Em maio de 1995, a Rádio USP FM apresentou uma entrevista com Julinho da Adelaide, compositor de músicas como Acorda Amor (“chama o ladrão”) e Jorge Maravilha (“você não gosta de mim, mas sua filha gosta”). Essa entrevista foi ao ar no programa Memória, apresentado por Milton Parron, e eu tive a boa ideia de gravar em fita cassete.
Julinho da Adelaide era o pseudônimo utilizado por Chico Buarque no início dos anos 70, quando a censura tava brava pro lado dele. Na verdade, tava brava pro lado de todo mundo, mas a partir de um certo momento, a censura passou a podar simplesmente todas as músicas do Chico, e Julinho da Adelaide foi a figura que ele criou para burlar essa perseguição. Passou ileso pela censura com músicas que jamais passariam sob o nome de Chico Buarque e ainda por cima deu uma bela gozada da cara dos censores.
Essa entrevista gravada em 1974, foi feita por Mário Prata e Melchiades Cunha Junior, e publicada no jornal Última Hora, em São Paulo. Óbvio, o áudio não foi divulgado na época, mas mesmo assim, pouco tempo depois, desvendou-se a identidade de Julinho e a brincadeira acabou.
Minhas fitas estavam bem guardadas com uma grande amiga e agora as digitalizei. Retirei boa parte dos comentários iniciais e finais do Parron, o que é uma pena, pois são muito interessantes, porém encompridava demais, e mantive apenas os comentários que ele fez no meio da entrevista e as músicas.
A duração total é de quase 1 hora, mas vale a pena. A entrevista é muito engraçada e é um retrato colorido de tempos em branco e preto.
Se preferir a transcrição da entrevista na íntegra, clique aqui.
Para conhecer ou lembrar.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4: Essa última foi com o Chico mesmo, 18 anos depois, falando sobre o Julinho da Adelaide.
3 comentários:
Raridade...
Tinha em arquivo partes da entrevista.
Obrigado pelo post.
Celso
Genial!!!!! Continue postando essas obras culturais de tamanha importancia para nossa formação!
Que bom que você gostou, Thais! Chico Buarque é genial mesmo.
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