terça-feira, 1 de julho de 2008

Virundum e Dibikini


Paulo Francis cunhou o termo “Virundum” nos tempos de Pasquim para designar o aquelas músicas que cantamos erradamente, seja por não entendermos ou conhecermos a letra correta, seja por não sabermos do que se trata e incluirmos uma expressão mais lógica.

O nome vem, naturalmente, da primeira estrofe do nosso glorioso hino, aquela música com letra sem pé nem cabeça que toca antes dos jogos de futebol. O verbete Virundum merece figurar no Aurélio.

Até um tempo atrás, havia na internet um site com o nome Dibikini, cuja proposta era relacionar trechos de músicas que se encaixassem nessa definição. No site, os leitores podiam contar suas próprias experiências e enriquecer o acervo. Pena que acabou, pois tinha coisas ótimas e a leitura era diversão garantida.

O nome Dibikini, por exemplo, vem daquela música:

“Na madrugada, a vitrola rolando um blues
Tocando B. B. King sem parar...”

E muita gente entendia “Tocando de biquini sem parar”... hahahaha... ah, você também? Desculpe, mas é engraçado...

E tem variações sobre o mesmo tema. Tem gente que canta “Trocando de biquini sem parar” e até “rodando o peniquinho sem parar” – essa é campeã.

Lá vão outros virunduns que listo de memória e uma pequena ajuda da internet:

1) No Virundum original existem várias pegadinhas, principalmente porque a letra é de um puta dum non-sense para os desavisados (e para os avisados também): “Elvira do Ipiranga”, “Verás que um filisteu não foge à luta" ou "Do que a terra margarida”.

2) Eu mesmo descobri uma recente. Na música Refazenda, o ministro-menestrel diz “Amanhecerá tomate e anoitecerá mamão”, e eu podia jurar que era “Amanhã será tomate e à noite será mamão” – se bem que o som é exatamente o mesmo e até que o sentido não muda muito nesse caso...

3) Mais uma minha (com o perdão do cacófato): na música do Chico Buarque, Apesar de você, eu cantava “você vai se dar mal, esse velho é o tal”, só muito mais tarde, e com a liberação da música pela censura, descobri que era “você vai se dar mal et cetera e tal”.

4) Na música do Tim Maia, “Descobridor dos sete mares”, um camarada cantava “Scoobidoo dos sete mares” – e agora eu não posso mais ouvir essa música que canto errado de propósito.

5) Há até nas músicas infantis: “o amor de Tumitinha era pouco e se acabou” - quem contou essa achava que o compositor tinha acabado de perder uma namorada chamada Tumitinha...

6) Outra do ministro, aquela do Sítio do Pica-pau Amarelo, cuja letra era “bananada de goiaba, goiabada de marmelo", tem a versão virundum que diz "banana a dar de goiaba, goiaba a dar de marmelo”.

7) Até o baião está bem representado: “Luiz, respeita os oito baixos do teu pai” virava “Luiz, respeita os’ovo baixo' do teu pai” – que grossura, Gonzagão!

8) Essa do Djavan também é legal: “mais fácil aprender japonês em Braille", em virundum é "mais fácil apedrejar pôneis em Bali..." – que viagem!

9) Não escapou nem o Menino do Rio, do Caetano: “Menino do Rio / Calor que provoca arrepio / Dragão com a toalha no braço”, em vez de “Dragão tatuado no braço”.

E por aí vai. Se alguém quiser contribuir será legal. Não precisa ter vergonha.

Em tempo, curiosamente, já houve pelo menos um caso em que o autor da música mudou a letra porque o interprete cantava diferente. É o caso de “O bêbado e a equilibrista”, cujo primeiro verso era “Caía a tarde feito um dia adulto" e que Elis modificou para “feito um viaduto”. Por respeitá-la muito e/ou ser então apenas um iniciante, João Bosco acatou a sugestão.

Eu gosto mais da versão original, um baita achado poético. Além do mais, meu lado engenheiro não gosta muito desse negócio de cair viaduto, não...


5 comentários:

Waldomiro Lessa disse...

Dentro da linha virundum, mas nao musical.
Quando criança nos Gibis, eu li durante muito tempo em vez de João Bafo de Onça, João Badeofonça. Quando descobri já era tarde demais, tinha crescido....

Marília disse...

Na página "O Pif-Paf" da antiga revista O Cruzeiro, o Millôr Fernandes tinha uma parte intitulada " Ministério das Perguntas Cretinas". Por muito tempo eu li "Mistério".
Só percebi meu engano quando um dia ouvi o Netinho citar alguma coisa engraçada que leu ali.
Caiu a ficha, mas meu orgulho não me permitiu confessar minha ignorância e permaneci com cara de paisagem...

Junior disse...

Nesse campo dos gibis também tenho uma: eu lia Maga Patajólica em vez de Patalógica...

Waldomiro Lessa disse...

Deve ser coisa de familia entao...

Paty disse...

No Harry Potter, eu li o primeiro livro inteiro lendo "Drago", ao invés de "Draco".

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