sábado, 22 de agosto de 2009

Velhos tempos

Eu não sou propriamente um saudosista, mas é legal assistir a esses vídeos feitos na metade do século passado. São documentários, alguns deles patrocinados pelo governo americano com objetivos demagógicos, mas dão uma ideia de como era a vida naqueles tempos.

Claro, todas as cenas mostram o lado bom de cada lugar, salvo exceções involuntárias, e quase sempre com uma visão estereotipada, mas valem o passeio.


São Paulo
:

Imagens lindas do centro da cidade, parques e edifícios, pessoas elegantíssimas (para os padrões atuais) andando pelas ruas, o crescente parque industrial e as casas com aspecto bastante moderno para 1943 (pena que eles não digam em qua bairro é). Legal também as imagens do Pacaembu, recém inaugurado, mostrando o morro, localizado atrás do que é hoje o Tobogã, onde muita gente costumava assistir aos jogos de graça, inclusive meu pai.


Rio de Janeiro
:

O Rio já é bonito por natureza. Nesse filme de 1932 então, quando a Natureza tinha um papel ainda mais destacado do que hoje, é simplesmente sensacional. Ao lado de tanta beleza, existe um momento muito feio, de racismo, quando, ao mostrar o mercado, o narrador fala em animais tropicais e a imagem fica alternando entre um macaquinho à venda e uma menina negra de olhos arregalados e mãos dadas com a mãe. Com boa vontade, a sequência até permite uma interpretação mais inocente, mas não foi essa a minha impressão. Tirando isso, vale a pena ver. Ah, sim, fiquei com dó das borboletas também.


Mais um do Rio, mais especificamente sobre o Carnaval, em 1955. Contém imagens de blocos de rua, bêbados, travestis (alguns beeeem à vontade), carros alegóricos mambembes e os bailes de salão, onde a alta sociedade se diverte com uma taça de champagne numa mão e o lança perfume na outra. Pode-se ouvir algumas marchinhas legais (“Se você me ama, se você me ama, eu quero a minha letra no seu monograma”).


Argentina
:

A “romântica Argentina” mostra cenas  lindas de Buenos Aires de 1932. Coisa curiosa é o camarada que desfila com uma vaca e seu bezerro e vende leite tirado na hora para os passantes, a propósito, sem higiene nenhuma. Legal também o Benito, um sujeito que alimenta pombos na praça e os pinta de várias cores – pena que o filme não seja colorido.


Cuba
:

Ao ver esse filme tem-se a impressão de que a população cubana era quase que exclusivamente branca. Mesmo assim, vale a pena ver. Os carros que aparecem devem ser os mesmos que circulam por lá até hoje, só que eram um pouco mais novos.


Nova Iorque
:

Esse de Nova Iorque também é muito legal, embora as imagens sejam todas familiares para quem gosta de assistir aos filmes daquela época. Recheado de edifícios, parques e monumentos, mostra também pessoas no dia a dia de uma cidade grande e o trânsito, que até dá a impressão de ser bem ordenado.


Paris
(sem som):

Pena que esse filminho não tenha som, mas tem letreiros como nos filmes mudos. E pensar que o exército alemão passou por aí menos de dez anos depois dessa filmagem…

Um comentário:

Fernando J. Pimenta disse...

Puxa, que pérola, Júnior! Já está nos favoritos, para que eu os veja assim que tiver o sonzinho do meu computador de volta.

Maravilha!

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