sexta-feira, 30 de maio de 2008

Bahia!


- Ó mãinha, tem remédio pra picada de cobra?
- Tem não... por que, tu foi picado?
- Não, é que tem uma vindo na minha dirééção...

Essas piadas de baiano são tão mais engraçadas quanto mais conhecemos o povo da boa terra. Claro que a maior parte é preconceito, mas por outro lado, que têm um fundinho de verdade, ah, isso têm!

De vez em quando a gente fica até um pouco irritado por lá, principalmente quando acaba de chegar de outras plagas, mas algumas situações são tão hilárias que não dá nem para brigar. Pelo contrário, achar graça é o melhor remédio.

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Ou não é verdade que nos restaurantes (tá bom, vai, só 90% deles) a gente pega o cardápio e o garçom pergunta:
- O que vocês vão querer?
- Vocês tem todos esses tipos de peixe?
- Temos sim, senhor!
- Então eu quero um vermelho na telha.
- Vermelho tem não...
- Ué, mas você não falou que tinha todos?
- Ter, tem, mas hoje não...

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E um amigo, que esperava impaciente sua refeição e chamou o garçom para reclamar:
- Pô, cara, nós estamos aqui esperando há 1 hora de relógio! (*)
- Ixi, então é pouco! O pessoal daquela mesa ali está esperando faz 1 hora e meia...

(*) conhecia essa expressão?

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Fui com um amigo a um restaurante bem pequeno no Pelourinho. Na verdade, como ainda era meio cedo, só havia nós dois por lá. Escolhemos os pratos, passando é lógico pela situação número 1 acima, e pedimos duas caipirinhas de vodka (roska). Passados, sem exagero, 20 minutos. O garçom entra pela porta da frente com as duas roskas na mão:
- É que a vodka que o patrão comprou é muito ruim e eu fui pegar no bar do lado...
Acredite se quiser, o guaraná que eu pedi depois, ele também saiu para comprar. Quando ele entrou com a sacola na mão, pensei em sacaneá-lo e dizer que eu queria sem gelo, mas não deu certo, porque o guaraná já estava sem gelo (ugh!)

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As rotatórias nas estradas e avenidas, que eles chamam de “rótulas”, deveriam se chamar “roletas”, e das russas. O típico motorista baiano entra pela faixa da direita, passa para a faixa da esquerda no meio da curva, tangenciando o miolo da rótula e torna a cortar para a faixa da direita para sair. E olha que algumas rótulas têm 4 ou 5 faixas de largura! Aprendi que a preferência nunca é sua, é de quem chegar primeiro ou tiver mais coragem. O segredo é, a 50 metros de uma rótula, fechar os olhos e acelerar a, no mínimo, 130 km/hora. Ah, e não se esqueça de rezar para o Nosso Senhor do Bonfim.

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O trânsito baiano sempre me faz lembrar de uma piada do Chico Anysio, que se passava após um abalroamento num semáforo. O motorista do carro que bateu atrás, desce e pergunta:
- Você é de São Paulo?
- Sou sim, como você adivinhou?
- É que nessa sinaleira só quem pára é paulista...

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Frase típica da política baiana: “Pense num absurdo, a Bahia tem um precedente!”

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A Bahia é o único lugar que eu conheço que tem animador de fila naqueles caixas rápidos (hahaha) de supermercado. A luz do caixa acende chamando o cliente e lá está o primeiro da fila conversando com o segundo e o terceiro e a fila parada. Daí a importância do profissional animador:
- Vamos lá, vamos lá, olhe, o caixa 3 está vago, ei, você aí... acorde, filho de deus!

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Supermercado realmente proporciona situações deliciosas, como essa contada por um amigo meu, paulista, dono de um pequeno restaurante no Pelourinho. Ele estava na fila do caixa e na frente dele havia um sujeito passando as compras. Quando passou o frango, ele reclamou:
- Mocinha, péra aí, esse frango estava no balcão com o preço de R$ 4,80 e você passou ele por R$ 4,90!
- Ué, mas o preço no caixa está R$ 4,90...
- Pois é, mas no balcão tava R$ 4,80!
- Mas aí eu vou ter que chamar a gerente...
- Então, chame!
Meu amigo, logo atrás, com pressa, disse:
- Olha, passa por esse preço mesmo que eu pago a diferença.
- O senhor não está entendendo, não é uma questão de preço, é uma questão de princípio.
Nisso, a mocinha do caixa chamou a empacotadeira. Lá vem a dita cuja arrastando suas havaianas:
schleeept, schleeept, schleeept, schleeept, schleeept, schleeept, schleeept (bem vagarosa)
- Que foi?
- Olhe, esse senhor... o frango... o preço... (contou a história toda de novo)
A fila ia crescendo e os próprios baianos que estavam atrás já estavam ficando impacientes. A empacotadeira disse:
- Ih, mas então vai ter que chamar a gerente...
- É, tem...
E lá vai ela arrastando as havaianas beeem devagar:
Schleeept... schleeept... schleeept... schleeept...
No décimo schleeept, meu amigo gritou (ele tem um vozeirão):
- Escuta aqui, minha filha, se você for nessa velocidade a gerente só vai chegar aqui amanhã!
schleptschleptschleptschleptschleptschlept (bem rápido)

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É por essas e outras que eu adoro a Bahia!

Um comentário:

Marília disse...

Eu tenho certeza que já fui, não sei quando, uma baiana de saia bem rodada, pano da costa, turbante, um monte de colares de búzios e fitinhas do Bonfim. E, claro, vendendo acarajé na calçada e falando bem molinho: OOlhaa ooo acaaraajééé!!!!.....

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