver todo dia nos jornais. A água excedente é lançada pelos vertedouros das barragens, o que, aliás, é um espetáculo lindíssimo, mas não dá para guardar a água. Portanto, o que realmente significa essa economia de energia? Quem economiza?





O Horário de Verão não atinge o Brasil inteiro. No Nordeste, por exemplo, onde eles dizem que seguem o “Horário de Deus” (não é mesmo MJ?), não tem. Durante o Horário de Verão eles pelo menos assistem à novela das 8 às 8 mesmo. Imaginem a confusão e o transtorno para as companhias aéreas que têm que mudar a tabelas de horário de seus voos? Se sem isso elas já infernizam a vida dos passageiros, imagine com.

"Ah, mas com o Horário de Verão eu chego mais cedo em casa, posso ir a um boteco tomar umas e outras, ir à praia etc."

Bom, praia não tem por aqui e os botecos felizmente funcionam à noite também.


Eu também gosto de sair do trabalho e chegar de dia em casa, mas eu odeio sair de casa para trabalhar com as ruas ainda escuras, como tem sido nos últimos dias. Me sinto um lobisomem. Me desculpem os que gostam, respeito isso, mas eu não me acostumo com esse negócio de acordar uma hora mais cedo todo dia. Estou esbagaçado.

Para mim, a melhor coisa no Horário de Verão é quando acaba. Já vai tarde.

E você, o que acha? Responda a pesquisa ao lado.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Ademir e as maritacas


O Ademir é um grande amigo meu. Mas amigo mesmo. Uma dessas pessoas que passa pela vida da gente e mesmo que os destinos profissionais ou pessoais deixem de se cruzar, ainda assim mantemos o contato. E a amizade. Sujeito superprofissional e leal. Dividimos por um bom tempo as agruras comuns de trabalhar em uma empresa grande e massacrante. Nossa amizade foi construída durante esse difícil período.

Um dia, não muito distante, ele se aposentou e saiu da empresa onde trabalhou por quase 30 anos (que inveja!!!!). Resolveu parar e parou. Hoje divide seu tempo e o de sua caríssima esposa, também aposentada, entre a casa no litoral onde mora e uma outra comprada há alguns anos no interior, a qual vem reformando aos poucos e adaptando ao seu gosto e necessidade.

Outro dia ele me ligou para conversar e me contou que tem como inquilino na casa nova um casal de maritacas que habita o vão entre o forro e o telhado. Inquilinos altamente indesejáveis. Além de barulhentos, costumam, segundo asseguram outros moradores do local, comer a fiação elétrica.

Mas como se livrar delas? Tentou espantá-las de várias maneiras sem sucesso. Empregou os mesmos métodos que havia utilizado para espantar uns gambás há uns meses, mas não serviram para as maritacas. Aparentemente, a melhor solução seria comprar um estilingue e... encher o saco delas ou assustá-las até que desaparecessem. Ambientalista convicto, o Ademir relutou em acatar essa sugestão, mas chegou uma hora em que não aguentou mais: rasgou seu diploma do Green Peace em mil pedaços e saiu para comprar a arma. Lembra daquele filme Um Dia de Fúria?

Foi difícil de achar, mas perguntando a um menino na rua com cara de Denis, o Pimentinha, descobriu uma loja que vendia. Lá soube que havia estilingues de dois tamanhos. O pequeno, era para crianças, não servia, não podia se submeter a esse ridículo, o Ademir quando resolve fazer uma coisa é pra valer! Ele acabou comprando o grande, que pela sua descrição deveria ser para uso exclusivo das Forças Armadas. No caminho para casa, apanhou um pouco de brita (1 kilo!) numa obra e lá se foi ao encontro da maritaca.

Antes que você imagine um final trágico para essa história, já adianto que ele não acertou sequer uma pedra nos animais. Algumas até passaram perto, mas só conseguiu quebrar algumas telhas, amassar a calha e marcar a pintura da parede da sua casa. Mas maritaca que é bom, nada.

O Dia de Fúria virou um desenho animado do Pato Donald tentando espantar o Tico e Teco da árvore.

Ele já desistiu. O negócio é partir para o plano B: esperar que as maritacas deem cria, retirar cuidadosamente o ninho e colocá-lo em um local próximo. E reformar o telhado para que nunca mais entrem animais por ali.

O plano C é mais radical: esquecer a casa e voltar a trabalhar, mas ponho fé em que nem as maritacas consigam abalar de tal forma a sua sanidade mental.

Em tempo:


E aí estão, Cuca e Beludo, conforme batizado carinhosamente pelo Ademir. Segundo ele, "Não experimente pronunciar rapidamente o nome das duas aves nesta sequência, pois o resultado é foneticamente estranho". Ele jura que foi sem querer.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Ping pong


Tomado por um súbito impulso saudograstronômico comprei um chiclete ping pong na padaria. Estava pagando o pãozinho que havia comprado e não resisti àquele gosto colorido de antigamente me chamando do balcão por apenas R$ 0,10. Há quanto tempo!

O ping pong foi o meu chiclete de infância. Não havia muitos, é verdade. Além dele, me lembro do Adams, que era coloridinho e com casquinha dura, e uns raros importados que eram difíceis de conseguir. Uma era prébabalu, eu diria. A gente comprava o chiclete e vinham umas figurinhas - piadinhas, jogadores de futebol, tatuagens etc.

Fui abrindo a embalagem enquanto guardava o troco do pão. O papel grudou um pouco e tive dificuldade de abrir, pois estava com as mãos ocupadas, até rasgou a figurinha. Mas antes mesmo de chegar à calçada ele já estava em minha boca.

De cara estranhei o gosto, decididamente não era o mesmo de que minhas papilas gustativas se lembravam. A consistência também não era muito familiar, meio dura. Passados 20 metros o gosto do chiclete começou a sumir. Aos 30 acabou de vez. Só a dureza aumentava a cada mastigada. Uma decepção.

Fosse nos meus tempo de criança, eu teria me livrado do chiclete ali mesmo na rua, mas como os dias de hoje são mais civilizados, eu pelo menos tento sê-lo, continuei mastigando até chegar em casa, onde finalmente, e com câimbras no
maxilar, cuspi aquela porcaria que incontáveis cáries me deixou quando criança. Disso também me lembro.


Atualização 08/fev/2009: corrigido o nome do chiclete e acrescentada foto da embalagem (fonte: Memory Chips)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Cobras e lagartos


Quem mora na região sudeste do Brasil já está mais ou menos acostumado à ocorrência de enchentes nesta época do ano, principalmente na Cidade de São Paulo.

E desde antes da descoberta do Brasil. Os índios que por aqui viviam chamavam a terra de Piratininga, que na linguagem tupi quer dizer “terra do peixe seco”.

Pois é, peixe seco, porque após as chuvas e o consequente alagamento das várzeas do Tietê e seus afluentes, sobravam os peixes que não conseguiram voltar a tempo para o leito dos rios. Veja que notável: já houve peixes nesses rios!

As enchentes ocorrem porque o Tietê, que fica a menos de 100 km do mar, prefere correr lentamente para o outro lado, em direção ao interior do estado. De fato, deve ser um dos poucos rios do mundo que não correm para o mar.

O lento escoamento das águas aliado à impermeabilização do solo e chuvas mais fortes a cada ano, continuam causando seus estragos, apesar dos piscinões, aprofundamento da calha dos rios e outras medidas que vêm sendo tomadas pelos sucessivos governos que por aqui passaram.


Eu não sei se serve de consolo para quem teve sua casa invadida pelas águas e perdeu seus bens, mas leio no UOL que ontem houve uma enchente na Austrália e a grande preocupação das autoridades são as cobras e crocodilos que costumam seguir o leito dos rios e podem aparecer pelas cidades.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Leptospirose


Um médico falou para o amigo de um conhecido meu, enquanto ele convalescia de leptospirose no hospital, que os profissionais mais sujeitos a essa doença são os juízes e advogados. É que eles manuseiam documentos velhos, provavelmente mijados por ratos e, para virar as páginas, molham as pontas dos dedos com a língua (argh!).

Como eu não ouvi isso diretamente do médico em questão, hesitei em colocar a história aqui, mas ela me parece plausível demais para ser fantasiosa. Além disso, lembra o enredo de O Nome da Rosa, de Umberto Eco.


Obs. Não confundir com laptopspirose, que é uma doença que dá no laptop e é causada por xixi de mouse.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O semeador de estrelas


Esta estátua chama-se "O semeador de estrelas" e fica na Lituânia. Se de dia não faz muito sentido, à noite, com o auxílio de uma iluminação própria, ela adquire sua plena forma e beleza.

Faraday

Enquanto fazia suas primeiras experiências com eletricidade, Michael Faraday foi questionado por uma visitante:

- Para que serve isto?

Faraday respondeu com outra pergunta:

- Para que serve um bebê recém-nascido?
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