segunda-feira, 30 de junho de 2008

Oscar Wilde


As mulheres foram feitas para serem amadas e não para serem compreendidas.

A mulher que não sabe tornar agradáveis os seus erros não passa de uma fêmea.

As piores coisas são feitas sempre com as melhores intenções.

O fato de um homem imolar-se por uma idéia não prova de forma alguma que ela seja verdadeira.

Desconfiem de uma mulher que confessa a sua verdadeira idade. Uma mulher que diz isto poderá dizer qualquer coisa.

Podemos resistir a tudo exceto às tentações.

É fácil convencer aos outros. É muito difícil convencer a nós mesmos.

Um pouco de sinceridade é algo perigoso, muita sinceridade é absolutamente fatal.

As mulheres estragam qualquer caso de amor com sua intenção de perpetuá-lo eternamente.

É difícil não sermos injustos com aquilo que amamos.

O homem pode acreditar no impossível, mas nunca acreditará no improvável.

A única diferença que existe entre um capricho e uma paixão eterna é que o capricho é muito mais duradouro.

Hoje em dia conhecemos o preço de tudo e o valor de nada.


A experiência não tem valor ético. Ela é apenas o nome que o homem dá a seus próprios erros.

O eco é amiúde mais lindo que a voz que ele repete.

domingo, 29 de junho de 2008

Poesia concreta


Admiro os poetas. O que eles dizem com duas palavras, a gente tem que exprimir com milhares de tijolos

Arquiteto Vilanova Artigas

Interferências indesejáveis


Uma das muitas coisas que me irritam, é ser abordado na rua ou em casa por alguém querendo me empurrar algo que não quero comprar, ouvir, ou mesmo receber de graça – aliás, nada é realmente de graça.

Normalmente procuro ser educado, mas é difícil desgrudar desses pentelhos. Coitados, é a profissão deles, por isso não consigo simplesmente desligar na cara.

Muito já se falou em como se livrar de operadores de telemarketing e tem até umas técnicas bem bacaninhas, depois eu conto para quem quiser, mas na hora eu fico tão irritado que não me lembro de nenhuma delas.

Ontem por exemplo, me ligaram de um jornal, nem me lembro qual:

- Boa tarde, eu sou do jornal XXX e estamos fazendo uma campanha para estimular a leitura... (é bom saber que tem alguém no Brasil preocupado com isso)

- Olha, moça, eu não estou interessado em assinar nenhum jornal... (com paciência)

- Mas o senhor nem ouviu ainda o que eu vou oferecer! (como se fosse vir a sétima maravilha do mundo)

- Acho que seria uma perda de tempo... (níveis primários de paciência se esgotando)

- Como o senhor faz para se manter informado? (essa é a técnica de telemarketing para não deixar o potencial cliente desligar)

- Pela internet... (curto e grosso, porém meio enroscado no anzol)

- O senhor sabia que alguns sites da internet não contêm informações confiáveis? (texto padrão para esculhambar o que o pateta atualmente tem por padrão)

- Sabia, sim senhora, mas eu já sou grandinho o suficiente para saber distinguir o que é confiável do que não é. Boa tarde!

CLIQUE

sábado, 28 de junho de 2008

O velho Francisco - Chico Buarque


Já gozei de boa vida
Tinha até meu bangalô
Cobertor, comida
Roupa lavada
Vida veio e me levou

Fui eu mesmo alforriado
Pela mão do Imperador
Tive terra, arado
Cavalo e brida
Vida veio e me levou

Hoje é dia de visita
Vem aí meu grande amor
Ela vem toda de brinco, vem
Todo domingo
Tem cheiro de flor

Quem me vê, vê nem bagaço
Do que viu quem me enfrentou
Campeão do mundo
Em queda de braço
Vida veio e me levou

Li jornal, bula e prefácio
Que aprendi sem professor
Freqüentei palácio
Sem fazer feio
Vida veio e me levou

Hoje é dia de visita
Vem aí meu grande amor
Ela vem toda de brinco, vem
Todo domingo
Tem cheiro de flor

Eu gerei dezoito filhas
Me tornei navegador
Vice-rei das ilhas
Da Caraíba
Vida veio e me levou

Fechei negócio da China
Desbravei o interior
Possuí mina
De prata, jazida
Vida veio e me levou

Hoje é dia de visita
Vem aí meu grande amor
Hoje não deram almoço, né
Acho que o moço até
Nem me lavou

Acho que fui deputado
Acho que tudo acabou
Quase que
Já não me lembro de nada
Vida veio e me levou

Arthur Miller


Feliz o homem que nunca precisa afirmar mais do que sabe ou menos do que aquilo em que acredita.

Resultado prático de um treinamento de 8 horas muuuito interessante


quinta-feira, 26 de junho de 2008

Amanhã eu respondo


Por que adiar hoje se podemos adiar amanhã?

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Guerra Santa


Pouca gente está prestando atenção, eu pelo menos não o sabia, mas Paulo, o santo, será o novo padroeiro da cidade de São Paulo, desbancando Sant’Ana, até então dona do posto.

Começa que eu nunca soube que a padroeira de São Paulo fosse Sant’Ana. E creio que se fizessem uma pesquisa, somente 1% da população saberia disso e 49% achariam, como eu, que sempre tivesse sido Paulo. Os demais 50% responderiam que é o Lula, pensando que fosse mais uma pesquisa eleitoral.

Para amenizar, a igreja diz que os dois serão co-padroeiros, porém, como se trata de uma instituição de cunho e constituição reconhecidamente machistas, já podemos imaginar quem vai ser o ban-ban-ban do pedaço.

Daí que os moradores do bairro de Santana, um simpático bairro da zona norte da cidade, não estão dispostos a aceitar essa demoção de cargo sem uma boa briga e começam a protestar. E como Sant’Ana é também a padroeira da terceira-idade, conta também com a torcida ferrenha do pessoal mais velho. Consta, ainda, que a gente do bairro da Penha os apóia na campanha.

Não sei que tipo de manifestações essa decisão irá gerar, espero que não dê origem a cruzadas de fiéis pela cidade, como se fosse uma versão belicosa das procissões de Corpus Cristi. A conferir.

Considerando-se que esse tipo de despacho é feito sempre com a concordância do Papa, suspeito que Sua Santidade esteja um tanto desocupado ultimamente. Talvez porque não existam mais almas a ser salvas, o que nos leva a duas possíveis conclusões: ou já estão todas salvas ou já estão todas perdidas.

De minha parte espero que Paulo e Ana, santos que são, estejam pouco se lixando para quem leva o trono. Acredito até que estejam se divertindo. Amém.

E também espero que Paulo, com suas novas atribuições, não desampare aquele simpático time do Morumbi.

Em tempo, mais uma deliciosa notícia: foi designado o padroeiro da internet, Santo Isidoro de Sevilha, escolhido em uma votação aberta na rede. Isso é que é coisa democrática! Agora pelo menos teremos a quem rezar quando essa m... der pau de novo!

terça-feira, 24 de junho de 2008

Salvem o planeta!


É controversa a existência de vida em outros planetas, mas parece ser unânime entre os cientistas que só na Terra existe chocolate.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Série Olímpica - Maratona


A Maratona é o esporte que talvez mais represente o chamado espírito olímpico. É o que mais sacrifício exige do atleta por um período prolongado de tempo. E bota prolongado nisso. São mais de 2 horas de intenso esforço que requerem, além de preparo físico, muito preparo psicológico.

Mal comparando, numa prova de 100 metros rasos, não dá nem tempo do competidor pensar em desistir. A menos que se machuque, ele vai correr até o final mesmo que chegue em último lugar.

Numa maratona não. Passado pouco tempo do início da prova, 95% dos atletas já sabem que não terão qualquer chance de vencer ou mesmo conseguir uma medalha. Aliás, 90% já o sabiam mesmo antes de iniciar a corrida.

Durante o restante da maratona, eles têm duas longas horas de sofrimento para elaborar mil desculpas para desistir de completá-la. E, salvo contusões sérias, eles também não desistem.

E esses têm o espírito olímpico na sua mais pura acepção.

Uma das cenas mais comoventes que já vi numa Olimpíada, foi a chegada da atleta Gabrielle Andersen, na maratona feminina em Los Angeles, em 84.

Aos 39 anos, ela sabia que aquela seria a sua última Olimpíada. Esgotada, não se sabe por quê recusou água no último posto de abastecimento. Talvez até o bom senso já a tivesse abandonado.

Até o estádio arrepiou-se quando ela entrou caminhando para completar a prova. Caminhando é modo de dizer, ela se arrastava toda torta e cambaleante. Ainda teve que dar uma volta e meia na pista, sempre recusando a ajuda dos médicos que era para não ser desclassificada, até cruzar a linha de chegada e finalmente desabar.

Foi a volta mais longa e um dos momentos mais agonizantes da história das Olimpíadas.

Mas ela chegou.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Something


A música de amor mais bonita de todos os tempos segundo Frank Sinatra, e olha que o homem entende do assunto, é Something, de George Harrison, um dos 300 clássicos dos Beatles. E, conforme o mesmo Frank ressalta, em nenhum momento fala I love you. Tendo a concordar com ele.

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quinta-feira, 19 de junho de 2008

Nomes


Descobri num site que em 2007 de cada 1 milhão de crianças nascidas nos EUA, 47 chamam-se Edison. Muito interessante, né?

Segundo o site NameVoyager (
http://www.babynamewizard.com/voyager), Edison foi o 967º nome mais dado pelos pais aos filhos durante esse ano. E a popularidade vem crescendo dos anos 90 para cá!

Curiosamente, entre 1950 e 1990 os pais preferiram outros nomes e o Edison ficou abaixo da 1000ª colocação. Portanto, quando eu nasci no início desse período meu nome estava em viés de baixa, como diriam os economistas.

O período de maior popularidade do meu nome foi por volta de 1910, quando era o 647º mais popular. Nada mal! Certamente a causa disso foi meu xará mais famoso, aquele da lâmpada.

Não sei a que se deve o crescimento atual, só há uma possibilidade, mas, sinceramente, não tinha idéia que minha viagem em 83 os tivesse impressionado tanto...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Os críticos, ora os críticos!


Antes de qualquer coisa: não tenho nada contra críticos em geral. É importante que o artista receba uma crítica ao seu trabalho, independentemente da opinião de seu público cativo.

Porém, algumas vezes dá até para perceber que o crítico não vai com a cara do autor, ou não gosta do gênero da obra, ou simplesmente não recebeu jabaculê suficiente.

Diz o Millôr, “eu teria gostado mais da peça se não tivesse lido a crítica antes”, e é uma grande verdade. Fica-se na dúvida se a obra é ruim de fato ou se o crítico implicou com ela por algum outro motivo, escuso ou não.

Só para dar um exemplo concreto, logo que começaram a ser lançados CDs no Brasil, lembro-me que havia uma revista que trazia os lançamentos da última geração de aparelhos de som e dava dicas aos leitores. Uma das seções, por acaso a que eu mais gostava e que me fez assinar a revista, comentava os lançamentos de CDs do mês.

Geralmente a crítica era muito bem escrita, só que o comentarista detestava música sertaneja e detonava todo e qualquer CD que tivesse uma dupla de goianos com violão e sanfona na capa. As observações eram até engraçadas para quem, como eu, não gosta desse tipo de música, mas tem gente que gosta, pô!

Então, como é que um camarada que não gosta de música sertaneja pode se meter a comentar o CD? Que entende ele além dos possíveis aspectos técnicos da gravação? Que parâmetro ele usa para dizer se as músicas são boas ou ruins? Não seria muito mais justo e proveitoso colocar alguém que entendesse e gostasse do gênero em questão para comentar a obra? Ou será que ele acha que o gosto dele é universal?

Pegue qualquer revista semanal. Se o crítico for metido a intelectual, vai detestar o filme do Indiana Jones (que ainda não vi) ou o da Xuxa (que não vou ver).

E o contrário também acontece. Você já viu uma crítica desfavorável quando o escritor, por exemplo, é articulista da mesma revista?

Por isso, sempre procuro seguir o conselho de mestre Millôr e só leio a crítica depois de ver o filme, ler o livro, ouvir o CD etc. Nem sempre dá certo, pois a curiosidade é maior que a prudência, mas geralmente saca-se qual é a do crítico. Mas pelo menos tento ler a crítica com olhos críticos.

E por falar neles, que tal mais uma dose de Muppets?

Toma lá: dois dos personagens mais engraçados do show, os mal-humorados críticos Statler and Waldorf!


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segunda-feira, 16 de junho de 2008

Ladeira da Borborema


Ladeira da Borborema
Tu é grande, mas num é maió do que eu,
Porque eu subo ni tu
E tu num sobe ni eu.

De um poeta paraibano, do qual lamentavelmente me esqueci o nome

domingo, 15 de junho de 2008

Muppet Show - Absolutamente genial!

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Forgive me, Charlie Parker, wherever you are!

sábado, 14 de junho de 2008

Lei do Bobo da Corte


Depois de lutar longas e duras batalhas, um Rei volta a seu castelo. Abre a porta do quarto e se depara com o Bobo da Corte comendo a Rainha - não, não, ele não estava jogando xadrez.

Furioso, desembainhou a espada, encostou-a no pescoço do Bobo e gritou:

- Me dê uma boa razão para eu não o matar imediatamente!

- Bom, se Vossa Majestade não me matar eu posso ensinar o seu cavalo a falar!

- Como? Você está me dizendo que pode ensinar meu cavalo a falar?

- Sim, Majestade, eu garanto que seu cavalo aprende a falar em um ano!

- Então você tem exatamente um ano para ensiná-lo a falar, senão eu o mato!

Logo depois, os amigos do Bobo foram falar com ele:

- Mas você está louco! Como é que você foi prometer ao Rei que ia fazer cavalo dele falar?

- Bom, daqui a um ano o Rei pode ter morrido em alguma batalha, eu posso vir a morrer de alguma outra causa ou, com um pouco de sorte, o cavalo pode até aprender a falar...

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Algumas pessoas chamariam a isso de “empurrar o problema com a barriga”, e talvez seja uma ótima descrição. Mas, se você está perdido mesmo, por que não? Vai que o cavalo aprende a falar, né?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Um pouco mais sobre os paradigmas


Observe a figura abaixo por 10 segundos:




Depois, olhe a próxima figura. O que você vê? Uma mulher? Qual a idade dela? Que tipo de roupa ela está vestindo?


Provavelmente você dirá que é uma mulher com pouco mais de 20 anos, bonita, com um nariz delicado etc.

Mas e se alguém lhe disser que é uma senhora na casa dos 80 anos, com um ar triste e um nariz grande? Seria uma bruxa?

Talvez você chamasse esse alguém de louco. Quem teria razão?

Olhe de novo. Consegue identificar a velha senhora? Notou o nariz grande? E o xale?

Tente algo diferente, olhe para a figura no final deste tópico e volte para olhar a figura acima. Viu a senhora agora?

Pois é, a primeira e a última figuras são como os paradigmas que carregamos em nossas vidas. São como mapas que utilizamos para referência.

Se 10 segundos olhando a primeira figura já nos deu uma certeza absoluta do que estava desenhado na segunda (estava mesmo?), imagine o que a soma as experiências que temos ao longo de nossas vidas pode fazer com nossa opinião sobre tudo e todos.


Vemos o mundo não como ele é, mas como nós somos.

Os paradigmas são a nossa fonte de atitudes e comportamentos. E segui-los é a nossa forma de sermos íntegros e coerentes. Não é errado agir conforme nossos paradigmas, muito menos tentar mudar nossas atitudes e comportamentos.

O que precisamos aprender a fazer é constantemente examinar os paradigmas básicos a partir dos quais nossos atos são gerados. E ouvir sempre.




Extraído e adaptado de “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes”, de Stephen R. Covey


quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos Namorados

terça-feira, 10 de junho de 2008

Barão do Itararé

"Um homem que se vende recebe sempre mais do que vale."

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Digressões sobre a auto-ajuda


Livro de auto-ajuda parece um fenômeno recente, mas não é. Quem nunca ouviu falar naquele “Como fazer amigos e influenciar pessoas”? Existe desde que eu me conheço por gente, e olha que isso faz tempo! Deve ser o segundo livro mais antigo de auto-ajuda, perdendo apenas para a Bíblia e suas ramificações.

Porém, o que me impressiona é a quantidade de livros atualmente nessa categoria, fazendo com que as livrarias de uns anos para cá criassem seções específicas para eles, o mesmo ocorrendo com as páginas de crítica das revistas.

Particularmente, não gosto do gênero. Acho que maior parte desses livros serve apenas para ajudar o próprio autor. A receita básica é sempre a mesma: achar um tema atraente e desfilar um monte de obviedades em torno dele. De vez em quando dão um conselho útil.

Por exemplo: você é uma abóbora! Daí até o final do livro ele vai fazer paralelos entre você e uma abóbora, mostrando como o comportamento da abóbora ajudou-a durante o período de evolução da espécie e, de quebra, ainda te ensina como se tornar a maior abóbora do pomar.

Bom, para não dizer que eu não gostei de absolutamente nenhum livro desse tipo, o único que eu li com algum interesse e proveito foi “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes”, de Stephen R. Covey, há muitos anos. Não tanto pelas regrinhas do que ele chama de eficácia, mas por alguns conceitos interessantes que passaram a fazer parte do meu repertório.

Lembro-me de duas historinhas que o autor conta:

1) Um pai entra no metrô com seus dois filhos pequenos e senta-se quieto num canto. Os filhos começam a fazer a maior bagunça, incomodando os demais passageiros que olham feio e resmungam, sem que o pai tome qualquer providência. Passado um tempo, alguém resolve reclamar das crianças com o pai, pois não está conseguindo ler em paz. O pai vira-se e diz: “Me desculpe, o senhor tem razão, é que acabamos de deixar o hospital onde a mãe deles faleceu agora há pouco e nem eu nem eles estamos conseguindo lidar bem com isso”. Imediatamente os passageiros mudaram completamente de atitude e passaram a oferecer ajuda ao pai e a brincar com as crianças para distraí-las.

2) Um navio de guerra navega à noite quando no horizonte uma luz sugere uma embarcação em rota de colisão. O almirante pede para mandar uma mensagem de rádio pedindo para o outro navio desviar sua rota. A resposta foi que o almirante é que deveria desviar-se da sua. Ofendido, o oficial pega ele mesmo o rádio e transmite ordens furibundas:
- Aqui é o Almirante Joseph Smith, da marinha americana, e exijo que você mude sua rota sob pena de corte marcial!
- Aqui é o marinheiro e 3ª classe John Brown, operador de farol, sugiro que o SENHOR mude sua rota!”

São histórias bestas, concordo, mas exemplificam a idéia do autor.

Quantas vezes discutimos com uma pessoa, crentes que estamos certos, só para perceber depois de muito desgaste que talvez o outro possa ter lá suas razões?

E nem precisa ser uma discussão. O mesmo ocorre quando julgamos outras pessoas (como se tivéssemos esse direito), quase sempre baseado em uma impressão inicial superficial, que só a muito custo poderá ser mudada, se é que será dada essa chance.

Isso porque a “verdade” pode ter muitas faces. A lente com que enxergamos o mundo é diferente da lente com que nosso próximo o enxerga. E é sempre útil tentar enxergar pela lente do outro.

Essas lentes são os famosos paradigmas, palavra freqüentemente mal e indevidamente empregada. Muitas vezes já ouvi alguém dizer “você precisa mudar seus paradigmas”, quando na verdade esse alguém apenas quer que você pense igual a ele.

Em resumo, esse livro mudou alguns de meus paradigmas.

Hoje, quando discuto com alguém, procuro entender por que ele tem um ponto de vista tão diferente do meu. Se para mim meu argumento é tão lógico, o que faz com que ele enxergue as coisas de forma diferente da minha?

Pode ser que ele tenha razão.


Mas também pode ser que seja só um grandessíssimo idiota.

sábado, 7 de junho de 2008

Minha alma canta!

Ouço no rádio que agora tem uma lei no Rio de Janeiro que obriga as companhias aéreas a executar para os passageiros o Samba do Avião quando o dito cujo estiver se preparando para pousar.

Uma lei pra lá de simpática. O Rio e Tom Jobim mereciam isso, só não ficou claro se existirá uma punição para quem não o fizer.

Para mim nem precisava muito dessa lei porque toda vez que faço uma escala no Rio ouço essa música dentro da minha cabeça. Não vejo a hora de viajar para lá de novo só para ouvir a música de verdade.

O engraçado, como lembra a reportagem, é que o Tom morria de medo de avião. Li uma vez uma declaração dele dizendo que “avião é legal; o problema é que o defeito acontece lá em cima e a oficina é aqui em baixo”.

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Virando a própria mesa

Quino14

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Plano de Aposentadoria para Ditadores


O problema em ser um ditador é que não existe um plano de carreira nem uma forma prática de aposentadoria. Se outro ditador toma-lhe o poder, o primeiro item de sua agenda será cortar-lhe a cabeça. Se, por outro lado, um governo democrático assume, cedo ou tarde vão querer executá-lo por crimes contra a humanidade. Para um tirano a única estratégia racional é continuar com a brutal repressão a seus inimigos políticos. É muito trabalho para ele e nem um pouco divertido para seus inimigos políticos.

O que o mundo precisa é de um programa que permita uma aposentadoria honrosa para um ditador, assim eles teriam um incentivo para largar o osso. Talvez a justiça não fosse feita, mas seria melhor para o país.

Imagino que um plano desses teria que possuir algum tipo de garantia internacional e permanente para o ditador. Para isso pode ser necessário o uso de tropas das Nações Unidas para a segurança de sua mansão ou fortaleza. E também deveria contar com irrestrito direito de ir e vir, caso ele ainda assim queira fugir do país.

Depois, o ditador deveria ser citado nos livros de história como um tipo de “pai da nação”. Ele seria, ironicamente, o pai da democracia, tendo se afastado para que ela assumisse o poder. A história teria que ser mudada para mostrar as coisas boas que ele fez para a estabilidade nacional e o florescimento da democracia. Seus genocídios teriam que ser esquecidos. Nenhum ditador quer ser objeto de manchetes ruins após sua aposentadoria.

Ao ditador seria permitido manter uma boa parte do dinheiro que ele roubou, limitado a US$ 5 bilhões por ditador.

Poder-se-ia adicionar alguns extras, como colocar a face do tirano em selos ou notas do dinheiro nacional, ou pelo menos permitir que continuasse nas que estiverem em circulação. O fato é que a aposentadoria tem que parecer uma coisa segura e honrosa.

Para o país, a justificativa seria que a ditadura era necessária enquanto ELE estava no poder e só funcionou bem por causa de sua extraordinária personalidade. E, uma vez que seu país não seria capaz de achar outro ditador igual a ele, o melhor seria restaurar a democracia. Pode parecer pouco convincente, mas quando você se lembra do que os governantes reais falam, não é tão diferente.

Eu sei que nunca funcionaria, mas esperar os tiranos morrerem demora muito e matá-los é muito caro. Tem que existir uma forma melhor.

Extraído e traduzido do blog do Scott Adams (
http://www.dilbert.com/blog/)


O texto acima pretende única e exclusivamente ser irônico, apesar de ser bastante lógico. O que talvez o autor não saiba, é que alguns países já adotaram várias dessas idéias. Ele devia cobrar royalties.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Home sweet home


Desço do ônibus cansado após um dia muito estressante e pentelho pra cacete. Olho para a muralha que eu tenho que escalar para chegar em casa e me sinto como os portugueses em São Vicente olhando para a Serra do Mar. Subo a ladeira carregando um mundo nas costas, parece que a cada dia tem um quarteirão a mais. Entro no elevador e me olho no espelho. Quem me olha de volta não sou eu. É um cara com ar abatido, olhos baixos, ombros caídos e os cantos da boca apontando para o chão. Mudo o olhar para os meus pés para não ter que puxar assunto com aquele estranho. É embaraçoso. Entro em casa e me dedico a alguns afazeres banais, arrumo uma coisinha aqui, guardo outra ali, verifico a correspondência. Ligo o computador, espio os blogs favoritos. Isso me anima. Vou me preparar para o banho e no espelho vejo outra imagem. Eu.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Exame psicológico

Dilbert 028

terça-feira, 3 de junho de 2008

Complexidade


Por não ter tido irmãs, meu contato com alguns detalhes do mundo feminino deu-se bastante tarde em minha vida. Dentre meus inúmeros complexos por conta disso, tem um que eu não consigo absorver, ou melhor, compreender.

Eu sabia o que eram e para que serviam os absorventes, é claro, e até via minha mãe comprando para ela, mas alguns detalhes a gente só observa quando o contato fica mais íntimo. Antes que você pense bobagem, me refiro ao momento de comprá-los você mesmo.

Como muitas outras marcas que de tão famosas acabam se tornando sinônimo do próprio produto (como se chama isso, Fê?), como gilete, bandaid, leite moça etc., para mim absorvente sempre foi modess. Demorei muito tempo até chamar absorvente de absorvente e de vez em quando ainda me escapa um modess. Antes que você pense bobagem novamente, me refiro ao momento em que me esqueço de chamar de absorvente, ah, você entendeu...

Um automóvel possui perto de 3.000 peças em sua constituição. Imagine a complicação que é montar um carro, principalmente se algumas dessas peças possuem opções entre elas, como, por exemplo, câmbio mecânico e câmbio automático, direção normal e direção hidráulica, pneus isso e pneus aquilo, frisos pretos e na cor do carro, com rádio e sem rádio, com vidro elétrico e sem vidro elétrico, motor 1.0 e motor 2.0, e por aí vai. Calcule a quantidade quase infinita de veículos diferentes que as combinações entre essas peças podem gerar. É por isso as montadoras acabam oferecendo um número limitado de modelos, que é para não complicar mais a já complicada linha de produção. À maior ou menor variação de produtos na mesma linha chama-se de complexidade.

Porém, se a limitação da complexidade ocorre na fabricação de um produto complicado como é o carro, o mesmo não ocorre na fabricação de um modess, digo, absorvente. Se não, vejamos:

Começa pelo tamanho, um absorvente pode ser mini, midi, maxi ou super. Super!!!! Uau!

E tem uma versão mais larga atrás... deve ser o equivalente ao semi-super!

Aí vem a espessura: normal, fino e ultra-fino. Imagino que o mercado para os grossos seja muito limitado.


Ah, e pode ser compacto também.

Com relação à sensibilidade, tem só a suave. Aqui fica claro que ninguém compraria um que fosse áspero, por exemplo.


O mesmo ocorre quanto à flexibilidade, existe uma versão flexível, mas não se encontra nas prateleiras a versão rígida.

E ninguém, nem mesmo eu na minha santa ignorância absorventícia, imagina que alguém compraria um absorvente que não tivesse máximo conforto ou máxima absorção, mas eles estão lá na prateleira como se fosse uma opção a escolher. Na verdade, não são opções válidas, são puro marketing mesmo.

A capacidade de absorção pode variar conforme o fluxo: normal, reduzido e intenso, e adicione uma opção noturna.

Uma coisa importante também são as fixações, tem com abas e sem abas.

E não nos esqueçamos da versão teen!

Portanto, meu amigo, se você for encarregado de comprar absorvente para sua mulher, namorada, mãe ou avó, certifique-se de tomar nota de todos os detalhes, ou levá-la junto, afinal é ela quem decide o modelo do carro também.

Como você pode notar, fiquei só na modalidade externa, mas o mesmo exercício pode ser feito para as opções embutidas. Pergunto-me: que modelo de Tampax o Príncipe Charles gostaria de ter sido?

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