segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A vingança da exclamação

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Máquina 1Essa esdrúxula disposição das teclas do nosso computador descende das velhas máquinas de escrever. Para quem não sabe ou não se lembra, máquinas de escrever são uma espécie de computador composto por um teclado acoplado à impressora, sem tela e sem mouse. E sem qualquer recurso de edição de texto.

Esse padrão de teclado, também conhecido como QWERTY, por causa das letras da primeira fila, foi desenvolvido por um tal de C. L. Sholes, por volta de 1860.

Inicialmente as letras foram arranjadas em ordem alfabética em duas filas, mas o mecanismo emperrava a toda hora. Daí a necessidade de se fazer algo diferente. Há duas versões para a escolha do QWERTY. A mais fantasiosa diz que Soles fez o arranjo atual pensando em dificultar a vida dos datilógrafos, fazendo com que eles teclassem mais devagar.

Teclado 1A história mais verossímel relata que o arranjo deve-se ao problema que existia com o mecanismo das antigas máquinas. Se muitas teclas fossem apertadas ao mesmo tempo, as alavancas se enroscavam. Daí, o arranjo das letras foi feito de tal forma que, mesmo qua as letras ficassem próximas, as alavancas das duplas de teclas mais acionadas (em inglês) ficassem distantes, como é o caso do dígrafo ‘TH’, por exemplo.

A propósito, a palavra “typewriter” pode ser escrita utilizando-se apenas as letras da primeira fila.

Outros padrões já foram tentados, como o proposto por Dvorak (não, não é o compositor), em que pode-se escrever quase todas as 400 palavras mais comuns na língua inglesa somente usando as letras da fila central. Calcula-se que o esforço de digitação em um teclado Dvorak é 20 vezes menor que no teclado QWERTY.

Teclado Dvorak

Seja lá qual for o motivo, o padrão QWERTY permanece até hoje, e talvez fique por muito tempo. E, qualquer que seja o teclado, bons datilógrafos teclarão rapidamente e maus datilógrafos teclarão vagarosamente. Além disso, com a possível exceção dos alunos da Tia Nenê, quase todo mundo usa só dois dedos para digitar.

imageTanto num quanto noutro, a pobre tecla da “exclamação” ficou relegada ao dedo mindinho da mão esquerda.

Sempre desprezada, antigamente seu uso era considerado deselegante. Quando muito aparecia num diálogo, ainda assim quando alguém gritava. Num parágrafo normal nem pensar.

Scott Fitzgerald, por exemplo, dizia: “evite a exclamação, parece que você está rindo de suas próprias piadas”,

Pois não é que de uns anos pra cá esse alegre sinal gráfico deu a volta por cima e hoje é um importante elemento de comunicação?

Quem nunca viu em e-mails um “Obrigado!!!”? Assim mesmo, com vários pontos de exclamação. Num meio de comunicação menos formal como os correios eletrônicos, é muito mais simpático isso do que um mixuruca “Obrigado”.

No MSN, é possível um diálogo do tipo: “Vc gosta do Jorge?”. Resposta: “!”. Não precisa dizer mais nada.

E no Twitter então? Se Mr. Sholes fosse usuário do Twitter, a tecla da exclamação apareceria no lugar do “G” ou do “H”. Uma mensagem típica desse novo meio de comunicação pode ser: “Aê!!!!!!!! Já comprei o ingresso!!!!!!!!! Esse show não perco de jeito nenhum!!!!!!!!!!!

A origem do ponto de exclamação é incerta, tendo o primeiro aparecido por volta de 1400. O sinal gráfico deriva da palavra latina “Io”, que significa alegria. Um dia, talvez, alguém resolveu colocar uma letra em cima da outra e…

É isso! Viva a exclamação!!!!!!!!!!!!!!

Fonte: Wikipedia e artigo de Stuart Jeffries em guardian.co.uk

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