sábado, 23 de fevereiro de 2008

O Segredo


Li recentemente trechos de um livro que muito me impressionou, “O Segredo”.

Poucas vezes em minha vida uma leitura tão rápida me fez quebrar dois paradigmas de uma só vez: 1) pegar um livro e não tentar ler até o fim e 2) rir de um livro não cômico.

Por mais maçante que seja um livro, nunca deixo de tentar lê-lo até o final, mesmo que eu agonize, em respeito ao trabalho que deu ao autor para escrever. E também para não me sentir burro, porque pode ser que eu é que não esteja entendendo o que ele quis dizer. Já houve casos, poucos, mas sequer me lembro do nome. E também não costumo criticá-los gratuitamente, a menos que me perguntem, e pelo mesmo motivo, pena do autor. Acho que seria um péssimo crítico literário.


Já me aconteceu de largar livros excelentes no início da leitura por não estar gostando dele, mas retomá-los algum tempo depois com muito prazer, porque o momento em que os tentei ler pela primeira vez não era propício. Desse grupo, me lembro de um caso, “Cem anos de solidão”, de Gabriel Garcia Marques – aquela chuva toda no começo do livro me dava agonia. Depois, adorei!

Mas esse “O Segredo” me abateu. Viajava eu sentado no banco de trás de um carro e ao meu lado estava jogado um exemplar do livro. Detesto livros de auto-ajuda, mas até já li alguns para simples cultura geral, e normalmente os pego emprestados, pois não quero ajudar o autor (o "auto" é de "autor"?). Pus-me a folheá-lo com a intenção de pedir emprestado.

Dificilmente um escritor vai reunir tantas bobagens em um único livro. Tem depoimentos de um monte de pessoas das quais eu nunca ouvi falar, mas cuja apresentação dá a entender que são ultra-especialistas em suas respectivas áreas de atuação, muitas das quais também nunca ouvi falar. Tudo bem, os leitores alvo são americanos e meu conhecimento das celebridades de lá se limita ao cinema e à música (vá lá, alguns políticos e escritores também), mas desconfio que a maioria dos americanos que compraram o livro também não os conhece. Talvez até finjam conhecer, sabe como é...

Argumenta o dito livro que o sucesso de várias (essas sim) celebridades (Einstein, Leonardo da Vinci e outros), infelizmente, todas já mortas e sem chance de confirmarem ou processarem a autora, deve-se ao fato de eles conhecerem o tal Segredo, o qual ela passa gentilmente a espalhar por toda a humanidade.

O Segredo, afinal, seria o velho pensamento positivo, mascarado e floreado com as últimas técnicas de marketing literário, para justificar os ganhos milionários da escritora, como uma tal de Lei da Atração, que lhe traria tudo o que há de bom no mundo (leia-se dinheiro, fama, amor, o que você quiser). Como se não precisasse de nenhum outro esforço para os conseguir. Mais ou menos como acreditar que o provérbio “Deus ajuda a quem cedo madruga” significasse que Deus gosta de quem acorda cedo e não que o cara levantou cedo para trabalhar duro e, graças a isso, foi ajudado por Deus, pela Fortuna, por gnomos ou qualquer outra entidade.

Me impressionaram demais os depoimentos espontâneos contidos no livro (opa, mas como foram parar lá antes do livro ser publicado?) Pessoas completamente desesperançadas, inclusive a autora do livro, que em menos de um ano saíram do fundo do poço para o ápice de suas vidas. Devia ser o livro de cabeceira de certos dirigentes de certos times de futebol no Brasil, mais particularmente na ZL de São Paulo.

Aliás, o que me fez fechar o livro e sentir vontade de vomitar, seguido de um incontrolável ataque de risos, foi o depoimento de um casal que havia estabelecido para si num determinado empreendimento um ganho de US$ 100 mil, porém ao final do ano haviam conseguido apenas US$ 97 mil: “podíamos ter desanimado nessa altura e desacreditado do método, porém seguimos em frente e estabelecemos objetivos maiores para o ano seguinte! E conseguimos!”

Ai...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Barriga beeem definida


Atira o doutor:

- Seu IMC está no limite entre sobre-peso e obesidade. Você precisa emagrecer!

Em linguagem de gente, isso quer dizer que eu sou quase-gordo. Aliás, sempre fui. Fui fofinho na adolescência. Já tive uma fase da minha vida em que eu corria muito, quase compulsivamente. Tinha o rosto até chupado, mas sempre tinha uma barriguinha para atrapalhar. Digamos que eu era quase-magro. Passada essa fase de corridas, iniciei meu caminho rumo à fase sanfona. Engorda um pouquinho, emagrece um pouquinho.

Imbuído de espírito científico, me propus a analisar o tal do IMC, Índice de Massa Corporal. Esse índice é obtido pela divisão do seu peso pela sua altura ao quadrado, ou seja, se tenho 89kg e 1,74 de altura:

IMC = 89 ÷ (1,74)2 = 29,4

Se passasse de 30, ai, meu Deus!

Ora, por que o doutor foi concluir que eu devia diminuir meu peso? Como todo aluno de 1º grau sabe, ou pelo menos deveria saber caso nosso ensino fosse um pouco melhorzinho, uma alternativa à perda de peso poderia ser um incremento na minha altura, ou seja, na verdade eu não sou gordo, eu sou é baixo para o meu peso!

Pena que essa conclusão mostrou-se equivocada e o tanto que eu comi tentando crescer resultou em efeito contrário no IMC. É pra gente ver como a matemática pode nos levar a conclusões erradas.

Já tentei uma dieta a base de frutas: morango com chantili, pêssego em calda, torta de limão, goiabada com queijo, sorvete de abacaxi e barras de cacau, porém o IMC continuou aumentando.

A solução foi, então, uma dieta de baixas calorias. Ataquei freneticamente pizzas, esfihas, fatias finas de queijo, pastel com pouco vento e tudo mais que me pareceu suficientemente baixo para não conter altas calorias. Pode-se imaginar o resultado...

Sigo tentando. Só espero que minha Nutricionista não leia isso... poderá resultar em divórcio.


A persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado.
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