quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Como eu vejo a Crise


Num dia uma bolsa cai ruidosamente 10%. No dia seguinte o governo anuncia um pacote de US$ 1 trilhão. No terceiro dia a mesma bolsa sobe 2%. No quarto dia ela volta a cair. No quinto idem. E por aí vai.

A explicação é que após a animação inicial do mercado com o dinheiro recém chegado, constata-se que o pacote foi insuficiente. É assim na China, nos EUA, na Alemanha, no Brasil... Mas, afinal, quanto é suficiente? Alguém sabe?

A mim parece ser um saco sem fundo. Tomemos o caso brasileiro. Depois do sumiço (!?!) do crédito, os bancos estatais liberaram R$8 bilhões para financiamento de automóveis. Ao preço médio de R$ 25 mil, essa grana dá para comprar 320 mil veículos, ou seja, o equivalente a menos de 10% da capacidade de produção anual.

Será, como dizem alguns economistas com raivosa alegria, o fim do capitalismo?

Não, não é. Por ironia, o capitalismo deve muito de sua sobrevivência até os dias de hoje justamente a Karl Marx, que de tanto caprichar na explicação sobre como o maldito sistema iria falir, acabou fornecendo-lhe ferramentas para as devidas correções de curso antes do destino vaticinado. Com certeza a parte mais selvagem do capitalismo recolherá suas garras por mais alguns anos. O que vivemos agora é apenas um chacoalhão para que algumas coisas voltem aos seus devidos lugares, pelo menos por algum tempo.

Como, por exemplo, a destituição do Mercado do papel de Deus, que tudo sabe e tudo regula, principalmente na hora em que um pequenino quebra. “Ah, quem não tem competência não se estabelece!”. Mas que se pela de medo se um de seus pilares mais fortes e emblemáticos ameaça se partir. “Oh, o governo tem que nos ajudar! Vai haver quebradeira, desemprego e blá, blá, blá”. E o pior é que vai mesmo, então tome dinheiro público para tapar os buracos causados pela jogatina desenfreada.

Repito minha pergunta: essa dinheirama jogada no ar é suficiente para animar o mercado como um todo? Se não é, então de que adianta o camarada conseguir financiar um carro em 60 meses se depois de 12 ele estiver desempregado?

Por outro lado, se ele parar de comprar aí é que a coisa degringola de vez. Por isso o brasileiro, que já poupa muito pouco, é estimulado pelo governo a continuar comprando, de preferência fazendo um financiamentozinho a longo prazo que é para não deixar os pobres bancos na mão.

Não quero ser repetitivo, mas vale trazer de volta um cartum aqui publicado anteriormente:





Tenho cá comigo que tem muita gente ganhando com essa crise. E não sou eu.

3 comentários:

Marília disse...

Nem eu!

Waldomiro Lessa disse...

Nem eu!
Mas que os bancos vão sair ainda mais fortes da crise isso vão.

Fernando Lessa disse...

a crise deve fortalecer a produção e enfraqucer a especulação.

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