quarta-feira, 29 de abril de 2009

Homens-poetas

Eu tive um professor de Literatura no Colégio que gostava de pegar exemplos na classe para demonstrar seus pontos de vista.

Numa dessas aulas ele exemplificava como em diversas épocas os escritores e poetas se referiam à mulher. John Donne, um clérigo que viveu entre 1572 e 1631, retrata em seu poema “Elegia: indo para a cama”, a associação frequente do Novo Mundo com a mulher desejada:

Deixa que minha mão errante adentre
Atrás, na frente, em cima em baixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu Império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo.

Nessa altura o professor chamou um colega nosso, o Luiz, e disse:

- Notou, Luiz, como ele se referiu à moça? Como “América”! Virgem, desnuda, objeto de desejo do conquistador! Aposto que se você se deparasse com essa mulher diria apenas: “Ah! Que tesão!”

Não sei porquê, mas me lembrei dessa história outro dia. Bom, na verdade eu não decorei essa poesia, só me lembrava dela vagamente e me deu um trabalhão para achar e colocá-la aqui (um viva a São Google!).

Aí, eu fico pensando, por que é que um clérigo teria escrito uma poesia assim para uma mulher? Será ele ascendente do Bispo Lugo, do Paraguai? Não vem ao caso, mas aposto que na vida real ele dever ter olhado para a moça e falado igual o Luiz: “Ah! Que tesão!”

Pois é, queira meu professor ou não, nós homens não mudamos muito com o tempo, uma coisa é o que falamos entre nós, outra é o que é publicado.

Peguemos um exemplo mais recente: década de 60, dois caras tomam seu chope em frente a praia quando passa uma menina muito bonita.

- Ó, ó!
- Olha ela aí de novo!
- Gostosa paca! Que tesão, hein!
- Puta merda, olha só que bunda! Pra lá, pra cá…
- Num doce balanço a caminho do mar…
- Porra, Vininha, gostei dessa frase!
- Pega o violão aí, Tomzinho, acho que dá uma musiquinha... garçon, traz mais dois!

2 comentários:

Fernando Lessa disse...

Jr. A históra da garota de Ipanema é verdadeira?

Edison Junior disse...

Não sei, mas você que também é poeta há de concordar que existe uma chance de 99,99% de ter sido algo parecido ou do mesmo nível.
Ou pior, sabe como é, eu não quis exagerar e dar cores mais vivas ao diálogo, afinal minha mãe lê isso aqui, o que ela vai pensar de mim e da criação que me deu???

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