terça-feira, 3 de junho de 2008

Complexidade


Por não ter tido irmãs, meu contato com alguns detalhes do mundo feminino deu-se bastante tarde em minha vida. Dentre meus inúmeros complexos por conta disso, tem um que eu não consigo absorver, ou melhor, compreender.

Eu sabia o que eram e para que serviam os absorventes, é claro, e até via minha mãe comprando para ela, mas alguns detalhes a gente só observa quando o contato fica mais íntimo. Antes que você pense bobagem, me refiro ao momento de comprá-los você mesmo.

Como muitas outras marcas que de tão famosas acabam se tornando sinônimo do próprio produto (como se chama isso, Fê?), como gilete, bandaid, leite moça etc., para mim absorvente sempre foi modess. Demorei muito tempo até chamar absorvente de absorvente e de vez em quando ainda me escapa um modess. Antes que você pense bobagem novamente, me refiro ao momento em que me esqueço de chamar de absorvente, ah, você entendeu...

Um automóvel possui perto de 3.000 peças em sua constituição. Imagine a complicação que é montar um carro, principalmente se algumas dessas peças possuem opções entre elas, como, por exemplo, câmbio mecânico e câmbio automático, direção normal e direção hidráulica, pneus isso e pneus aquilo, frisos pretos e na cor do carro, com rádio e sem rádio, com vidro elétrico e sem vidro elétrico, motor 1.0 e motor 2.0, e por aí vai. Calcule a quantidade quase infinita de veículos diferentes que as combinações entre essas peças podem gerar. É por isso as montadoras acabam oferecendo um número limitado de modelos, que é para não complicar mais a já complicada linha de produção. À maior ou menor variação de produtos na mesma linha chama-se de complexidade.

Porém, se a limitação da complexidade ocorre na fabricação de um produto complicado como é o carro, o mesmo não ocorre na fabricação de um modess, digo, absorvente. Se não, vejamos:

Começa pelo tamanho, um absorvente pode ser mini, midi, maxi ou super. Super!!!! Uau!

E tem uma versão mais larga atrás... deve ser o equivalente ao semi-super!

Aí vem a espessura: normal, fino e ultra-fino. Imagino que o mercado para os grossos seja muito limitado.


Ah, e pode ser compacto também.

Com relação à sensibilidade, tem só a suave. Aqui fica claro que ninguém compraria um que fosse áspero, por exemplo.


O mesmo ocorre quanto à flexibilidade, existe uma versão flexível, mas não se encontra nas prateleiras a versão rígida.

E ninguém, nem mesmo eu na minha santa ignorância absorventícia, imagina que alguém compraria um absorvente que não tivesse máximo conforto ou máxima absorção, mas eles estão lá na prateleira como se fosse uma opção a escolher. Na verdade, não são opções válidas, são puro marketing mesmo.

A capacidade de absorção pode variar conforme o fluxo: normal, reduzido e intenso, e adicione uma opção noturna.

Uma coisa importante também são as fixações, tem com abas e sem abas.

E não nos esqueçamos da versão teen!

Portanto, meu amigo, se você for encarregado de comprar absorvente para sua mulher, namorada, mãe ou avó, certifique-se de tomar nota de todos os detalhes, ou levá-la junto, afinal é ela quem decide o modelo do carro também.

Como você pode notar, fiquei só na modalidade externa, mas o mesmo exercício pode ser feito para as opções embutidas. Pergunto-me: que modelo de Tampax o Príncipe Charles gostaria de ter sido?

2 comentários:

Duda Lessa disse...

Ótimo texto, fiquei imaginando você em uma farmácia , diante da preteleira tentando acertar...
Como dizem na Bahia,
Morri di sorri! Bjs.

Fernando Lessa disse...

JR.

Não sei que se chama, mas é mesmo associação de marca a categoria. Por falar em categoria, que categoria de texto, Hein? Muito bom.

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