quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O Word


Há muitos anos, os programas de computador sofriam revisões quase anuais corrigindo erros anteriores e implementando a cada vez uma batelada de novas funções. A gente sempre tinha que atualizar o programa sob o risco de não conseguir mais trabalhar.

Geralmente, esse novo programa trazia recursos tão mirabolantes, que se fazia necessário também atualizar o computador, pois o antigo já não mais servia. Uma verdadeira bola de neve.

O Word, por exemplo, o que ele precisaria fazer mais do que aceitar o que digitamos no teclado, possibilitar uma forma de apagar os erros, salvar o texto para uso posterior e imprimir?




Só isso já seria infinitamente superior aos recursos de uma pobre máquina de escrever. E, de fato, assim eram os primeiros editores com os quais trabalhei. Nem os famosos “copiar” e “colar” existiam!

Na verdade, até para acentuar as palavras era um problema, uma vez que as primeiras impressoras não falavam português. Para obter o “ã”, a gente tinha que teclar o “a”, seguido das teclas “Ctrl”, “p” e “h”, pressionadas simultaneamente, e depois o “til”. Isso fazia com que a impressora imprimisse o “a”, voltasse um caractere e imprimisse o acento.

Em 1984, isso era o máximo em tecnologia aqui no Brasil!

Hoje em dia, são tantos os recursos do Word que acho que nem o Bill Gates os conhece todos. Sou capaz de apostar que a maioria das pessoas não utiliza nem 10% deles, e olha que me refiro a usuários experientes. Porém, uma vez que os recursos existem, é difícil imaginar o trabalho sem eles.

Felizmente, a bola de neve sossegou um pouco e hoje é possível ficar alguns anos com o mesmo programa sem que novas necessidades sejam criadas e buzinadas em nossas cabeças. A criatividade da indústria do software está mais voltada para a área de internet, gráficos e jogos. Haja memória e velocidade!

Mas, voltando ao Word, acho engraçado como funciona o corretor ortográfico, uma das ferramentas que eu classifico na faixa das 10% úteis. Além de apontar os erros de digitação que cometemos, ele aponta falhas de concordância, gramaticais e até de estilo.

Até os erros de digitação, ele vai bem, mas começa a se atrapalhar um pouco com a concordância e a gramática, e realmente pira com a parte de estilo. Fico imaginando a lógica que existe por trás das decisões que o programa “toma”.

Por exemplo, se você escreve “esculhambar”, o Word sugere que você escreva “estragar” ou “ridicularizar”. Tente escrever “cagar” ou “mijar”, e lá vem o Work elegantemente sugerindo “defecar” e "urinar”. "Madame" é "senhora" e "tesão" é "excitação". "Trepar" nem pensar, é "ter relações sexuais". E nem te dá chance de incluir as palavras no dicionário. E se eu quiser trepar? Não posso?

Outro exemplo é o “implementando”, escrito lá no primeiro parágrafo, que ele apontou como um provável neologismo. Nesse caso até concordo, deixei lá de propósito.

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