quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Série Olímpica – Hinos


Os Jogos Olímpicos têm como um de seus objetivos o congraçamento e a paz entre os povos. A exploração comercial e política do evento tiraram muito desse caráter, mas enquanto assisto gosto de sonhar que ainda é assim.

Pelo menos não acabou de todo. Acho emocionante ver as festas de abertura e encerramento, quando os atletas das diversas nações se misturam no centro do gramado e se abraçam. Mesmo durante as competições, dá para ver e se emocionar com os atos de fairplay, para usar um termo que a FIFA gosta.

É legal também, embora meio repetitivo, ouvir os hinos nacionais cantados pelos atletas antes ou depois dos jogos. É bom para lembrar a eles que estão representando seus respectivos países e não seus patrocinadores (é verdade que isso não funciona com certos atletas profissionalizados ao extremo como... bom, vocês sabem quem).

Tem uns que de tão emocionados nem conseguem cantar. Valeu, Maurren Maggi!

No entanto, um extraterrestre que de passagem ouvisse em tradução simultânea alguns desses hinos, poderia seriamente duvidar de que se trata de um evento esportivo e pacífico.

Daí, aproveitando as férias, tive a pachorra de procurar na internet alguns exemplos.

Os anfitriões, por exemplo, têm coisas como: “Com nossa carne e sangue, levantemos uma nova Grande Muralha” e “Desafiando o fogo inimigo, marchemos!”

E quem diria que o pacífico Portugal apregoasse através de seus atletas: “Às armas! Às armas! / Pela pátria a lutar / Contra os canhões marchar, marchar.”

Dos franceses, no famoso “alezenfantdelapatrie”, pode-se pinçar algo no mesmo teor: “Às armas cidadãos! / Formai vossos batalhões! / Marchemos, marchemos! / Que um sangue impuro / Agüe o nosso arado”. Sangue impuro? Humm, isso já deu rolo num país vizinho deles...

No reino Unido canta-se: “Ó Deus, nosso Deus, venha / Dispersar seus inimigos / E fazê-los cair. / Confunda sua política, / frustre seus truques fraudulentos”. Um verdadeiro hino antidopping!

Países que lutaram pela sua liberdade contra a Espanha (que curiosamente não tem letra em seu hino), fazem questão de se lembrar disso.

O hino da Argentina, por exemplo, diz: “O valente argentino às armas / corre ardendo com brio e valor, / o clarim da guerra, qual trovão, / nos campos do Sul ressonou. / Buenos Aires se opõe à frente / dos povos da ínclita união, / e com braços robustos desgarram / ao ibérico altivo leão.”

Diga-se em favor de los hermanos, que as estrofes centrais do hino, donde foi tirado o trecho acima, são dispensadas de serem cantadas em cerimônias oficiais e escolas, mas não foram suprimidas do hino.

Imagine agora um jogo entre Cuba e Espanha, com os cubanos cantando: “Não temai; os feroses ibéricos / são covardes qual todo tirano / não resistem ao braço cubano; / para sempre seu império caiu. / Cuba livre! Espanha já morreu, / seu poder e seu orgulho aonde foram?” O que devem pensar os espanhóis ao ouvirem isso?

O do México não faz alusão explícita aos seus antigos tiranos, mas é bem pesado: “Guerra! Guerra sem trégua ao que tente / Da pátria manchar seus brasões / Guerra! Guerra! Os pendões pátrios / Empapados em ondas de sangue / Guerra! Guerra! Nos montes, nos vales, / Os horrorosos canhões troam, / E os ecos sonoros ressoam / Com as vozes de União e Liberdade!” Empapados em ondas de sangue! Deve ser por isso que o uniforme deles é vermelho...

Outro caso interessante é o da Itália, que depena a águia austríaca: “São juncos que dobram / As espadas vendidas: / A Águia da Áustria / Já as penas perdeu”.

Há ainda os hinos que são carregados de auto-comiseração, como o da Hungria: “Deus, tem piedade do húngaro, / Joguete de desgraças: / guarda-o com teu braço forte, / em seu mar de tormentos. / Ao que tanto tem sofrido, / trazes um ano de bênçãos: / já este povo expiou bem / o passado e o porvir.”

Com tanta belicosidade, fui olhar o do Afeganistão. Para minha surpresa, a letra é até maneira: “Esta terra é o Afeganistão / ela é o orgulho de cada afegão / terra de paz, terra de espadas / seus filhos são todos bravos / este é o país de cada povo”.

Já o da África do Sul lembra muito o nosso: “Dos nossos céus azuis / Das profundezas dos nossos mares / Sobre as grandes montanhas / Onde os sons se ecoem”.

E o da Rússia também: “Dos mares do sul ao círculo polar / Se extendem nossos bosques e campos”.

Para encerrar, o que eu gostei mais foi o do Japão. Singelo, quase um hai-kai. A letra completa é: “Possa o reinado do meu senhor, / Prosseguir durante uma geração, / Uma eternidade, / Até que seixos / Surjam das rochas, / Cobertas de musgo verde claro.”

Fonte principal: Wikipédia

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