sábado, 28 de novembro de 2009

Propaganda danosa

image"A persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado"

"Xxxxx é um remédio, seu uso pode provocar efeitos colaterais"

"Yyyyy não é recomendado em caso de suspeita de dengue"

Estes assutadores avisos são emendadados obrigatoriamente nas propagandas de remédios como analgésicos, xaropes, anti-ácidos etc. Enfim, remedinhos que eu e você compramos na farmácia sem qualquer problema. É a chamada automedicação.

Claro, ninguém vai ao médico a cada vez que tem sinais de resfriado ou dor de cabeça, principalmente se não for a primeira vez que apresenta os sintomas. Todos temos nossa cota de remedinhos "inocentes" para os males pequenos e velhos conhecidos. Às vezes até alguns menos inocentes, aqueles de tarja vermelha que deveriam ter sido recomendados por um médico, mas as farmácias nos vendem numa boa.

De qualquer forma, a automedicação é uma prática condenada por qualquer autoridade médica que se preze. Pode criar resistência no caso de antibióticos ou esconder doenças mais graves em outros casos.

Daí me pergunto: se isso é tão danoso assim, por que permitir as propagandas de remédios? As mensagens acima, muitas vezes lidas em velocidades supersônicas que as tornam ininteligíveis, servem ao seu propósito?

Eu tenho cá comigo que não. São apenas uma forma politicamente correta (odeio essa expressão, mas cabe aqui) de alertar contra um perigo potencial. Da mesma forma que fizeram com o cigarro, que no fim acabaram proibindo a propaganda pura a simplesmente.

Ou então obriguemos outros produtos, alguns até mais letais que a aspirina, a ser acompanhados de avisos dos seus efeitos colaterais:

- Investimentos: “esse investimento envolve risco, consulte a seção ‘risco’ no site xxxxxxx” (esse existe de verdade)

- Computador: “o uso desse equipamento pode causar dependência”

- Automóveis: “seu uso por pessoas inabilitadas pode causar acidentes”

- Camisinha: “essa camisinha comprovadamente não fura, não deve ser usada como desculpa para falta de cuidado”

- Celulares: “o uso contínuo de celulares provoca faturas de valores elevados”

- Cônjuges: “não é recomendado para quem tem suspeita de alergia de sogras”

- Novelas/BBB: “não deve ser utilizado como instrumento de tortura e alienação”

- Chocolate: “engorda”

E muito cuidado com a clareza dos avisos! Senão acontece que nem na empresa que eu trabalho. De tanto ouvir que deveria fazer sexo com segurança, uma funcionária foi flagrada transando com o chefe da guarda. Ambos foram despedidos.

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