quarta-feira, 30 de julho de 2008

Millôr na veia


"Quem se curva aos poderosos mostra a bunda aos oprimidos."

Diálogo sucinto


- Oi, você tem horas?
- Tenho.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Sacolas criativas






Solucionador de problemas


domingo, 27 de julho de 2008

Série Olímpica - O chinês


Compreender a língua é a chave para compreender o seu povo. E, nesse ano olímpico, nada melhor que mergulhar no chinês.

A língua chinesa pertence à família das línguas sino-tibetanas e possui um número enorme de dialetos, tão diferentes entre si que muitas vezes os falantes de um não compreendem os de outro. A “versão” predominante é o chinês-mandarim, falado por 70% da população da China, que, convenhamos, é um número nada desprezível de pessoas.

Todos nós conhecemos os caracteres da escrita chinesa. Desenhados por mestres com pincel e tinta nanquim, têm para nós um efeito de ornamento, ao mesmo tempo atraentes e misteriosos. Tentar aprender é uma verdadeira loucura, principalmente quando se descobre que existem 20.000 desses caracteres na forma escrita atual.

Mas se nós conseguimos compor qualquer palavra ou som com apenas 26 letras, 10 números e mais alguns sinaizinhos, porque eles precisam de tantos? Porque os caracteres têm origem fortemente pictográfica. Veja na tabelinha abaixo a origem de algumas palavras. Repare que na primeira coluna até dá para reconhecer o significado original. Meio forçado e de ladinho, mas dá.




Porém, os pictogramas só podem representar conceitos concretos, e não abstratos, datas, quantidades, denominações etc. Uma possibilidade é a combinação de símbolos: árvore + árvore = floresta; mão sobre a lua = eclipse lunar; e por aí vai. A grande maioria dos caracteres atuais (cerca de 90%) são uniões ou fusões de dois signos. O primeiro indica o conteúdo conceitual e o segundo uma indicação da pronúncia da palavra, bem lógico, né?

Considerando-se ainda que um caractere chinês nem sempre corresponde a uma única palavra ou uma sílaba, me pergunto: como será um dicionário chinês?

A conclusão é que ler chinês é praticamente impossível. E falar?

As palavras em chinês são monossilábicas e, se eles têm milhares de caracteres para escrever, para falar só existem 411 sílabas. E como é possível falar utilizando-se apenas dessa diminuta quantidade de sílabas? Fácil, mudando-se o tom com que cada uma é falada!

Estranho? Nem tanto. Mesmo em português temos algo parecido. A palavra “sim” com elevação de voz pode ser a resposta a um chamado: “Garçom!”. Se falada com um abaixamento de voz, pode estar respondendo a um “Você vai?”

Porém, em ambos os casos, “sim” é “sim”. Em chinês, essa diferença de tons é distintiva de significado.

O dialeto pequinês (o de Pequim, não o do cachorro, que tem uma posição muito importante na gastronomia chinesa) conhece quatro tons, que podem ser assim representados graficamente:



No primeiro caso, a sílaba é pronunciada por inteiro com a mesma tonalidade de voz. A sílaba “ma” pronunciada assim, significa “mãe”.

A segunda entonação eleva a voz a partir de um tom mais baixo inicial. Nesse caso, “ma” significa “cânhamo”.

Na terceira forma, há um abaixamento e uma elevação da voz, dando à sílaba “ma” o significado de “cavalo”.

Por fim, na quarta pronúncia, a voz começa em tom alto e baixa no final da palavra. E “ma” vira “repreender”.

E, ainda, como sílaba não acentuada, “ma” também pode servir de partícula interrogativa.

Como será que eles perguntam: “A mãe repreendeu o cavalo por causa do cânhamo?”

Deve ser algo como “Ma ma ma ma ma”...

Então, viu como é fácil entender o povo chinês?


Extraído e adaptado do livro “A aventura das línguas”, de Hans Joachim Störig, Ed. Melhoramentos, 2003

Labirinto

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Eis que Eisenhower tinha razão!


Quando o Supremo Comandante das Forças Aliadas, General Dwight D. Eisenhower encontrou as vítimas dos campos de concentração, ordenou que fosse feito o maior número possível de fotos, e fez com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos e até mesmo enterrassem os mortos.


"- Que se tenha o máximo de documentação, façam filmes, gravem testemunhos, porque, em algum momento ao longo da história, algum idiota se vai erguer e dirá que isto nunca aconteceu."










Série Olímpica - Os atletas brasileiros


Gustavo Borges, Robson Caetano, Vanderlei Cordeiro de Lima, Xuxa (o nadador), Eder Jofre, Aurélio Miguel, José João da Silva, Joaquim Cruz, Diana dos Santos...

De tempos em tempos surge no Brasil um atleta de ponta que, com muito esforço próprio, alguma sorte e diminuta ajuda oficial, consegue que todos juntos, num só coração, gritemos: prá frente Brasil, Brasil! A gente raramente sabe de que esporte virá esse atleta e, geralmente, não é o cara que todos prognosticavam como tal.

Em toda Olimpíada é certo que vamos encontrar um atleta americano, russo, cubano etc. destacando-se em uma prova de atletismo. Dificilmente ele ou ela será o mesmo que se destacou nos jogos anteriores, salvo exceções notáveis como Carl Lewis, Edwin Moses, Alberto Juantorena, Sergei Bubka e outros, que como exceções devem ser tratados.

E é natural que assim ocorra, pois no limite de esforço em que eles disputam, é muito provável que o pico de cada um seja atingido, superado e logo surja outro para lhe tomar o lugar.

No Brasil não. Com a desfartura de atletas de altíssimo nível, nós ficamos torcendo para que o atleta bem sucedido da Olimpíada anterior faça o mesmo papel na seguinte. E eles até que fazem o melhor possível para não desapontar a galera.

O mesmo vale para outras competições. O Guga, por exemplo, foi tri-campeão em Roland Garros e continuou a ser cobrado pela torcida a ganhar sempre, mesmo com todos os problemas físicos pelos quais passou. Salvou-o a despedida digna que teve.

Nossos atletas são ótimos, o problema é que eles não são eternos...

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Mais Lei Seca

Esse cartum é destinado a adultos.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Série quase-Olímpica 2


Continuando o assunto, me arrisco a dizer que dentre as medidas tomadas pelo governo chinês para diminuir a poluição, a mais efetiva será a instalação dos 27 pontos de monitoramento da qualidade do ar.

Assim, poderão dizer com muita propriedade que a qualidade do ar agora está... cof... cof... cof... ótima!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Série quase-Olímpica


A China continua em processo de maquiagem para realizar sua Olimpíada.

A poluição é um problema sério na China. Na região de Pequim, ou Beijing como eles falam, há dias em que não se vê o céu, por causa de uma nuvem grossa de poeira cinza-avermelhada. Para tentar melhorar o panorama, as autoridades locais tomaram uma medida drástica: o rodízio de veículos.

Bela porcaria, pensam os moradores da cidade de São Paulo, mas há uma diferença. Simplesmente metade dos carros - dia par, placa par; dia ímpar, placa ímpar - deixam de circular pelas ruas a partir desta semana. Isso representa uma redução da circulação de 3,3 milhões de automóveis por dia.

Por outro lado, isso também quer dizer um acréscimo de aproximadamente 4 milhões de pessoas no sistema de transporte público. Apesar da adição de duas novas linhas do metrô e uma nova linha férrea até o aeroporto, vários trens chegaram atrasados e algumas linhas fecharam até normalizar o fluxo de pessoas. A pedido do governo, as empresas flexibilizaram o horário de trabalho e isso pelo menos facilitou o controle das multidões nas ruas.

Além do rodízio, outras ações estão sendo tomadas, como a instalação de 27 estações de medições para avaliação da poluição do ar, proibição de circulação de caminhões de grande porte pela cidade e proibição de serviços de demolição que gerem barulho e poeira.

A efetividade das medidas está sendo questionada por causa da possibilidade de ventos imprevistos trazerem a poeira de outras províncias para a cidade. Pelo sim, pelo não, alguns dos atletas que já estão na China escolheram locais afastados da cidade para seu treinamento.

Passada a farra olímpica, voltam os carros e demais fontes de poluição. Pobres chineses. Vão sentir saudades dos jogos.

Aliás, por causa desse esforço para vender uma realidade virtual, tenho pena também dos demais habitantes dos países do chamado BRIC, as futuras-se-não-pisarem-na-bola nações mais poderosas do mundo. Enormes, ricos e mal geridos, são países construídos sobre a fraca fundação de uma população esmagadoramente pobre, sem saúde e sem educação. Dessa forma jamais seremos realmente poderosos.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Greenwashing


Como todo mundo sabe, a propaganda é a alma do negócio. O que nem sempre a gente sabe, é se o que está sendo usado como base para a propaganda é uma verdade e uma coisa realmente boa, ou se é uma baboseira sem tamanho, ou não é mais do que a obrigação do produto ter aquela característica, ou se é uma mentira pura a simples.

Como está na moda falar em proteção ao meio ambiente, é comum as empresas alardearem seus produtos como "amigos da natureza", ou falarem sobre os trabalhos ecologicamente corretos desenvolvidos, ações de cidadania e por aí vai.


Por exemplo, quando alguém diz que um produto tem a vantagem não conter CFC, antigamente utilizado em sprays, isso não quer dizer rigorosamente nada, porque ele simplesmente não poderia conter essa substância, pois é proibida. É como se um fabricante de refrigerantes se gabasse de que seu produto não contém estricnina ou arsênico, por exemplo.


Esse fenômeno já tem até nome: Greenwashing. Mas pode chamar de farsa marqueteira.

Uma reportagem da 8ª edição da revista Business do Bem, publicada pela empresa Ruschel & Associados Marketing Ecológico, enumera as principais armadilhas a que estamos sujeitos. O estudo baseia-se em um levantamento da TerraChoice Environmental Marketing, com 1758 promessas encontradas nas embalagens de 1018 produtos disponíveis no mercado dos Estados Unidos. A situação não deve ser muito diferente da nossa.

Malefícios escondidos – Encontrado em 56% dos produtos pesquisados, caracteriza-se pelo fato do produto destacar apenas um benefício ambiental e “esquecer” os malefícios. Exemplo: meu produto é reciclável (mas é extremamente gastador de energia e água para ser produzido).

Falta de provas – Presente em 26% das promessas pesquisadas, é utilizado por produtos que anunciam benefícios ambientais sem comprovação científica ou certificação respeitável.

Promessa vaga – Entre elas, encontradas em 11% dos produtos pesquisados, estão “não tóxicos”, “livre de químicos”, “100% natural”, “ambientalmente produzidos”, “verdes” – todas promessas 100% vagas.

Dois demônios – Encontrados em 1% dos produtos, são benefícios verdadeiros, mas aplicados em produtos cuja categoria inteira tem sua existência questionada, como cigarros orgânicos, inseticidas ou herbicidas orgânicos.

Irrelevância – Encontrado em 4% dos produtos pesquisados, se caracteriza por destacar um benefício que pode ser verdadeiro, mas não é relevante. A mais irrelevante das promessas foi relacionada ao CFC, banido do mercado norte-americano nos anos 70: inseticidas, lubrificantes, espumas de barba, limpadores de janelas e desinfetantes, por exemplo, todos livres de CFC. Se assim não fossem, não teriam licença para venda naquele mercado.

Mentira – Encontrado em 1% dos produtos, é simplesmente uma mentira deslavada.

Texto extraído e adaptado de artigo do site
www.ambientebrasil.com.br

Eu só espero descobrir que a sacola que eu uso no mercado para economizar as sacolinhas de plástico causa mais danos que estas últimas...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

A importância dos nomes


Em 2003, os vereadores da cidade de Los Angeles resolveram tomar uma medida para melhorar a imagem do bairro conhecido por South-Central Los Angeles, famoso pela violência, pobreza e brigas de gangues, e cenário de filmes como Dia de Treinamento, por exemplo, quem assistiu sabe do que se trata.

Pois bem, como melhorar a educação e a saúde, proporcionar oportunidades de emprego e atividades recreativas para os jovens é muito caro, acharam por bem mudar o nome do bairro. Mudaram-no para South Los Angeles (bem diferente do original, né?) Esperavam tirar o estigma do bairro com um golpe de puro marketing.

A população se dividiu. Parte gostou da idéia, já outros disseram que não iria adiantar nada e que as pessoas deveriam ter orgulho do lugar onde nasceram ou moram - veja a reportagem no link anexo:

http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9401EEDF163BF933A25757C0A9659C8B63

Fico pensando se isso teria algum efeito no Brasil. Por exemplo, que benefícios poderiam ser obtidos se mudássemos o nome do Jardim Miriam para Morumbi 2? Ou até o nome de uma cidade inteira e trocar Belfort Roxo por San Francisco?

Será que, de repente, novas empresas seriam abertas no local, gerando necessidade de mão de obra qualificada e, com isso, ensino básico de bom nível, novas escolas técnicas e até universidades? Os novos empregos gerariam necessidades de serviços de qualidade e lazer. Isso para não mencionar a área de saúde, vai que o Einstein abre uma unidade pública no Morumbi 2!

Difícil. É mais fácil o Morumbi original mudar o nome do bairro para fugir da inevitável comparação que se faria posteriormente. Já o povo de San Francisco nem ligaria.

Taí. Uma idéia simples, barata, de grande luminosidade, porém com efeito pífio. Só espero que nossos futuros vereadores não tenham tido acesso a essa reportagem.



quarta-feira, 9 de julho de 2008

terça-feira, 8 de julho de 2008

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Sacaneando o Telemarketing


Atendendo aos inúmeros pedidos que lotam minha caixa postal, segue abaixo uma receita para sacanear os pobres operadores de telemarketing:

1. Imite alguém famoso
Uma das primeiras perguntas dos serviços de telemarketing é: "Com quem estou falando?". Responda na hora: "Silvio Santos, rarái!". Ou imite alguém famoso de sua preferência e tente levar a conversa normalmente. Ele vai ficar confuso e desligar. Funciona sempre.

2. Finja-se de gago
Se um atendente perde muito tempo com um cliente, é tido como improdutivo e corre o risco de perder o emprego. Use isso a seu favor. Logo na primeira resposta, dê início a uma gagueira insuportável, daquelas em que se leva mais de um minuto para terminar um simples "obrigado". Em dois tempos o atendente desliga.

3. Jogue com as armas dele/dela
Assim que o operador se apresentar, emende: "Desculpe interrompê-lo, mas não posso falar agora. Por que você não me deixa o telefone da sua casa que eu ligo mais tarde, depois das dez da noite?". O telemarketeiro fatalmente dirá que não pode fazer isso e nessa hora você inicia um discurso sobre as inconveniências de ser importunado no sossego do lar. Tenha certeza de que ele/ela desligará antes de você.

4. Chá de cadeira
Diga na primeira oportunidade: "Espere um minutinho, sim?". Deixe o telefone de lado e aproveite para fazer um chá, lavar louça. De minuto em minuto, convém voltar ao gancho e dizer: "Só mais um minutinho, tá oquêi?".

5. Finja-se de surdo
Qualquer coisa que lhe for dita ao telefone responda com um sonoro: "O quê?!", ou "Como?!", ou "Não escutei..." Nunca responda outra coisa. Um dos mais eficazes métodos.

6. Responder tudo na língua do pê
Nenhum manual de telemarketing diz o que fazer quando o cliente só se comunica na língua do pê. Nossos interlocutores desistem já na segunda frase do diálogo.

7. Conte a história da sua vida
Dê uma de carente. Qualquer pergunta que o atendente fizer deve ser respondida com desabafos, casos longos e monótonos de sua vida e confissões de carência. "Que bom que você ligou... há tempos que eu só conversava com meus periquitos..." Pergunte se o atendente não quer ser seu melhor amigo. Peça para ele jurar que a partir de hoje ele vai te ligar todos os dias. Nunca mais ele liga.

8. Peça socorro
Interrompa o atendente e diga que você está sendo seqüestrado, que sua casa está em chamas e que seu filho está tentando o suicídio. Peça desesperadamente para o atendente chamar a polícia e os bombeiros e desligue em seguida.

9. Aja como em um trote
Duvide de que se trata de um telefonema real. Diga coisas como: "Ah, Meio-Quilo, pára de sacanagem! Eu sei que é trote!". Insista fanaticamente nessa idéia até que o atendente desista de você.

10. Simule uma masturbação
Assim que o atendente terminar a primeira frase diga coisas como: "Isso, hummm, continua, vai, não pára, não. Ohhhhhhhh".

(Receita de Bruno Torturra Nogueira, recebida pela Internet – o nome dele é bastante apropriado)

E agora, uma lição prática, também recebida pela internet (o Edson do diálogo não sou eu):

Toca o telefone...
- Alô.
- Alô, poderia falar com o responsável pela linha?
- Pois não, pode ser comigo mesmo.
- Quem fala, por favor?
- Edson.
- Sr. Edson, aqui é da Telefônica, estamos ligando para oferecer a promoção Telefônica linha adicional, onde o Sr. tem direito...
- Desculpe interromper, mas quem está falando?
- Aqui é Rosicleide Judite, da Telefônica, e estamos ligando...
- Rosicleide, me desculpe, mas para nossa segurança, gostaria de conferir alguns dados antes de continuar a conversa, pode ser?
- ... bem, pode.
- De que telefone você fala? Minha bina não identificou.
- 103
- Você trabalha em que área, na Telefônica?
- Telemarketing Pró Ativo.
- Você tem número de matrícula na Telefônica?
- Senhor, desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.
- Então terei que desligar, pois não posso ter segurança que falo com uma funcionária da Telefônica.
- Mas posso garantir...
- Além do mais, sempre sou obrigado a fornecer meus dados a uma legião de atendentes sempre que tento falar com a Telefônica.
- Ok... Minha matrícula é 34591212
- Só um momento enquanto verifico.
(Dois minutos)
- Só mais um momento.
(Cinco minutos)
- Senhor?
- Só mais um momento, por favor, nossos sistemas estão lentos hoje.
- Mas senhor...
- Pronto, Rosicleide, obrigado por haver aguardado. Qual o assunto?
- Aqui é da Telefônica, estamos ligando para oferecer a promoção linha adicional, onde o Sr. tem direito a uma linha adicional. O senhor está interessado, Sr. Edson?
- Rosicleide, vou ter que transferir você para a minha esposa, por que é ela quem decide sobre alteração e aquisição de planos de telefones. Por favor, não desligue, pois essa ligação é muito importante para mim.
(coloco o telefone em frente ao aparelho de som, deixo a música “Festa no Apê” do Latino tocando no Repeat (eu sabia que um dia essa droga iria servir para alguma coisa!), depois de tocar a droga toda da musica, minha mulher atende:
- Obrigado por ter aguardado... pode me dizer seu telefone pois meu bina não identificou?
- 103
- Com quem estou falando, por favor?
- Rosicleide
- Rosicleide de que?
- Rosicleide Judite (já demonstrando certa irritação na voz)
- Qual sua identificação na empresa?
- 34591212 (mais irritada ainda!)
- Obrigada pelas suas informações, em que posso ajudá-la?
- Aqui é da Telefônica, estamos ligando para oferecer a promoção linha adicional, onde a Sra. tem direito a uma linha adicional. A senhora está interessada?
-Vou abrir um chamado e em alguns dias entraremos em contato para dar um parecer, pode anotar o número do protocolo por favor? Alô, alô!
TUTUTUTUT...
- Desligou.... nossa que moça impaciente!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Data-junior


Quantas vezes você ouviu nesses últimos dias alguém falando algo como: "Noooossa! já passou da metade do ano!"?

Virundum e Dibikini


Paulo Francis cunhou o termo “Virundum” nos tempos de Pasquim para designar o aquelas músicas que cantamos erradamente, seja por não entendermos ou conhecermos a letra correta, seja por não sabermos do que se trata e incluirmos uma expressão mais lógica.

O nome vem, naturalmente, da primeira estrofe do nosso glorioso hino, aquela música com letra sem pé nem cabeça que toca antes dos jogos de futebol. O verbete Virundum merece figurar no Aurélio.

Até um tempo atrás, havia na internet um site com o nome Dibikini, cuja proposta era relacionar trechos de músicas que se encaixassem nessa definição. No site, os leitores podiam contar suas próprias experiências e enriquecer o acervo. Pena que acabou, pois tinha coisas ótimas e a leitura era diversão garantida.

O nome Dibikini, por exemplo, vem daquela música:

“Na madrugada, a vitrola rolando um blues
Tocando B. B. King sem parar...”

E muita gente entendia “Tocando de biquini sem parar”... hahahaha... ah, você também? Desculpe, mas é engraçado...

E tem variações sobre o mesmo tema. Tem gente que canta “Trocando de biquini sem parar” e até “rodando o peniquinho sem parar” – essa é campeã.

Lá vão outros virunduns que listo de memória e uma pequena ajuda da internet:

1) No Virundum original existem várias pegadinhas, principalmente porque a letra é de um puta dum non-sense para os desavisados (e para os avisados também): “Elvira do Ipiranga”, “Verás que um filisteu não foge à luta" ou "Do que a terra margarida”.

2) Eu mesmo descobri uma recente. Na música Refazenda, o ministro-menestrel diz “Amanhecerá tomate e anoitecerá mamão”, e eu podia jurar que era “Amanhã será tomate e à noite será mamão” – se bem que o som é exatamente o mesmo e até que o sentido não muda muito nesse caso...

3) Mais uma minha (com o perdão do cacófato): na música do Chico Buarque, Apesar de você, eu cantava “você vai se dar mal, esse velho é o tal”, só muito mais tarde, e com a liberação da música pela censura, descobri que era “você vai se dar mal et cetera e tal”.

4) Na música do Tim Maia, “Descobridor dos sete mares”, um camarada cantava “Scoobidoo dos sete mares” – e agora eu não posso mais ouvir essa música que canto errado de propósito.

5) Há até nas músicas infantis: “o amor de Tumitinha era pouco e se acabou” - quem contou essa achava que o compositor tinha acabado de perder uma namorada chamada Tumitinha...

6) Outra do ministro, aquela do Sítio do Pica-pau Amarelo, cuja letra era “bananada de goiaba, goiabada de marmelo", tem a versão virundum que diz "banana a dar de goiaba, goiaba a dar de marmelo”.

7) Até o baião está bem representado: “Luiz, respeita os oito baixos do teu pai” virava “Luiz, respeita os’ovo baixo' do teu pai” – que grossura, Gonzagão!

8) Essa do Djavan também é legal: “mais fácil aprender japonês em Braille", em virundum é "mais fácil apedrejar pôneis em Bali..." – que viagem!

9) Não escapou nem o Menino do Rio, do Caetano: “Menino do Rio / Calor que provoca arrepio / Dragão com a toalha no braço”, em vez de “Dragão tatuado no braço”.

E por aí vai. Se alguém quiser contribuir será legal. Não precisa ter vergonha.

Em tempo, curiosamente, já houve pelo menos um caso em que o autor da música mudou a letra porque o interprete cantava diferente. É o caso de “O bêbado e a equilibrista”, cujo primeiro verso era “Caía a tarde feito um dia adulto" e que Elis modificou para “feito um viaduto”. Por respeitá-la muito e/ou ser então apenas um iniciante, João Bosco acatou a sugestão.

Eu gosto mais da versão original, um baita achado poético. Além do mais, meu lado engenheiro não gosta muito desse negócio de cair viaduto, não...


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