segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Redação criativa

Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE Universidade Federal de Pernambuco (Recife), que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.


Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.

Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo quando ele começou outra vez a se insinuar.

Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.

Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.

Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

domingo, 28 de setembro de 2008

São Bernardo do Campo, domingo, 10 da manhã


Qual a chance de eu vou votar num f.d.p. que passa domingo de manhã buzinando na minha janela?


video

Resultado da Enquete


Encerrado o período de votação da minha enquete, faço uma análise dos resultados:

- Foram obtidos 5 votos; descontando o meu, total = 4.

- Considerando-se que eu tenho 9 leitores, sendo que 5 me visitam pelo menos uma vez por semana e portanto viram a pesquisa, o índice de retorno foi excelente (4/5 = 80%)! Que pesquisador não gostaria de um índice assim?

- Três dos quatro votos válidos cravaram que eu nunca irei precisar dos documentos que joguei fora. Obrigado, espero que tenham razão!

- E o quarto diz que vou precisar de um dos documentos em menos de um mês. Se isso acontecer, espero que seja você quem me pediu!

sábado, 27 de setembro de 2008

Burocratas...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Moto-taxi


Ainda não vi em São Paulo e região, mas já vi na Bahia e em Taubaté: a moto-taxi.

Funciona igualzinho ao taxi que a gente conhece. Pode-se pegar uma no ponto ou ligar e pedir para irem pegar em casa. O motoqueiro chega, dá um capacete ao passageiro e o leva aonde ele quiser por um preço super-módico. Deve ser o disk-moto-taxi.

Tem que ter muita coragem!

A gente vê como alguns motoqueiros dirigem por aí. Imagina subir na garupa de um que você não conhece. Recomenda-se levar um estoque de cuecas sobressalentes (ou calcinha, é claro).

Mas coragem mesmo precisa ter para pôr o capacete. Ele deve ter passado por mais cabeças do que a tesoura do meu barbeiro. O cara que usa um capacete desses pode ficar um mês sem passar gel no cabelo...

Tenho um conhecido que usa o serviço em Taubaté. Questionei-o sobre a higiene do capacete e ele me disse que, se você pedir, eles fornecem uma touquinha para proteger o cabelo. Mas só se pedir. Ah, bom!

Na Bahia, mais particularmente em Dias D’Ávila, por sinal a cidade onde nasceu Raul Seixas, tirei essa foto em um ponto de moto-taxi:

AA - 2001 The Flesh

The Flesh! No rodapé da placa está escrito "Só Jesus salva". Até confio no poder d’Ele, mas, sinceramente, prefiro ir a pé.

Joselitos

E foi na Bahia que eu conheci um Joselito. Um não, dois: o Santana e o Cazumbá. E olha que eles ocupavam escritórios lado a lado!

AA - 2001 Joselitos

Otimista e pessimista


- Olá, mais um dia que se inicia!

- Menos um...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Don't worry. Be happy!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Quino - O Humorista

Quino19

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Neologices


Neologismo é um fenômeno que ocorre em qualquer língua viva. É natural que isso se dê, e não somente no mundo atual, em que as coisas acontecem e são inventadas mais rápidas que os dicionários são atualizados. Isso
sempre foi assim.

Por isso, não dá para entender uma proposta como a do Aldo Rebelo, que quer abolir de todos os documentos as palavras derivadas de outras línguas. Futebol, por exemplo, uma palavra de clara origem inglesa, alguém conseguiria, a não ser como gozação, chamar de ludopédio? E abajur, dá para dizer que não é português e sim francês? Que limite de data estabelecer, a partir de sua criação, para dizer que uma palavra pode ser considerada genuinamente nacional?

Normalmente um neologismo é adotado quando se precisa nominar alguma coisa ou ação e não se dispõe de uma palavra adequada na própria língua. Bom, deveria ser assim, mas não é exatamente como funciona. O que acontece, muitas vezes, é que quem cria o termo não é propriamente um membro da Academia Brasileira de Letras, mas sim um nerd (olha aí!) de vocabulário limitado.

Assim, o campo da informática é pródiga em termos novos, como “deletar”, por exemplo. Poderíamos chamar de “apagar”, simplesmente, mas o tal do deletar pegou. E, cá entre nós, é até uma palavrinha simpática e de som não estranho ao português.

E há os jargões de algumas profissões e empresas. Trabalhando em uma multinacional americana, tive oportunidade de colecionar exemplos realmente ótimos de como não modificar a língua. São palavras com perfeita correlação em português e totalmente evitáveis. Às vezes parece coisa de louco...

Segue um pequeno dicionário com exemplos de aplicação. Não sei a razão, mas a maioria é verbo:

Comitar (empenhar - to commit) - “eu comitei a verba”

Saving (economia ou algo que foi economizado) - “quanto foi o saving?”

Bookar (contabilizar) - “precisamos bookar esse saving”

Linkar (ligar) - “você não linkou os dois assuntos”

Benchmarkar (fazer uma comparação - to benchmark) - “vamos bechmarkar o mercado”

Launchar (fazer um lançamento - to launch) - “estamos launchando um novo produto”

Assignar (atribuir - to assign) – “vou assignar uma tarefa a você”

Baiofar (entregar o produto para outra empresa - to buy-off) – essa é horrível, felizmente só ouvi uma vez e me recuso a reproduzir o exemplo

Levelar (nivelar - to level) – tem certeza de que precisava dessa?

Uma vez eu não agüentei. Numa reunião um gerente falou que todos precisávamos começar a traquear (vem de to track) um assunto. Eu o interrompi e disse que se fôssemos começar a traquear era melhor abrir a porta da sala de reunião...

Como disse, é natural que as línguas se modifiquem e evoluam. Acho difícil que alguém tenha acrescentado alguma palavra nova num dicionário de latim nos últimos 100 anos. Mas também não precisamos escrudapar com a última flor do Lácio.

Em tempo, escrudapar vem de (screw up = f...)

domingo, 21 de setembro de 2008

Eleição em São Paulo


Tenho acompanhado pouco a campanha política em São Paulo, pois voto em São Bernardo. Aliás, isso é só uma desculpa para minha alienação, porque também não estou acompanhando a daqui. O pouco que ouço, porém, me causa irritação.

Se eu entendi bem, o PSDB queria apoiar o Kasab, visando reciprocidade na próxima eleição estadual e nacional, ou seja, o tradicional toma lá dá cá. Indiferente à política do partido, Geraldo Alkmin fez muxoxo, bateu o pé e conseguiu lançar sua candidatura, apoiada muito a contra-gosto pelos seus pares e caciques.

Agora ficam os dois se agredindo na TV, desgastando-se para um eventual 2º turno, enquanto Dona Marta observa do alto de seu salto-alto.

Salto-alto este que não lhe impede de lançar pérolas durante a campanha, com cheiro de coisa do século passado, como uma que ela diz que vai levar o metrô para a periferia, porque “o metrô não é só para eles”.

Ora, dizer que vai construir 63 km de metrô em 4 anos já é uma proposta absurda e até ela sabe que não é possível, mas usar esse tipo de argumento rançoso e demagógico é provocação barata.

Será que ela acha que o metrô é utilizado pela elite paulistana? Gostaria que ela fosse à Estação Sé às 6 da manhã para tentar encontrar o Antônio Ermírio. Ou será que ele está na Estação Corinthians-Itaquera?

Se eu votasse em São Paulo, acho que meu voto ia pra Soninha. Algumas de suas propostas são um pouco ingênuas e, talvez até por essa mesma razão, bem intencionadas.

No segundo turno é outra história.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Entenda o Mercosul


Essa eu recebi pela Internet. Não me responsabilizo pelas opiniões aqui emitidas, mas me reservo o direito de achá-las engraçadíssimas.

ARGENTINA
Eles confundem primeira-dama com chefe de governo, luta-livre com futebol e lamúrias de corno com música. Fizeram uma guerra contra uma ilha habitada apenas por pingüins. E perderam.

PARAGUAI
A rigor não é nem país - é apenas uma feira livre com status de nação. Falsificam tudo: DVDs, cigarros, videogames e a história de Itaipu.

URUGUAI
Também não é exatamente um país, é uma fazenda. 90% da população é vaca. O resto é ovelha.

VENEZUELA
Eles têm certeza de que Simon Bolívar e o Batman são a mesma pessoa. O presidente é uma mistura de Fidel Castro com Didi Mocó. Têm muito petróleo. Eles usam pra beber e tomar banho.

PAÍSES ASSOCIADOS


BOLÍVIA: o presidente é a cara do Zacarias.

CHILE: não é país, é molho apimentado.

PERU: você levaria a sério um lugar chamado Frango? Pois é.

COLÔMBIA: a maior intelectual deles é a Shakira o restante vive em função da 'farinha'.

EQUADOR: não é país, é linha.

E, finalmente...

BRASIL

Metade da população passa o dia inteiro batendo tambor pra outra metade rebolar. Têm bananas na cabeça e tocam pandeiro por qualquer motivo besta (epidemia de disenteria, volta da dengue, aumento da inflação etc.). O presidente é um homem singular: nunca acertou um plural.

Me digam, como é que o MERCOSUL ainda não acabou?

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O Senhor Embaixador


Acabo de ler O Senhor Embaixador, de Erico Veríssimo. A história se passa em 1959 e o tal Embaixador é o representante nos EUA de um país virtual na América Central, Sacramento, mas que poderia ser qualquer outro de língua latina na América, pobres de nós, que convive com revolução atrás de revolução.

Reproduzo abaixo algumas frases e diálogos deliciosos que pincei do livro:


“Estou farto de tolerar a empáfia de alguns desses oficiais que pensam que farda é adjetivo qualificativo e não substantivo comum”

“O diabo sabe mais por ser velho do que por ser diabo”

“O que eu fiz até agora com as mãos e a cabeça, o teu ministro desfez com as patas”

“Era um desses dias de aspecto disentérico em que o mais otimista dos homens chega a abrigar, pelo menos subliminarmente, a idéia de suicídio”

“- Devo tomar isso como uma crítica ao nosso companheiro?
- Quero crer que não chegamos ainda a um ponto de endeusamento dos chefes dessa Revolução que os torne imunes à crítica”

“Depois, enquanto reenchia o cachimbo de fumo e riscava um fósforo, lembrou-se de que Maquiavel aconselhara ao Príncipe que mandasse assassinar seus súditos, quando necessário, mas que evitasse tocar em suas propriedades, porque um homem com mais facilidade esquece a morte do pai do que a perda de seu patrimônio...”


Recomendo!

Haikai - Engenharia

Com traços e números
O engenheiro
Constrói seus sonhos

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Prelude du Fornication

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Novo blogueiro


Quero aproveitar esse espaço para dar boas vindas ao mais novo blogueiro do pedaço: José Saramago!

Confiram: http://blog.josesaramago.org/

Mario Quintana


"Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?"

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Migração

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Jeremias, o Bom


Da pena de Ziraldo, sai um dos meus personagens de cartum favoritos, Jeremias, o Bom. Sempre de terno escuro, gravata idem com uma flor desenhada, o rosto sempre mal barbeado, Jeremias é... o Bom, no melhor sentido.

“Nove meses passaram tranqüilos
E o bom Jeremias nasceu
Não havia o parto sem dor
Jeremias, porém, não doeu” (Ziraldo)

Nas palavras de Antônio Callado, “Jeremias é forte. Forte mesmo, forte de muque e de pé, capoeira e karatê faixa preta. O queixo de Jeremias é um penedo, seus ombros são quadrados, sua cólera, quando chega a explodir, ameaça destruir o próprio Jeremias... Ao contrário do que pensam vários eruditos, não foi Francis Bacon quem escreveu as peças de Shakespeare, foi Jeremias. Ele ajudou Noé a cuidar dos bichos na arca. E mais no fundo da noite dos tempos, quando os homens ainda meio símios se rachavam alegremente as cabeças, Jeremias entrou na refrega com uma invenção: o buquê de flores... Jeremias em sua presente encarnação é um homem da classe média, brasileiro, carioca, flamenguista, espremido entre os bacanas e a ralé. Tem mulher, tem sua contazinha bancária, protege crianças, leva a mãe até a boate e socorre ao amigos estróinas... Enquanto isso, no lirismo de Ziraldo, Jeremias vai entregando o coração aos transplantes. Não tem importância, logo nasce outro”.

Para quem não o conhece, segue uma amostra:

Jeremias 01

Jeremias 05

Jeremias 06

Jeremias 07

Jeremias 09

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Sobre Estar Sozinho - Flávio Gikovate


Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.

Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher; ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.

A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria.

Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras.

O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.

O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa à aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa.

As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.

Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.

Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro.

Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas "inteiras" é bem mais saudável.

Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.

domingo, 7 de setembro de 2008

Pernosticismos corporativos


A prática mostra que o desenvolvimento de formas distintas de atuação prejudica a percepção da importância dos índices pretendidos.

O que quer dizer isso? Nada.

Também conhecido no meio corporativo mais esclarecido como “embromation”, essa é a arte de jogar frases soltas no ar para preencher vazios em reuniões e mostrar-se inteligente perante os chefes, pares e funcionários, sem perceber, no entanto, o ridículo que passa perante os que já conhecem essa técnica.

Para quem quiser utilizar o embromation ou simplesmente ficar prevenido contra ele e dar muitas risadas, a tabela abaixo é fantástica. É muito fácil, pois basta escolher um fragmento de cada quadro numerado de 1 a 4, juntá-los nessa mesma ordem e pronto, você tem à sua disposição 10.000 combinações diferentes! Vá treinando e com o tempo nem precisará mais se fazer acompanhar da tabela, já sairá tudo de forma automática!


QUADRO 1

Caros colegas,
Por outro lado,
Não podemos esquecer que
Do mesmo modo,
A prática mostra que
Nunca é demais insistir que
A experiência mostra que
É fundamental ressaltar que
O incentivo ao avanço tecnológico, assim como
Assim mesmo,


QUADRO 2

a execução deste projeto
a complexidade dos estudos efetuados
a atual estrutura de organização
o novo modelo estrutural aqui preconizado
o desenvolvimento de formas distintas de atuação
a constante divulgação das informações
a consolidação das estruturas
a análise dos diversos resultados
o início do programa de formação de atitudes
a expansão de nossa atividade

QUADRO 3

nos obriga à análise
cumpre um papel essencial na formulação
auxilia a preparação e a estruturação
contribui para a correta determinação
assume importantes posições na definição
facilita a definição
prejudica a percepção da importância
oferece uma boa oportunidade de verificação
acarreta um processo de reformulação
exige precisão e definição

QUADRO 4

das nossas opções de desenvolvimento futuro.
das nossas metas financeiras e administrativas.
das atitudes e das atribuições da diretoria.
das novas proposições.
das opções básicas para o sucesso do programa.
do nosso sistema de formação de quadros.
das condições apropriadas para os negócios.
das formas de ação.
dos conceitos de participação geral.


Assim mesmo, o novo modelo estrutural aqui preconizado cumpre um papel essencial na formulação das formas de ação.

E tenho dito! Ou não...

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Eleições 2008 - Vote em meu pai



Frente e verso de um santinho que eu encontrei hoje na rua. Pelo menos ela é a cara do pai, o que exclui ele ter alugado uma menininha para fazer propaganda para ele...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Pernosticismos


Pernóstico é uma das palavras mais pernósticas que eu conheço. Por isso ela serve muito bem para designar pessoas e textos pernósticos, se é que me entendem.

Trabalhos acadêmicos são ótimos exemplos disso. É claro que um texto com essa finalidade é recheado de jargões e não deve nem pode ser escrito em linguagem coloquial, mas alguns autores abusam da paciência do leitor.

E não sou só eu quem pensa assim. Orientadores de trabalhos de pós-graduação têm prevenido seus orientandos desse mal. Quem enrola muito para escrever ou não sabe bem o que está dizendo, ou está a encher lingüiça ou se perdeu na argumentação.

Ontem mesmo estava ajudando a Paty a “traduzir” um trabalho de academiquês para português. O texto original tinha 14 páginas e conseguimos reduzi-la a uma sem perda substancial de conteúdo.

Um parágrafo em especial me fez dar muita risada. Dizia assim: “Ante a dificuldade de continuar o encaminhamento da argumentação sem um marco empírico de referência, a busca do detalhamento da particularidade acima mencionada vai referenciar-se no conhecimento do processo de (...) O que não equivale a renunciar aos objetivos intrinsecamente teóricos do presente texto”.

Ora, precisava de tudo isso para dizer “Por exemplo, (...)”?

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Atendendo a pedidos...


... da minha mãe, segue a lista de alguns candidatos a vereador em Barueri:

Amon-Ra (candidato a divindade egípcia)
Tarzan
Tio Cido
Baú
Cris da Maternal
Marinheiro
Dalvani Força e Perseverança
Tia Débora
Dejair Diretoria
Galo Cego (do time dos galináceos)
Edson Beiçola
Bolaxa
Loro
Chico do Sindicato
Gilson Maratona
Primo Cândido
Zeca Urubu
Zé da Eletrônica
Louro Mecânica
Bidu
Graça da Biblioteca
Tuka Johnes (sic)
Milton Chocolate
Zetti Bombeirinho (nesse caso é até aceitável, pois o nome dele é Orozimbo)
Tody
Carlinhos do Açougue
Doce
Falcão
Dunga (ahaha, esse não vai ganhar nada...)
Wilson W.O. (e esse vai faltar no dia da eleição)


Amon-Ra nos ajude!

Método do Tijolo


Acabo de ler que foi criado pelo departamento de Recursos Humanos de uma grande empresa um método revolucionário para seleção de novos funcionários. Após os primeiros testes convencionais de pré-seleção, colocam-se os candidatos remanescentes num galpão e entrega-se 200 tijolos para cada um. Não deve ser dada orientação alguma sobre o que fazer. Em seguida, tranca-se a porta e após seis horas volta-se para verificar o que fizeram.

Segue a análise dos resultados:
1 - Os que contaram os tijolos, contrate como contadores.
2 - Os que contaram e em seguida recontaram os tijolos, são auditores.
3 - Os que espalharam os tijolos são engenheiros (não entendi...)
4 - Os que tiverem arrumado os tijolos de maneira muito estranha, difícil de entender, coloque no Planejamento, Projeto e Implantação e Controle de Produção.
5 - Os que estiverem jogando tijolos uns nos outros, coloque em Operações.
6 - Os que estiverem dormindo, coloque na Segurança.
7 - Aqueles que picaram os tijolos em pedacinhos e estiverem tentando montá-los novamente, devem ir direto à Tecnologia da Informação.
8 - Os que estiverem sentados sem fazer nada ou batendo papo-furado, são dos Recursos Humanos.
9 - Os que disserem que fizeram de tudo para diminuir o estoque mas a concorrência está desleal e será preciso pensar em maiores facilidades, são vendedores natos.
10 - Os que já tiverem saído, são gerentes.
11 - Os que estiverem olhando pela janela com o olhar perdido no infinito, são os responsáveis pelo Planejamento Estratégico.
12 - Os que estiverem conversando entre si com as mãos no bolso demonstrando que nem sequer tocaram nos tijolos e jamais fariam isso, cumprimente com muito respeito e coloque-os na Diretoria.
13 - Os que levantaram um muro e se esconderam atrás são do Departamento de Marketing.
14 - Os que afirmarem não estar vendo tijolo algum na sala, são do Departamento Jurídico.
15 - Os que reclamarem que os tijolos 'estão uma merda, sem identificação, sem padronização e com medidas erradas', coloque na Qualidade.
16 - Os que começarem a chamar os demais de 'companheiros', elimine imediatamente antes que criem um sindicato.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Eleições 2008 - I


Moro em São Bernardo há 25 anos e a cada quatro é sempre a mesma dúvida. Em quem votar para vereador? Ao contrário dos grandes centros, onde sempre se pode pinçar um cidadão conhecido e “de bem” para colocar no cargo – mesmo que nos decepcionemos depois –, por não acompanhar o noticiário local (falha minha), sempre fico na dúvida. Há, claro, nomes conhecidos, mas entre ser conhecido e ser um bom edil, pode haver uma grande distância.

Para prefeito é um pouco mais fácil, pois são menos candidatos e geralmente o partido a que pertencem e os respectivos apoios políticos nos ajudam a orientar a escolha.

Temos neste ano três candidatos fortes à prefeitura. O da situação, Orlando Morando (gostaram do nome?), é do PSDB. Há o Alex Manente, do PPS, cujo pai tive a oportunidade de conhecer pessoalmente e é candidato a vereador. Na oposição, fechado com o Lula, está o Luiz Marinho, do PT. Lula quer vingança (sic) da atual administração por ter boicotado as obras do PAC no município. O candidato a vice do Luiz Marinho é o Frank Aguiar, aquele do forró, pode?

Quanto aos vereadores, é onde fico com mais dúvida, pois são 486 candidatos. Quem sabe vocês podem me ajudar. Vou relacionar alguns deles pelos nomes de guerra pelos quais se julgam conhecidos.

Temos, por exemplo, um candidato que se chama Marciano, cuja grande sacada no slogan é: “Eu acredito em Marciano!”

Existem muitos “Drs.” Candidatos. Doutor Isso, Doutor Aquilo. Porém eles não são os únicos representantes da área da saúde, pois temos também o Vavá da Farmácia, o Luiz da Farmácia e o Vando da Ambulância.

Boa parte deles gosta de associar seu nome à profissão, como por exemplo: Paraíba do Produto de Limpeza, Cícero da Feirinha, Marlene dos Perfumes, Neusa do Uniforme, Tiago do Posto, Mágico Ossamá Sato, Luizão do Desmanche, Ivan do Caminhão, Adão da Lanchonete, Toninho da Lanchonete, Maico Promoter, Capitão Buzanga e Márcia do Farol (profissão?)

Cabeleireiros os há em profusão: Bezerra Cabeleireiro, Ferreira Cabeleireiro, Nice Cabeleireira, Pedro Cabeleireiro e Suenia Cabeleireira. Se todos forem eleitos, as mulheres de São Bernardo passarão 4 anos descabeladas...

Como não podia deixar de ser, pastores também são vários: Pastor Florentino, Pastor Ivanildo Santana, Pastor Natanael Alves, Pastor Raimundo Rios, Pastor Pagliarin e Pastor Vagner. Se não agradar nenhum pastor, você pode votar direto no Profeta (sim, também é nome de candidato).

Tem também a série de Joões: João das Cabras, João das Roupas, João do Depósito e João Pé de Frango.


E, por falar em galináceos, imagino que será acirrada a disputa entre os candidatos José Galo e Zé Galinha...

Para encerrar, tem aqueles que se utilizam de seu singelo apelido, como: Risadinha, Peki da Machine (o que será isso?), Panda, Netinho Ritmo Quente, Gaguinho (fujam do comício dele!), Alex Camburão (quem vai votar nele?), Zé Du Norte Praça Brasil, Mestre Feijão, Trator, Zé Ratão, Zé do Black, 100% Dias e Reginaldo Burguês (putz! isso é nome pra candidato?)

Deus nos ajude!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O passar do tempo


No começo cada hora tinha exatos 60 minutos ou 3600 segundos, como deve ser qualquer hora que se preze. Como em uma ampulheta que deixa cair cada grão de areia mostrando fisicamente o passar do tempo, cada hora também foi perdendo um segundo. Na hora seguinte mais um e assim por diante, até que os próprios minutos passaram a correr mais rápidos, sem paciência para esperar todos os segundos passarem. Numa espiral que girava cada vez mais rápida, os dias sumiram, as horas se encurtaram, os minutos se esvaíram e os segundos passaram por entre os dedos, insensíveis às minhas tentativas de segurá-los.
Pronto, acabaram as minhas férias...

Lavoisier e a Lei Seca


Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Cana dá álcool, álcool dá cana.
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