segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O exame - ou - Bem feito!


- O Sr. bebe bastante água até uma hora antes de fazer o exame. Esteja aqui às 8:10hs.

Muito esperto, coloquei o despertador para as 4:30, dei uma aliviada e voltei para cama. Às 6:00, levantei-me e comecei a beber água: glub, glub, glub... Melhor tomar um pouco antes, que é para não chegar lá e ter que esperar por não estar com a bexiga cheia o suficiente.

Cheguei ao laboratório com 15 minutos de antecedência, ligeiramente incomodado. Aguardei minha vez, lendo, enquanto via o número da minha senha ser seguidamente postergado por uma procissão de grávidas e idosos que chegaram logo depois. Muito justo.

Fiquei me lembrando da conversa que tive com o médico que me pediu o ultrassom da próstata. Exame preventivo. Expliquei a ele que já havia feito o exame de toque há pouco mais de um ano e ele me disse que só pediria o ultrassom e o PSA. Ufa!

Chegada a minha vez, descobri que tinha que fazer primeiro o exame de sangue. Lá fui eu aguardar em outra sala de espera.

Tic... tac... tic... tac...

Tento seguir a leitura, mas está difícil de me concentrar em Erasmo. Tudo bem que o livro não é muito fácil de ler, mas... ai, mais uma grávida que passa na minha frente.

BIM!

Meu número! Andando com cuidado, entro para tirar uma amostra do meu sangue. A enfermeira abre a torneira para lavar as mãos. Aquele barulhinho da água caindo é desesperador.

Tirado o sangue, dirijo-me trançando as pernas à área do ultrassom. Sou informado que serei chamado pelo nome assim que acabar o exame que está em andamento.

Sento-me. Tento ler, mas já não é mais possível. Estou há 4 horas sem ir ao banheiro, a bexiga cheia até a tampa. A menina que está ao meu lado começa a balançar o pé e chacoalhar a minha cadeira. Meu Deus, assim eu vou mijar aqui mesmo!!!

Fico em pé. Só tenho pensamentos para as pobres mulheres grávidas que têm que fazer isso até o terceiro mês de gravidez. Meu rim esquerdo começa a doer. Fico uns 10 minutos – que parecem 10 horas - em estado de alerta. Suando. A menor desconcentração pode ser fatal. E humilhante. De repente, o livro que estou lendo, O Elogio da Loucura, começa a fazer sentido para mim.

Tic... tac... tic... tac...

- Sr. Edison!

Não me levem a mal, mas da próxima vez eu vou optar pelo exame de toque...

Um comentário:

Mário Júnior disse...

Nossa... realmente ficar sem ir ao banheiro por tanto tempo é agonizante.

Você não falou pra eles irem mais rápido por você estar apertado? Eu teria dito!

Acho que quando você foi ao banheiro esvaziar a bexiga, se sentiu no paraíso. \o/

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