terça-feira, 29 de abril de 2008

1º de Maio


Meu sábio avô Zuza, que não era nenhum vagabundo, sempre me dizia que queria saber quem foi o estúpido que disse que o “trabalho enobrece”. Demorei a entender o que ele realmente queria dizer com isso.

Tive que trabalhar e ralar muito para entender que o trabalho é apenas um meio de ganhar a vida. Briguei para “subir” na hierarquia da empresa para descobrir tempos depois e graças a um processo forçado, que gosto muito mais da vida anterior.

Num país onde o mais importante é se dar bem, percebo finalmente que dar-se bem é ficar em paz consigo mesmo e a família.

Fecho com um trecho do samba de Noel Rosa, “O orvalho vem caindo”, um verdadeiro hino desse país macunaíma.

“A minha terra dá banana e aipim
Meu trabalho é achar quem descasque por mim
(vivo triste mesmo assim)”

Churchill e Ruy Barbosa


Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembléia de vedetes políticas.

O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal:

- Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta.

Ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio pôde dar ao pupilo que se iniciava numa carreira difícil.

A maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da Inteligência. Isso na Inglaterra. Imaginem aqui no Brasil.

Não é demais lembrar a famosa trova de Ruy Barbosa: "Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma Ciência."

(recebido pela internet)

domingo, 27 de abril de 2008

A Luta do Século


O Boxe é um esporte fascinante. A gente passa metade da luta se perguntando por que dois seres humanos se prestam a entrar num ringue para trocar sopapos e a outra metade torcendo para um deles levar um nocaute.

Tal como os gladiadores da Roma antiga, os boxeadores também se mutilam, quando não se matam, para divertir o público. Tal como os gladiadores, os boxeadores se utilizam do esporte para subir um degrauzinho na pirâmide social.

A década de 70 foi particularmente pródiga em duelos entre os pesos-pesados, principalmente Sonny Liston, Floyd Patterson, Joe Frazier, George Foreman e, claro, o maior de todos, Muhammad Ali. Todas as disputas de títulos eram anunciadas como a Luta do Século. Em uma única década deve ter havido umas dez “lutas do século”.

Mas a que verdadeiramente mereceu esse título, foi a luta entre George Foreman e Muhammad Ali, em 1974, no Zaire. Havia muito mais em jogo do que o título mundial e os milhões de dólares que sempre correm nesses eventos.

De um lado, George Foreman, campeão olímpico, detentor do título, sete anos mais novo, negro, representava o establishment branco, simbolizado pelo uso de calções com as cores da bandeira americana. Quem acompanhou seus treinamentos chegou a temer pela vida de seu adversário.

No outro corner, Muhammad Ali, nascido Cassius Clay, campeão olímpico, recusou-se a alistar-se no exército americano para lutar na Guerra do Vietnã ("No vietcong has called me nigger"). Virou um pária. Perdeu sua medalha e seus títulos. Converteu-se ao islamismo e mudou de nome. Os calções predominantemente brancos ressaltavam sua pele negra.

A luta foi fantástica em emoção. Ali boxeou como um dançarino; ficava encostado em seu canto e esquivava-se das porradas de Foreman. As que o acertavam, pareciam que nenhum efeito causavam. Ali baixava a guarda e brincava com Foreman. Este, de tanto tentar, acabou se cansando. Até que, no oitavo assalto, aconteceu o que pouca gente esperava. Foreman sofreu uma seqüência de golpes, caiu e não se levantou mais.


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Para quem quiser saber mais, recomendo assistir ao filme “Quando éramos reis” e a leitura do livro “A luta”, de Norman Mailer. Imperdíveis.


Foreman lutou ainda por muitos e muitos anos, tendo sido campeão em 1976 e 1994. Atualmente, vende grills.

Muhammad Ali virou lenda, hoje sofre de Mal de Parkinson.

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Naquele tempo já se usava chamar ex-atletas ou gente do meio para comentar esportes. O grande comentarista de box da época era Khaled Cury. Chamava atenção por suas pérolas, como essas anotadas por minha mãe em um livro de receitas durante a “luta do século” de 1975, entre Ali e Frazier, nas Filipinas:

"Recebeu golpes ao corpo"
"Ali goza do conceito do presidente"
"Frazier tem mais facilidade de sangue"
"Se alguém pode prever alguma coisa, ninguém pode prever nada"
"Nu Iorque"
"Manáger"
"Marramédi"
"A passividade de Ali começa a se mostrar, mas já agora ele começa a se girar"
"Ronde decisivo não para Frazier, senão para Cassius Clay"
E a me
lhor de todas: "Há uma torrente de dólares tão grande em Manila neste momento, que Mac Arthur gostaria de estar lá de novo, naturalmente se estivesse vivo"!

Complemento a informação a pedido da minha mãe: essa luta também foi vencida por Ali, por desistência de Frazier no 14ª assalto. Após a luta, Ali disse modestamente: "Frazier é o melhor lutador do mundo. Depois de mim".

Gesto de amor

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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Engenharia


"É a arte ou ciência de moldar materiais não completamente conhecidos, utilizando mão de obra não 100% confiável, em formas cujos comportamentos não sabemos precisar direito, para receber cargas as quais não temos como avaliar acuradamente. Tudo isso sem levantar as suspeitas da sociedade sobre o tamanho da nossa ignorância".

(Eng. Anônimo)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Reconsiderações


Sempre achei engraçadas, ridículas até, aquelas pessoas que levam carrinhos de feira e sacolas aos supermercados.

Desde que as campanhas ecológicas passaram a nos dizer que os sacos plásticos levam 1000 anos para começar a se decompor (como será que mediram isso?), passei a considerar melhor essas pessoas, porém não me via fazendo a mesma coisa, pelo menos de forma voluntária, por vergonha e um pouco de preguiça.


Isso terá que ser uma prática generalizada e, de preferência, espontânea. Será?

Sim, porque o próximo passo seria os supermercados passar a cobrar pelo fornecimento das sacolas (leio na coluna do Ivan que uma grande rede já faz isso na Inglaterra) – claro que aqui só funcionaria se todos os estabelecimentos fizessem isso de comum acordo, porém sempre teria um esperto que daria os sacos “de grátis” para atrair clientes. Ou um governo paternalista de plantão emitir uma lei que proíba o uso dos ditos saquinhos plásticos.

Um dia, porém, imaginei-me carregando as tais sacolas de feira, entrando com elas vazias debaixo do braço no mercado e saindo com elas cheias... opa!

Explico o “opa”, pois foi exatamente a sensação que tive. Para entender, é necessário contar passo a passo o processo pelo qual eram submetidas as mercadorias compradas por mim após chegar ao caixa com o carrinho:

- retirar produto por produto do carrinho e passar pelo caixa
- embalá-los separadamente por tipo (materiais de limpeza, congelados etc.) e colocá-los nos saquinhos plásticos
- colocar de volta no carrinho, tomando cuidado para não colocar coisas pesadas sobre coisas frágeis (*)
- levar o carrinho até o estacionamento e colocar as sacolas no porta-malas do carro, em ordem inversa à que estão arrumadas no carrinho, ou seja, temos que dar um jeito de tirar as coisas pesadas que estejam por baixo das leves para colocá-las antes no porta-malas
- chegando em casa, retirar as sacolas do porta-malas, colocar no carrinho do condomínio de novo enfrentando o quebra-cabeça de pegar primeiro as coisas pesadas (que estão por baixo, lembre-se) para colocá-las antes no carrinho
- subir com o carrinho e tirar as sacolas em casa
- levar o carrinho de volta para a garagem

A perda de tempo e a ineficiência do processo sempre me irritaram, principalmente porque normalmente me roubavam minutos preciosos aos sábados, que como todos sabemos é um dos dois dias úteis da semana.

Ao imaginar esse processo usando as sacolas de feira, percebi que poderia ganhar muito tempo na operação, pois só preciso me preocupar em como guardar as compras na sacola uma única vez – e não três como mostrado acima. Além disso, não preciso mais do carrinho do condomínio, o que me poupa o trabalho de levá-lo de volta à garagem.

Resolvi tentar e pude constatar um ganho de uns 15 minutos, sem brincadeira! Pense bem, 15 minutos por sábado representam 1 hora por mês, ou meio dia por ano!

Continuo achando ridículas as sacolas de feira, mas para quem me olha torto, eu de quebra faturo no marketing pessoal, pois posso dizer que faço isso porque estou preocupado com a Natureza. Na verdade também estou, é claro, mas é quase como um benefício que veio agregado.



(*) Desenvolvi uma classificação de mercadorias para ajudar no processo de arrumação, dividindo-as em quatro categorias:
- artigos leves e sem resistência: verduras, pães etc. (sempre ficam por cima)
- artigos pesados e resistentes: vidros, embalagens plásticas etc. (esses sempre vão por baixo)
- artigos leves, porém resistentes, sobre os quais posso colocar peso: papel higiênico etc.
- artigos pesados, porém frágeis: ovos, frutas etc. (esses são os mais difíceis de ajeitar)
Mas não vou me estender muito nessa teoria, se não você pode pensar que eu sou louco...


terça-feira, 22 de abril de 2008

Achamento do Brasil


Porque não é feriado pouca gente se lembra, mas hoje faz 508 anos da chegada de Cabral com suas 12 naus e caravelas ao Brasil. Pode não ter sido o primeiro, mas foi o que melhor fez uso do Marketing.


domingo, 20 de abril de 2008

Ainda sobre as falhas


sexta-feira, 18 de abril de 2008

A propósito...

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quarta-feira, 16 de abril de 2008

A necessidade não é a mãe da invenção!

A vontade, e não a necessidade, é a mãe da invenção. As inovações vêm da nossa insatisfação com a capacidade de alguma coisa comportar-se como desejamos. Mais especificamente, o desenvolvimento de novos artefatos e tecnologias parte da incapacidade dos existentes de atuar conforme prometido, esperado ou imaginado. Frustração e desapontamento nos impõem um desejo: melhorar essa merda!

As primeiras coisas úteis para os homens surgiram na natureza e daí também vieram nossas primeiras ferramentas. Assim, as pedras transformaram-se em martelos. Para uma pedra dar um bom martelo, era preciso que tivesse tamanho e forma adequados, bem como dureza maior do que os objetos a serem martelados. As pedras que não se mostravam adequadas à tarefa eram descartadas e os bons martelos foram evoluindo pela correção das falhas dos anteriores. No entanto, mesmo as melhores pedras tinham suas limitações e o reconhecimento da existência dessas falhas resultou na busca de melhorias. Uma das primeiras melhorias talvez tenha sido amarrar um pedaço de madeira para servir de cabo, protegendo as mãos do usuário e possibilitando marteladas mais fortes.

Não importa o quão tecnologicamente desenvolvido seja um equipamento ou sistema, ele sempre terá uma limitação. A maior parte dos usuários de tecnologia, inclusive nós, sentados diante do computador, nos adaptamos às limitações dos equipamentos. Na verdade, no uso desses equipamentos está implícito aceitar suas limitações, mas é da natureza humana a vontade de usar as coisas além da capacidade para a qual foram projetadas.

Portanto, da próxima vez que uma ponte cair ou seu computador travar, lembre-se: podemos estar prestes a assistir a mais uma etapa da evolução da humanidade!


Extraído e adaptado do livro “Success through failure”, de Henry Petroski.

Freaking Brothers

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terça-feira, 15 de abril de 2008

Anne Frank


A história de Anne Frank é tocante. Acabo de ler pela terceira vez seu famoso Diário. Em seguida li sua biografia, escrita por Melissa Müller. Confesso que achei que ia ser meio repetitiva, mas como veio bem indicada pela minha mãe, li. E gostei muito.

A narrativa de Anne do pesadelo que viveu e seu término brusco (“O DIÁRIO DE ANNE FRANK TERMINA AQUI”) são chocantes o suficiente para nos deixar sem fôlego para fazer quaisquer perguntas além de “como isso foi possível?”

A biografia, no entanto, vai um pouco mais além e narra com detalhes a invasão da polícia no esconderijo para efetuar a prisão. Fala como, ao contrário do que muita gente pensa, quase todos os empregados que trabalhavam no prédio e também alguns vizinhos aos poucos foram descobrindo que havia gente escondida lá. Menciona a investigação infrutífera, anos depois, para tentar descobrir quem os havia traído. Segue também cada membro da família após a prisão e conta como morreu cada um deles, com exceção do pai. E faltava tão pouco para os aliados chegarem...

Sempre me impressionaram as histórias sobre a segunda guerra e o holocausto. Acho que nunca a humanidade chegou tão perto de seu ponto máximo de barbárie. Graças ao meu avô, tive acesso a uma ampla biblioteca sobre a guerra. Filmes como O Pianista, A Lista de Schindler e outros do gênero sempre me tocam profundamente, mesmo sabendo o final da história. É tudo tão inconcebível, que mesmo hoje é difícil imaginar o sofrimento por que passou tanta gente, e não me refiro somente aos judeus.

Acho que não se pode culpar todo um povo pelo que ocorreu. Primeiro, porque generalizar seria o mesmo preconceito só que com sinal trocado. Depois, porque o mesmo sentimento se espalhou por quase todos os países conquistados, pela manipulação e propaganda, pela exploração de sentimentos arraigados há muitos séculos e por oportunismo puro e simples. E, por último, porque muitas pessoas de outros países, mesmo entre os aliados, não sujeitos, portanto, à influência da propaganda, também acreditavam naquilo ou simplesmente fecharam os olhos.

E, como se isso não bastasse, após a guerra muitos judeus entraram com ações contra o governo para reaver seus bens confiscados pelos nazistas. Num preciosismo burocrático e cínico, o novo governo exigiu que eles declarassem e descontassem das indenizações solicitadas, eventuais débitos anteriores para com o imposto de renda.

A natureza do homem foi testada no seu limite mais baixo, não creio realmente que algo assim tenha lugar novamente, pelo menos em proporções tão grandes. Devemos cuidar para que não aconteça nem em proporções pequenas, começando por nós mesmos e ao nosso redor.

O livro fala também sobre os muitos judeus e outros perseguidos que ficaram escondidos e conseguiram assim atravessar o período da guerra. O porquê de Anne Frank ser a mais conhecida é simples para quem leu sua comovente e sensível narrativa e acompanhou o amadurecimento daquela adolescente em condições extremas. Alguém que, escondida no sótão de um escritório por dois anos, ainda consegue nos brindar com um conselho simples e verdadeiro:

“E para todos aqueles que têm medo, que estão solitários ou infelizes, com certeza o melhor remédio é ir lá fora, em qualquer lugar onde estejam inteiramente sozinhos, sozinhos, com o céu, a natureza e Deus”.

Shallom Anne Frank!



P.S.1 Sou em parte descendente de alemães e passei recentemente por uma conversão simbólica e dolorida ao judaísmo.


P.S.2 E também não acho muito bonito o que acontece na Palestina.



segunda-feira, 14 de abril de 2008

Palafitas

Quando fui à Bahia pela primeira vez, em 1974, uma das coisas que mais me impressionou foi um passeio de barco que fizemos em meio às palafitas, uma espécie de favela sobre o mar, composta por toscas casinhas equilibrando-se hipostaticamente sobre tronquinhos de madeira prestes a desabar.

Crianças minúsculas, ainda com chupeta na boca, olhavam o barco passar sentadinhas à porta das casas com os pezinhos balançando sobre o mar sem despertar qualquer cuidado das mães. Talvez elas tivessem preocupações maiores.

Não sei dizer quando isso se deu, mas soube que as famílias foram relocadas para outros lugares. Provavelmente para outro tipo de favela, mas que não podiam ser piores que aquelas.

Com o tempo, essa “atração” turística foi erradicada em favor de outras muito mais legais, como o pelourinho reformado, o mercado modelo idem, carnavais, micaretas, resorts maravilhosos etc.

Eis que, conversando recentemente com um amigo baiano, soube que aos poucos as palafitas estão voltando. É lamentável.

sábado, 12 de abril de 2008

What a Wonderful World!

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Ah, as estatísticas...


Um cara come um frango e o outro nenhum. Em média cada um comeu meio frango, ótimo, porém o segundo ficou com fome e o primeiro provavelmente com dor de barriga. Essa velha piada, como de resto quase todas as piadas, traz uma verdade embutida: estatísticas são perigosas se utilizadas incorretamente ou, pior ainda, dolosamente, principalmente em época de eleição.

Estudos divulgados pela imprensa não especializada (e especializada também) afirmam categóricas verdades que são desmentidas tempos depois. Lembra quando o ovo fazia mal à saúde? A novidade é que parece que agora não precisamos mais beber 2 litros de água por dia, ou seja, de uma hora para outra, carregar garrafinhas a tiracolo passará de hábito saudável a frescura.

Muitas vezes, fatos comprovados estatisticamente não têm nexo causal, ou seja, embora estejam relacionados entre si, não quer dizer que um seja a causa do outro. Nem sempre é tão óbvio assim, mas um cientista descuidado de outro planeta, observando nossa cidade num dia de chuva poderia chegar à conclusão que a chuva foi causada pelo excesso de carros nas ruas.

O livro Freakonomics, escrito por Steven Levitt e Stephen Dubner, é um bom exemplo disso. Em cada capítulo ele aborda o outro lado dos dados estatísticos de alguma questão atual, chegando a conclusões, muitas vezes politicamente incorretas, mas sempre bem diferentes das que estamos habituados a ler e ouvir. É bom para ensinar a pensar.

Num dos capítulos mais polêmicos, ele aborda a drástica redução da criminalidade na cidade de Nova Iorque. Ele desfila por todos os argumentos utilizados para explicar a redução, tais como: momento econômico bom, diminuição do tráfico e consumo de crack, novas estratégias policiais (tolerância zero), controle mais rígido do porte de armas, aumento da idade média da população, incremento do número de policiais nas ruas e o crescente número de jovens presos.

Sem desmerecer a importância de cada item acima, ele contra-argumenta com estatísticas de outros locais, provando que esses fatos por si só não teriam sido suficientes para a redução da criminalidade. A conclusão que ele nos oferece é que a principal causa da redução teria sido a legalização do aborto aproximadamente 20 anos antes dos índices de criminalidade começar a baixar. A razão seria que menos crianças rejeitadas por seus pais estariam à solta pelas ruas cometendo crimes. Em tempo, ele diz que não é pró-aborto, apenas explica como ele acha que o mundo funciona.

O argumento é tentador, porém, usando a mesma linha dele já tem gente perguntando se isso não deveria ter começado a ocorrer 20 anos depois que a pílula apareceu, na década de 60. Ou as crianças não-nascidas por causa da pílula são diferentes das crianças não-nascidas por causa do aborto?

Várias hipóteses para tentar responder essa pergunta serão levantadas, porém, como diz o nome, são hipóteses, à procura de um cientista que as confirme.

Tomemos cuidado com os resultados.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

João-de-barro


O joão-de-barro produz uma obra arquitetônica admirável. Macho e fêmea encarregam-se da incorporação e construção do imóvel. Escolhem locais onde podem construir usando fundações diretas, tais como galhos de árvores, postes, cercas etc. O material de construção é argamassa de barro trazida em pequenas porções, com a qual fazem o piso da casa com aproximadamente 22 cm de comprimento. Começando ao mesmo tempo, cada um de um lado da casa, começam a erguer as paredes parando de tempos em tempos para que o barro adquira resistência. A planta básica compõe-se de dois cômodos separados por uma parede, sendo uma ante-sala e uma suíte reservada para a cama dos filhotes, protegendo-os contra o ataque de aves de rapina.
Não tem playground, nem piscina, nem churrasqueira, nem fitness center e nem gazebo.
Importante: O joão-de-barro não tem CREA e não trabalha aos domingos.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Burocracia Divina


Minha mãe ouviu essa singela historinha da Efigênia (sic), a Efe, empregada dela há muitos anos.

Uma amiga da Efe recebeu um grande prêmio no programa do Gugu. A prova consistia em achar uma nota de R$ 10,00 com o número de série pré-determinado. Ela achou e de fato ganhou o prêmio! A chave de seu sucesso foi ter orado. Porém, o segredo foi ter orado à noite, bem de madrugada, porque “dizem, né D. Marília, a fila é menor”...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Procura-se um amigo (Vinícius de Moraes)


Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração.

Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.

Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa.

Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.

Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.

Deve guardar segredo sem se sacrificar. Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão.

Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.

Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar.

Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa.

Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo.

Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.

Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo.

Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.

Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.

Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.

Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.

Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.

Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.


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