sexta-feira, 6 de junho de 2008

Plano de Aposentadoria para Ditadores


O problema em ser um ditador é que não existe um plano de carreira nem uma forma prática de aposentadoria. Se outro ditador toma-lhe o poder, o primeiro item de sua agenda será cortar-lhe a cabeça. Se, por outro lado, um governo democrático assume, cedo ou tarde vão querer executá-lo por crimes contra a humanidade. Para um tirano a única estratégia racional é continuar com a brutal repressão a seus inimigos políticos. É muito trabalho para ele e nem um pouco divertido para seus inimigos políticos.

O que o mundo precisa é de um programa que permita uma aposentadoria honrosa para um ditador, assim eles teriam um incentivo para largar o osso. Talvez a justiça não fosse feita, mas seria melhor para o país.

Imagino que um plano desses teria que possuir algum tipo de garantia internacional e permanente para o ditador. Para isso pode ser necessário o uso de tropas das Nações Unidas para a segurança de sua mansão ou fortaleza. E também deveria contar com irrestrito direito de ir e vir, caso ele ainda assim queira fugir do país.

Depois, o ditador deveria ser citado nos livros de história como um tipo de “pai da nação”. Ele seria, ironicamente, o pai da democracia, tendo se afastado para que ela assumisse o poder. A história teria que ser mudada para mostrar as coisas boas que ele fez para a estabilidade nacional e o florescimento da democracia. Seus genocídios teriam que ser esquecidos. Nenhum ditador quer ser objeto de manchetes ruins após sua aposentadoria.

Ao ditador seria permitido manter uma boa parte do dinheiro que ele roubou, limitado a US$ 5 bilhões por ditador.

Poder-se-ia adicionar alguns extras, como colocar a face do tirano em selos ou notas do dinheiro nacional, ou pelo menos permitir que continuasse nas que estiverem em circulação. O fato é que a aposentadoria tem que parecer uma coisa segura e honrosa.

Para o país, a justificativa seria que a ditadura era necessária enquanto ELE estava no poder e só funcionou bem por causa de sua extraordinária personalidade. E, uma vez que seu país não seria capaz de achar outro ditador igual a ele, o melhor seria restaurar a democracia. Pode parecer pouco convincente, mas quando você se lembra do que os governantes reais falam, não é tão diferente.

Eu sei que nunca funcionaria, mas esperar os tiranos morrerem demora muito e matá-los é muito caro. Tem que existir uma forma melhor.

Extraído e traduzido do blog do Scott Adams (
http://www.dilbert.com/blog/)


O texto acima pretende única e exclusivamente ser irônico, apesar de ser bastante lógico. O que talvez o autor não saiba, é que alguns países já adotaram várias dessas idéias. Ele devia cobrar royalties.

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