quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Túmulo do Soldado Desconhecido


No meu primeiro ano de Ginásio, em uma escola pública da qual ainda vou escrever alguma coisa aqui, tínhamos aulas de Francês, ó que chique! Numa das primeiras aulas, a professora exibia uns slides com fotos de Paris e contava coisas sobre a França, acho que para ambientar e interessar os alunos. E conseguia. Torre Eiffel, Champs Elisée, Louvre, Notre Dame, Arco do Triunfo. Nessa hora, ela nos informou que havia ali um tal de “túmulo do soldado desconhecido” em homenagem aos mortos da 1ª ou 2ª guerra mundial.

Sabe aquela hora em que a gente perde uma grande chance de ficar calado? Pois bem, perguntei:

- Mas quem era o soldado desconhecido?

A gargalhada foi geral, até a professora perdeu um pouco de sua compostura.

Abro aqui um parêntese. É claro que eu entendi o espírito do dito monumento, mas me interessava saber se para a tal homenagem haviam escolhido algum herói de guerra ou coisa parecida. Claro também que não deu tempo de explicar isso. Fazendo uma regressão, acho que foi nesse exato momento que adquiri meu temor de falar em público. Psicologia barata. Apenas imagino que tenha sido aí a inflexão, pois minha mãe garante que eu era uma criança bastante extrovertida. Fecha parêntese.

Lembrei-me dessa história, porque estou terminando de ler um livro de Gore Vidal, chamado Hollywood, onde ele dá a definição definitiva do que é um “soldado desconhecido”.

“... Olhou com melancolia para o caixão de pinho, envolto na bandeira, que continha os restos do “soldado desconhecido”, um fetiche corrente no mundo inteiro: os líderes mundiais enterravam um conjunto de ossos não identificados, honrando assim, como eles gostavam de dizer, as multidões anônimas que eles próprios tinham sacrificado à toa.”

Ah, se eu soubesse disso...

3 comentários:

Duda Lessa disse...

Fico doente ao perceber o quanto somos"preparados" por pessoas despreparadas... Outro dia meu filho de 4 ,levou á escola seu livro preferido : O mundo Egípcio.
A professora mandou ele guardar o livro na mochila dizendo a ele que não era um livro " adequado" para a idade dele... Imaginem a frustração do meu pequeno...Deve ter sido como a sua...
Resultado...mudei ele de professora, e de escola.
Não pude permitir que limitassem a curiosidade e leitura de meu Themudinho.

Paty disse...

Pois é, o meu medo de falar em publico entao é genético!

Junior disse...

Duda, na verdade a escola era ótima, qualquer dia vou escrever sobre o Vocacional. É que realmente foi muito engraçado e fora de hora. Eu também gostava muito da professora e devo a ela todo o francês que eu sei hoje, o que não quer dizer grande coisa...

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