quinta-feira, 5 de junho de 2008

Home sweet home


Desço do ônibus cansado após um dia muito estressante e pentelho pra cacete. Olho para a muralha que eu tenho que escalar para chegar em casa e me sinto como os portugueses em São Vicente olhando para a Serra do Mar. Subo a ladeira carregando um mundo nas costas, parece que a cada dia tem um quarteirão a mais. Entro no elevador e me olho no espelho. Quem me olha de volta não sou eu. É um cara com ar abatido, olhos baixos, ombros caídos e os cantos da boca apontando para o chão. Mudo o olhar para os meus pés para não ter que puxar assunto com aquele estranho. É embaraçoso. Entro em casa e me dedico a alguns afazeres banais, arrumo uma coisinha aqui, guardo outra ali, verifico a correspondência. Ligo o computador, espio os blogs favoritos. Isso me anima. Vou me preparar para o banho e no espelho vejo outra imagem. Eu.

2 comentários:

Duda Lessa disse...

Um retrato comum a maioria de nós, na maioria dos dias... Nossa sorte é ainda nos reconhecermos em caras diferentes... Beijos e dias melhores pra você!

Fernando Lessa disse...

PQP....

Bela síntese do cotidiano. Muita poesia e realismo contidas em um texto tocante.

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