segunda-feira, 20 de julho de 2009

Tava na hora?

Ela perdeu o voo 477 da Air France, que deixou dezenas de mortos quando caiu no Oceano Atlântico. Na semana seguinte, ela morreu em um acidente automobílistico na Alemanha.

Ele acabou de sobreviver a um acidente na BR-101, em Santa Catarina. Ainda durante os trabalhos de resgate, enquanto um repórter o entrevista entre os veículos destroçados e o tráfego normal da estrada, um caminhão perde a direção e o atropela, matando-o na hora.

Nesses momentos é comum a gente ouvir que “tava na hora dele(a) morrer mesmo, quando a Hora chega não tem jeito”. É realmente tentador e confortante pensar assim. Esse fatalismo sobrenatural nos desobriga de pensar na nossa capacidade de interferir em nosso próprio destino.

Se esse determinismo da hora da morte existe, é porque algo superior a nós tem esse controle.

Parto do princípio de que os agnósticos não acreditam nisso.

Aos que atribuem a Deus a programação da nossa morte, atribui também a Ele a possibilidade de erro na lista de embarque para o céu. Por definição, uma falha de Deus é impossível.

Ah, como somos contraditórios os seres humanos… Será que pensamos e agimos assim em todas as circunstâncias?

Quem acredita tanto nessa verdade que deixa de ir a um médico tratar de sua saúde?

A que devemos o aumento geral da espectativa de vida ao longo das últimas décadas? À Medicina ou à uma reprogramação divina?

Geralmente a explicação mais fácil é a mais adequada. No primeiro caso, o que matou a garota, foi só a estatística. No segundo caso, foi a imprudência mesmo.

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