sábado, 29 de março de 2008

Escutatória - texto de Rubem Alves


ESCUTATÓRIA
Rubem Alves

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil.

Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma".

Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma".

Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio (os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, [...]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem.

Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades.

Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado".

Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou".

Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião.

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.


E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.

A música acontece no silêncio.

A alma é uma catedral submersa.

No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada.

Somos todos olhos e ouvidos.

Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.

Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O Jeito

video

quinta-feira, 27 de março de 2008

Passado o Dia Internacional das Mulheres...


Declarações dos Homens para as Mulheres

1. Se você pensa que está gorda, é bem provável que você esteja certa. Não me pergunte. Me negarei a responder.
2. Se você quer algo, peça. Deixemos isto claro: as indiretas sutis não funcionam. As indiretas diretas não funcionam. As indiretas muito óbvias também não funcionam. Diga as coisas tal como são.
3. Se você faz uma pergunta para a qual não quer resposta, não se zangue ao ouvir o que não quer.
4. Às vezes não estou pensando em você. Nada está acontecendo. Por favor, acostume-se a isto. Não me pergunte no que estou pensando, a menos que você esteja pronta para falar de temas como política, economia ou futebol.
5. Domingo = Futebol na TV. É como a lua cheia ou a maré. Não pode ser evitado.
6. Ir às compras não é divertido, e não, nunca vou considerá-lo desta maneira.
7. Quando temos que ir a algum lugar, absolutamente qualquer coisa que você vestir está bom. DE VERDADE.
8. Você tem roupa suficiente. Você tem sapatos demais. O choro é chantagem.
9. A maioria dos homens tem três pares de sapatos. O que faz você pensar que eu sirvo para decidir qual dos 30 pares que você tem vai melhor com seu vestido?
10. Simples SIM e NÃO são respostas perfeitamente aceitáveis para qualquer pergunta.
11. Venha a mim com um problema somente se você quiser ajuda para resolvê-lo. Para isto sirvo. Não me peça empatia como se eu fosse uma de suas amigas.
12. Uma enxaqueca que dura 17 meses é um problema. Melhor ir ao médico.
13. Se algo que eu disse puder ser interpretado de várias formas e uma delas deixa você triste ou zangada, a minha intenção era dizer a outra.
14. TODOS os homens enxergam em 16 cores, como o padrão do Windows. Pêssego, por exemplo, é uma fruta e não uma cor. Abóbora também pertence ao reino vegetal. E o que diabos é fúcsia?

15. Onde eu tiver coceira, vou me coçar. Não importa quando, onde nem na frente de quem.
16. Se eu perguntar o que está acontecendo e sua resposta for “nada”, minha reação será como se nada estivesse acontecendo.
17. Peitos e bundas existem para serem olhados, e é por isso que olhamos. Não tentem mudar isso.

18. Não me pergunte “Você me ama?” Tenha certeza de que se não a amasse não estaria com você.

Sim, eu sei, hoje vou ter que dormir no sofá, mas sabe, os homens realmente não se importam muito com isso, é como acampar.

(recebido pela internet e editado para retirar as coisas que eu não concordava)



segunda-feira, 24 de março de 2008

Imprensa


A Páscoa sempre me faz meditar. É recorrente como os feriados anuais, os quais são cobertos de uma forma recorrente pela imprensa. Parece perseguição minha com o 4º poder, mas talvez seja minha aversão natural aos poderes constituídos. Principalmente àqueles que se julgam acima do que realmente são.

É inegável a contribuição da imprensa para a (des)informação do público, isso mesmo, no bom e no mau sentido. Como todo poder, muitas vezes é usado de forma abusiva e, mais vezes ainda, é difícil saber se estamos sendo manipulados e até que ponto. Mas não estou a fim de falar sério, muito menos comparar a Veja com a Carta Capital.

Falava eu sobre a Páscoa. Se a pessoa for um pouco observadora, vai ver que todas as reportagens sobre essa chocolatística data são muito semelhantes em forma e conteúdo às do ano passado, que também são iguais às do ano imediatamente anterior e assim por diante. Se a pessoa for mais observadora um pouco, vai notar que geralmente são feitas pelos estagiários de jornalismo da emissora ou jornal ou revista, pois os titulares estão descansando.

“Preços dos ovos variam até 60% entre os supermercados”, “Qual o verdadeiro significado da Páscoa?”, “O que simboliza o coelhinho?” etc. São ou não são jornal velho, com o perdão do trocadilho? Estas mesmas frases, com as variações correspondentes ao contexto, são ouvidas no Natal e na época da compra de materiais escolares, pode conferir.

Agora, mais repetido que samba de escola, são as reportagens após o carnaval. Nunca falta em nenhuma emissora, sem exceção mesmo, a tradicional entrevista com o lixeiro varrendo o sambódromo na quarta-feira de cinzas! E termina sempre pedindo pro coitado dar uma sambadinha... É infalível!

Eu até choro com a reportagem, também nos finais de ano, com um especialista em economia ensinando o que fazer com o 13º. Ora, será que ninguém percebe que quem consegue chegar ao final de ano sem o seu 13º salário já quase integralmente comprometido não precisa de um especialista? Para os demais, o conselho é totalmente inútil, inóquo e indecente.

E por falar em especialistas, ah, os “especialistas”!

É só cair um avião que imediatamente aparece um especialista em acidentes aéreos, alardeando sem nenhum dado concreto as causas da tragédia. Quando o especialista é um pouco mais cuidadoso e diz que é apenas uma provável causa, o repórter imediatamente corta a palavra dele e dá como fato consumado. No caso do avião da Gol que bateu no Legacy, a primeira notícia que li dava conta que o jatinho pertenceria a contrabandistas e que o governo nada fazia para controlar a criminalidade. Imagina, não conseguem controlar nem dois aviões em vôos registrados...

Verdadeiros irresponsáveis apareceram na televisão para falar sobre o buraco da linha 4 do metrô, dizendo que o Rio Pinheiros iria transbordar buraco adentro. Outro dizia que a causa era a mudança do tipo de contrato entre o metrô e as concessionárias. E por aí vai, sempre em busca de uma sacanagem para montar um dossiê.

Nenhum acidente tem uma causa única, senão não teria acontecido. No nível atual de tecnologia as redundâncias cobrem cagadas de variados graus. Portanto, quando se sai dando tiro para tudo quanto é lado, é provável que alguns acertem o alvo, como o relógio quebrado, que duas vezes por dia marca a hora corretamente (isso para relógios analógicos, não vale para os digitais).

Advogados, Engenheiros, Médicos, Pilotos, Lixeiros, todas as profissões têm irresponsáveis de plantão prontos para seus 15 minutos de fama.

Há uns poucos anos tivemos um período de seca, chovia de fato muito pouco. Logo apareceu um especialista, esse do Governo mesmo, alardeando que levaria vários anos até os reservatórios se encherem novamente. No ano seguinte já estava tudo normal.

Por isso não assino mais nenhuma revista ou jornal. Televisão, nem pensar. Procuro ler um pouco de cada assunto em várias fontes na internet mesmo (é de graça) e tirar minhas impróprias conclusões.

Se é para errar, erro sozinho mesmo.



quinta-feira, 20 de março de 2008

Momento gastronômico


FRANGO COM WHISKY

Ingredientes:

- 1 garrafa de whisky - do bom, claro!
- 1 frango de aproximadamente 2 quilos
- sal, pimenta e cheiro verde a gosto
- 350 ml de azeite de oliva extra virgem
- 500 g de bacon em fatias
- nozes moídas

Modo de preparar:


- pegue o frango.
- beba um copo de whisky.
- envolver o frango no bacon e temperá-lo com sal, pimenta e cheiro verde a gosto.
- massagear o frango com azeite, intercale com uns goles de whisky.
- pré-aquecer o forno por aproximadamente 10 minutos.
- sirva-se de uma boa dose (caprichada) de whisky enquanto aguarda.
- colocar o frango em uma assadeira grande.
- sirva-se de mais duas doses de whisky.
- axustar o terbostato na marca 3, e debois de uns binte binutos, botar para assassinar, digu: assar a ave.
- derrubar uma dose de whisky bedois de beia hora, formar abaertura e controlar a sssadura do frango. Tentar zentar na gadeira, servir-se de uoooooooootra dose
sarada de whisky.
- cozer(?), costurar(?), cozinhar, sei lá, vooda-se o vrango.
- deixáááá´o filho da buta do pato no vorno por umas 4 horas.
- tentar retirar o vrango do vorno. Mandar mais uma boa dose de whisky pra dentro...de você, é claro. Tentar novamente tirar o sacana do vrango do vorno, porque na primeira teenndadiiiva dããão deeeeuuuuuu.
- begar o vrango que gaiu no jão e enxugar o filho da puta com o bano de jão e cologá-lo numa pandeja ou qualquer outra borra, bois, avinal, você nem gosssssssssta muito dessa bosta mesmo.
- bronto.

Num vumita no vrango, garaio!!!!!

(recebido pela internet)

Nossa Língua Portuguesa - que orgulho!


A cada dia o português vem se tornando uma língua mais conhecida. Veja, por exemplo, o e-mail abaixo, enviado diretamente do RH da matriz americana de uma empresa, direcionado aos funcionários americanos da filial brasileira:

"It has been brought to our attention by several officials visiting our corporate headquarters, that offensive language is commonly used by our Portuguese-speaking staff, and to be precise, by you. Such behavior, in addition to violating our policy, is highly unprofessional and offensive to both visitors and colleagues. Staff will immediatly adhere to the following rules:

1 - Words like caralho, cacete, porra or puta que o pariu and other such expressions will not be used for emphasis, no matter how heated the discussion.
2 - You will not say cagada when someone makes a mistake, or está fazendo cagada if you see somebody either being reprimanded or making a mistake, or o que é um peido prá quem já está cagado when a major mistake has been made. All forms derivated from the verb cagar are inappropiate in our environment.
3 - No project manager, section head or administrator, under any circumstances, will be referred to as filho da puta, pentelho, o grande come merda or vaca gorda, vá para a puta que te pariu.
4 - Lack of determination will not be referred to as falta de culhão or coisa de boiola and neither will persons with lack initiative be referred to as puto, corno, cagão or veado.
5 - Unusual or creative ideas from your superiors are not to be referred to as punhetas mentais.
6 - Do not say como enche o puto do saco este pentelho if a person is persistent, when a task is heavy to accomplish remember that you must not say é foda. In a similar way, do not use esse cara está fodido if a colleague is going through a difficult situation. Furthermore, you must not say que foda when matters become complicated.
7 - When asking someone to leave you alone, you must not say vai pra merda. Do not ever substitute 'May I help you?' with que porra você quer? When things get tough, an acceptable expression such as 'We are going through a difficult time' should be used, rather than estamos fodidos or isto aquí está foda, or puta que o pariu!!!.
8 - No salary increase shall be ever referred to as aumentinho de merda or merreca do caralho.
9 - Under no circumstances should you call our elderly corporate partners velhos pentelhos or velhos escrotos.
10 - Last, but not least, after reading this memo please, do not say vou limpar o cu com esta merda! Just keep it clean and dispose of it properly.

We hope you will keep these directions in mind.

Thank you,

Employee Department "

quarta-feira, 19 de março de 2008

Cartum escrito


Procurei feito um doido um cartum que eu tinha, que me lembrei enquanto escrevia o Jazz, Jazz, Jazz. Como não achei (grrr...), vou tentar descrevê-lo:

Quadrinho 1:
Um cara de meia idade segura um LP nas mãos, um adolescente se aproxima e pergunta:
- O que é isso, tiozinho?
- É um LP.

Quadrinho 2:
- O que é um LP?
- É um objeto que usávamos para gravar música.

Quadrinho 3:
- O que é música?

terça-feira, 18 de março de 2008

Matando o tempo


Dizem que os ingleses adoram conversar sobre o tempo. Aliás, conversar sobre o tempo é uma coisa bastante aborrecida, boring, como dizem os mesmos ingleses. Principalmente lá, onde só faz sol cinco dias por ano e nos demais dias está nublado.


Piada ou não, se esse costume possuir um tema musical, já sei até qual é, uma das lindas canções dos Beatles, se não me engano do George Harrison: Here comes the sun... de da de de... it’s all right... it’s been a long cold lonely winter...

Mas não são só eles que usam o tempo para preencher o tempo das inconfortáveis e inevitáveis lacunas das conversas. Nós também. E provavelmente todos os demais países filiados à FIFA.

Acho engraçado como nos utilizamos sempre de chavões para falar sobre o assunto, pouca gente diz alguma coisa realmente nova, mas, afinal, o que há de original sobre o tempo?

Além do tradicional “será que chove hoje?” e suas variações, há aquelas situações que geram comentários frutos de profundas reflexões:

Esquentou um pouco no Inverno? “Puxa, se o Inverno está assim, imagina o Verão como vai ser!”

Esfriou em pleno janeiro? “Ah, esse ano não vamos ter Verão!”

E a resposta também é sempre mais ou menos a mesma “É, esse tempo tá maluco mesmo...” ou então, “É o El Niño!”, adoro essa!

Como se em algum Verão da história tenha feito só calor ou em algum Inverno só frio! Como se morássemos na Antártida onde, lá sim, é obrigado a fazer frio em todos os dias do Inverno! (não pretendo ir lá para conferir)

E isso contagia também a imprensa, que igualmente sofre com a falta de assunto em algumas editorias e alimenta o público com notícias dadas cheias de exclamações!!! Se não, vejamos, todo Inverno ou Verão tem um recorde de temperatura ou de chuva que não se repetia há pelo menos 20 ou 30 anos. Pode conferir.

"É a primeira vez em 20 anos que faz mais de 36ºC no dia 5 de fevereiro!"

Provavelmente é, só que no ano passado essa mesma temperatura ocorreu no dia 4, mas isso não importa, recorde é recorde.

"A chuva que caiu ontem só acontece a cada 30 anos!"

Por que ninguém questiona isso se quase todo ano a gente vê a mesma manchete?

Bom, nesse caso, faço um mea culpa em nome dos engenheiros. Esses dados são tirados de tabelas que têm pouco mais de 100 anos de vida. Pode ser muito boa para chuvas "normais", porém, é estatisticamente irrelevante para chuvas com períodos beirando a idade da tabela. Isso para não mencionar as claras mudanças climáticas pelas quais o mundo vem passando. Espero sinceramente que tenha algum colega refazendo as tabelas.

Enquanto isso, sigo aqui curtindo esse friozinho de março. Onde vamos parar com um tempo maluco desses!

Boa Páscoa!

(Esse cartum é desaconselhado para menores de 12 anos)

sexta-feira, 14 de março de 2008

Cartuns prediletos 2 - Dilbert


Olha, Tiago, do Dilbert com advogado eu não conheço, mas tem essa com farmacêutico, serve?

Abração!

Dilbert 001

terça-feira, 11 de março de 2008

Simon & Garfunkel & Quino

Hoje eu estava viajando de carro sozinho e levei um CD em homenagem à Bia, minha adorável prima-sobrinha, que descobri recentemente também ser fã de Simon & Garfunkel. Uma das músicas preferidas dela (e também minha) é Mrs. Robinson. No meu caso, por dois motivos: pelo genial filme "A primeira noite de um homem" e porque a música é boa paca.
Uma parte da letra imediatamente se misturou ao noticiário político que eu ouvia antes de colocar o CD:

Sitting on a sofa
On a Sunday afternoon,
Going to the candidates' debate (yeah)
Laugh about it,
Shout about it,
When you got to choose.
Ev'ry way you look at it, you loose.
-------------------------------------------------------
E, bem a propósito, aproveito para colocar mais um de meus cartunistas prediletos, o genial ao quadrado Quino.

Quino02

domingo, 9 de março de 2008

Pergunta aos ecologistas

Hoje, caminhando pelas ruas, constatei um fato em São Bernardo que não sei se é repetido em outras cidades: cada vez mais as pessoas saem de casa para passear com seus cachorrinhos(ões) e levam um saco plástico para catar os cocozinhos(ões) de seus adoráveis amiguinhos(ões). Isso é muito bom!

No entanto, como nada nesse país é perfeito, muitas dessas pessoas não compreendem que, após catar os dejetos e colocá-los nos ditos saquinhos, devem levá-lo para casa ou depositá-los em uma lixeira, e não largar o saquinho na calçada! Tudo bem que pelo menos agora a gente não pisa mais, mas...

Pergunto aos ecologistas: o que é melhor: deixar o cocô em seu estado natural ou plastificá-lo?

Calvin 002

sábado, 8 de março de 2008

Cartuns prediletos 1 - Dilbert

Dilbert 023
Inaugurando minha seção de cartuns prediletos, começo com meu cartunista predileto, Scott Adams, e seu personagem Dilbert, com quem me identifico 99% das vezes.

Colocar esse e outros cartoons aqui é uma forma de revê-los e compartilhá-los, além de homenagear os catunistas. Espero não ser processado por violação de direitos autorais.

E por falar em Dia da Mulher...


A vida, segundo Charles Chaplin


Recebi esse texto por e-mail. Como tudo o que vem pela internet, não tenho certeza de ser mesmo de Chaplin, mas tem muito a ver com a minha viagem no tempo:

“A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás para frente. Nós deveríamos morrer primeiro e nos livrar logo disso. Daí viver num asilo até ser chutado para fora de lá por estar muito novo, ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.

Então, você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante para poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai para o colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta para o útero da mãe, passa os últimos nove meses de vida flutuando... e termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?”

quarta-feira, 5 de março de 2008

Sobre sapos e tucanos


Nem tão ruins quanto um diz que o outro é, nem tão bons quanto cada um pensa que si próprio é.

A história dos Três Porquinhos (contada por um engenheiro ao seu filhinho)


Era uma vez três porquinhos (P1, P2 e P3) e um Lobo Mau, por definição, LM, que os vivia atormentando. P1 era sabido, fazia Engenharia Mecatrônica e já era formado Engenheiro Civil e Tecnólogo Mecânico. P2 era arquiteto e vivia em fúteis devaneios estéticos absolutamente desprovidos de cálculos rigorosos. P3 fazia Comunicação e Expressão Visual.

LM, na Escala Oficial da ABNT, para medição da Maldade (EOMM), era Mau nível 8,75 (arredondando a partir da 3ª casa decimal para cima). LM também era um mega investidor imobiliário sem escrúpulos e cobiçava a propriedade que pertencia aos Pn (onde "n" é um número natural e varia entre 1 e 3), visto que o terreno era de boa conformidade geológica e configuração topográfica, localizado próximo a Granja Viana.

Mas, nesse promissor perímetro, P1 construiu uma casa de tijolos, sensata e logicamente planejada, toda protegida e com mecanismos automáticos. Já P2 montou uma casa de blocos articulados feitos de mogno que mais parecia um castelo lego tresloucado. Enquanto P3 planejou no Autocad e montou ele mesmo, com barbantes e isopor como fundamentos, uma cabana de palha com teto solar, e achava aquilo "o máximo".

Um dia, LM foi até a propriedade dos suínos e disse, encontrando P3:

- "Uahahahaha, corra, P3, porque vou gritar, e vou gritar e chamar o Conselho de Engenharia Civil para denunciar sua casa de palha projetada por um formando em Comunicação e Expressão Visual!"

Ao que P3 correu para sua amada cabana, mas quando chegou lá os fiscais do Conselho já haviam posto tudo abaixo. Então P3 correu para a casa de P2, mas, quando chegou lá, encontrou LM à porta, batendo com força e gritando:

- "Abra essa porta, P2, ou vou gritar, gritar e gritar e chamar o Greenpeace, para denunciar que você usou madeira nobre de áreas não-reflorestadas e areia de praia para misturar no cimento."

Antes que P2 alcançasse a porta, esta foi posta abaixo por uma multidão ensandecida de eco-chatos que invadiram o ambiente, vandalizaram tudo e ocuparam os destroços, pixando e entoando palavras de ordem. Em seguida, P3 e P2 correram para a casa de P1. Quando chegaram, este os recebeu e os dois caíram ofegantes na sala de entrada. P1: O que houve?

P2: LM, lobo mau por definição, nível 8,75, destruiu nossas casas e desapropriou os terrenos.

P3: Não temos para onde ir. E agora, que faremos? Sou apenas um formando em Comunicação e Expressão Visual!

Tum-tum-tum-tum-tuuummm!!!! (simulação de batidas à porta).

LM: P1, abra essa porta e assine este contrato de transferência de posse de imóvel, ou eu vou gritar e gritar e chamar os fiscais do Conselho de Engenharia em cima de você!!! E, se for preciso, até aquele tal de Confea.

Como P1 não abria (apesar da insistência covarde do porco arquiteto e do... do... comunicador e expressivo visual), LM chamou os fiscais, e estes fizeram testes de robustez do projeto, inspeções sanitárias, projeções geomorfológicas, exames de agentes físico-estressores, cálculos com muitas integrais, matrizes, e geometria analítica avançada, e nada acharam de errado. Então, LM gritou e gritou pela segunda vez e veio o Greenpeace, mas todo o projeto e implantação da casa de P1 era ecologicamente correto.

Cansado e esbaforido, o vilão lupino resolveu agir de forma irracional: ele pessoalmente escalou a casa de P1 pela parede, subiu ate a chaminé e resolveu entrar por esta para invadir. Mas, quando ele pulou para dentro da chaminé, um dispositivo instalado por P1 captou sua presença por um sensor térmico e ativou uma catapulta que impulsionou com uma força de 33.300 N LM para cima.Este subiu aos céus, numa trajetória parabólica estreita, alcançando o ápice, onde sua velocidade chegou a zero, a 200 metros do chão.

Agora, meu filho, antes que você pegue num repousar gostoso e o papai te cubra com este edredom macio e quente, admitindo que a gravidade valha 9,8 m/s² e que um lobo adulto médio pese 60 kg, calcule:

a) o deslocamento no eixo "x", tomando como referencial a chaminé.

b) a velocidade de queda de LM quando este tocou o chão e

c) o susto que o Lobo Mau tomou, numa escala que varia de 0 (repouso) a 9 (ataque histérico).


Direitos autorais: anônimo (recebido pela Internet)


domingo, 2 de março de 2008

Viagens no tempo (e no espaço)


Como seria viajar no tempo? É minimamente possível viver as situações do antigo seriado Túnel do Tempo? Digo, seria possível voltar ao passado e interagir (palavra que não existia no dito passado) com ele? O que aconteceria se alguém interferisse com o passado? O que aconteceria ao parricida que voltasse no tempo e agisse antes de seu pai o haver concebido? Sumiria de repente? E se alguém matasse Hitler enquanto ele ainda era uma simples criancinha austríaca? Ainda teria havido o Holocausto? E se o Lula não tivesse perdido o dedo?

Tinha essas preocupações lá pelos meus 10 anos de idade. Embora obviamente ainda não tenha a solução para esses mistérios, deixei de me preocupar com eles pela baixíssima probabilidade de alguém solucioná-los para mim ou, menor ainda, de eu solucioná-los sozinho.

No entanto, falando hipoteticamente, o que eu faria se pudesse voltar no tempo? Certamente não tentaria interferir com o passado. O que aconteceu, aconteceu. Ponto. Seria muito embaraçoso eu ter que explicar a caca que eu teria aprontado com os livros de História.

Mas tem umas coisinhas que eu gostaria de fazer que não teriam influência alguma na atual cotação do dólar. E, já que estou mudando de direção na dimensão “tempo”, concedo-me também a liberdade de me deslocar também no espaço, ser invisível e invulnerável. Iria aos seguintes eventos, ordenados anticronologicamente:

- The Concert in Central Park, show de Simon & Garfunkel, no Central Park, em Nova Iorque, em 19 de setembro de 1981. Tem um amigo meu que jura que irmão dele estava lá e aparece bem pequenininho na capa do LP.

- Show Falso Brilhante, de Elis Regina, em 1975 e 1976. O pior é que esse eu tive chance de assistir, mas bobeei.

- Ah, o Festival de Montreaux! Em 16 de julho de 1975, o teatro veio abaixo com a apresentação do The Oscar Peterson Big 6, com Milt Jackson, Joe Pass, Toots Thielmans, Niels-Henning Orsted Pedersen, Louis Bellson e, é claro, Oscar Peterson. Ouvi o LP até furar e não sosseguei enquanto não achei o CD.

- Estádio Jalisco, no México, em 21 de junho de 1970, para ver Brasil 4 x 1 Itália. Brasil tricampeão.

- Gravação ao vivo do disco “Big Swing Face”, com Buddy Rich e sua big band, no Chez Club, Hollywood CA, em 22 e 23 de fevereiro de 1967. Meu primeiro contato com o jazz foi ouvindo esse LP, graças a um amigo, Fabinho, cujo pai tinha o hobby de tocar bateria e conheceu Buddy Rich pessoalmente.

- No fatídico 22 de novembro de 1963, ir a Dallas e ficar escondido no Depósito de Livros para ver se Lee Osvald realmente atirou no Presidente Kennedy. Já que agora eu posso voltar ao passado, voltaria a esse momento mais umas dez vezes, cada vez em um ponto diferente ao redor da Praça Dealey, procurando os demais atiradores, se é que os houve.

- Um ano e um dia antes, em 21 de novembro de 1962, no Carnegie Hall, em Nova Iorque, quando se apresentaram vários novos artistas da Bossa Nova. O show foi uma desorganização total e só uns poucos se deram bem, afinal eram quase todos semi-amadores, porém o evento deve ter sido muito especial.

- Show com Tom, Vinícius, João Gilberto e Os Cariocas, no Au Bon Gourmet, Rio de Janeiro, em agosto de 1962, no qual foi apresentada ao público, pela primeira vez, a Garota de Ipanema. Dá arrepio só de pensar.

- Show na faculdade de Arquitetura da PUC, no Rio de Janeiro, em 20 de maio de 1960. “A noite do amor, do sorriso e da flor” foi o primeiro festival de Bossa Nova e uma das primeiras vezes em que aquela nova bossa foi apresentada com seu futuro nome.

- 6 de junho de 1944, o Dia D, nas praias da Normandia, norte da França, para assistir ao desembarque das tropas aliadas.

- Assistir o passeio à cavalo do monarquista Deodoro da Fonseca, em 15 de novembro de 1889, e vê-lo proclamar a República.

- Às margens plácidas do Riacho do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, ficaria atrás do Pedro Américo enquanto ele pintava o quadro, para ver D. Pedro saindo do mato após se aliviar, montar em sua mula e proclamar a Independência.

- Assistir à partida de D. João e sua comitiva de Lisboa, em 29 de novembro de 1807 e sua chegada ao Rio, em 7 de março de 1808.

- Em alguma praia do litoral da Bahia, próximo à atual Porto Seguro, em 23 de abril de 1500, para assistir ao desembarque de Pedro Álvares Cabral.

- Por volta do ano menos 4, na região de Jerusalém, por motivos óbvios. Permaneceria por lá por uns 33 anos (essa ficou meio Operação Cavalo de Tróia, paciência...)

- Mais ou menos 2.600 AC, para assistir à construção das grandes pirâmides.

- 63 milhões de anos atrás, para ver o meteoro atingir a Terra e acabar com a “civilização” dos dinossauros. Aliás, iria um ano antes para conhecer os bichinhos ao vivo.

- Big Bang.

- Nascimento de Deus.

Depois eu coloco mais. Se alguém tiver alguma sugestão legal, agradeço.


sábado, 1 de março de 2008

O barato da corrida


And the body flashes all alone. Alive! (1)

A corrida é para mim uma coisa muito importante em minha vida. Fora umas incipientes tentativas anteriores, comecei a correr de verdade logo depois que deixei de fumar, em 4 de janeiro de 1980, há 10.284 dias, portanto. A corrida me ajudava a esquecer o cigarro e tornava mais suportável sua ausência.

Passei a correr cada vez mais, quebrando meus próprios recordes de distância e tempo. Estava muito longe de marcas atléticas profissionais, mas que importava? Competia comigo mesmo. Controlava tudo numa planilha (sem o uso do Excel, acreditem, isso é possível!), marcando a distância percorrida, tempo, local e condições climáticas.

A primeira corrida de rua de que eu participei foi uma meia-maratona (21 km). Depois comecei a participar de São Silvestres (15 km), peguei até as últimas que foram disputadas à noite, e outras corridinhas por aí. Competi em 3 Maratonas, duas em São Paulo e uma no Rio, em 1983, mas só completei essa última. Nas duas de São Paulo fui derrotado pela barreira dos 30 km e pelas subidas e descidas de Piratininga.

Experimentei por diversas vezes o chamado “barato da corrida”. Uma sensação de bem estar que se sente durante a corrida. Na verdade, é inexplicável. Não é uma sensação de anestesia geral, como se pode pensar. Continua-se a sentir o cansaço, mas é como se sentisse prazer nesse cansaço. Não sei o que faz com que se inicie o barato, vem do nada, muitas vezes em um dia em que você nem estava com muita vontade de correr. E geralmente não dura muito. Mas é bom.

Um amigo, muito sarcástico, me dizia que, para cada hora que a gente gasta correndo, ganha-se uma hora a mais de vida: “mas, para quê?”, perguntava ele, “se a gente vai gastar essa hora correndo?”. Eu não ligava, era uma hora divina.

Me lembro em especial de uma corrida que fiz no Central Park, em 1983. Estava viajando a serviço e fizemos uma parada em Nova Iorque. Chegamos no sábado cedo, andamos pela cidade a manhã inteira e chegamos ao hotel super-cansados. Meu companheiro de viagem falou que ia dormir um pouco, pois à noite tínhamos um compromisso. Nosso quarto no hotel tinha vista, meio de quina, para o Central Park, meca dos corredores. Irresistível. Coloquei meu calção, o tênis e lá fui. Corri por 8 km, ou 5 milhas, já que estamos em NY, e nem senti meus pés cansados da caminhada matinal. And the body flashes all alone. Alive. Um barato.

O amadorismo com que me dediquei ao esporte hoje me cobra seu preço. Uma adolescência semi-sedentária, algumas contusões aqui e ali, algumas dores crônicas ali e aqui, principalmente aqui, e algumas artroses em lugares diversos fizeram com que eu fosse diminuindo o ritmo de treinamento. Além disso, ou talvez por isso, comecei a perceber que não extraía da corrida o mesmo prazer e os mesmos desafios do começo.

E assim fui diminuindo o treinamento. De vez em quando ainda participo de corridas curtas, de 5 a 6 km, mas uma recente pancada no joelho jogando vôlei me podou ainda mais. Bom, dois médicos e um fisioterapeuta já me falaram que corrida não faz bem, mas sei que nem todos os médicos concordam com esse ponto de vista. Vou trocar de médico até achar um que diga o que eu quero ouvir.

And the body hurts all around. Ai, ai...
(2)


(1) extraído de uma poesia que fala sobre o barato da corrida; favor não me perguntar nem o título nem o autor.


(2) paródia melancólica, porém cheia de sentimento, da poesia acima; o autor é este blogueiro mesmo.
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