segunda-feira, 21 de julho de 2008

Série quase-Olímpica


A China continua em processo de maquiagem para realizar sua Olimpíada.

A poluição é um problema sério na China. Na região de Pequim, ou Beijing como eles falam, há dias em que não se vê o céu, por causa de uma nuvem grossa de poeira cinza-avermelhada. Para tentar melhorar o panorama, as autoridades locais tomaram uma medida drástica: o rodízio de veículos.

Bela porcaria, pensam os moradores da cidade de São Paulo, mas há uma diferença. Simplesmente metade dos carros - dia par, placa par; dia ímpar, placa ímpar - deixam de circular pelas ruas a partir desta semana. Isso representa uma redução da circulação de 3,3 milhões de automóveis por dia.

Por outro lado, isso também quer dizer um acréscimo de aproximadamente 4 milhões de pessoas no sistema de transporte público. Apesar da adição de duas novas linhas do metrô e uma nova linha férrea até o aeroporto, vários trens chegaram atrasados e algumas linhas fecharam até normalizar o fluxo de pessoas. A pedido do governo, as empresas flexibilizaram o horário de trabalho e isso pelo menos facilitou o controle das multidões nas ruas.

Além do rodízio, outras ações estão sendo tomadas, como a instalação de 27 estações de medições para avaliação da poluição do ar, proibição de circulação de caminhões de grande porte pela cidade e proibição de serviços de demolição que gerem barulho e poeira.

A efetividade das medidas está sendo questionada por causa da possibilidade de ventos imprevistos trazerem a poeira de outras províncias para a cidade. Pelo sim, pelo não, alguns dos atletas que já estão na China escolheram locais afastados da cidade para seu treinamento.

Passada a farra olímpica, voltam os carros e demais fontes de poluição. Pobres chineses. Vão sentir saudades dos jogos.

Aliás, por causa desse esforço para vender uma realidade virtual, tenho pena também dos demais habitantes dos países do chamado BRIC, as futuras-se-não-pisarem-na-bola nações mais poderosas do mundo. Enormes, ricos e mal geridos, são países construídos sobre a fraca fundação de uma população esmagadoramente pobre, sem saúde e sem educação. Dessa forma jamais seremos realmente poderosos.

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